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Toffoli elogia ‘firmeza’ de Aras e diz que críticas a PGR são injustas

Luísa Martins

“É assim que tem que ser: atuar nos autos, sem muita chama ou iluminação”, afirmou o ministro O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, fez um elogio público à atuação "altiva e firme" do procurador-geral da República, Augusto Aras, no inquérito que investiga o presidente Jair Bolsonaro por suposta interferência na autonomia da Polícia Federal (PF).

Ao discursar nesta segunda-feira no 3º Fórum Nacional das Corregedorias, Toffoli disse que são "injustas" as críticas dirigidas a Aras sobre uma suposta conivência com o governo federal em troca de uma futura vaga no STF.

Aras e Toffoli em audiência no STF sobre compartilhamento de dados sigilosos com o MP

Nelson Jr./SCO/STF

"O procurador-geral da República tem sido uma pessoa que, neste momento pelo qual o país passa, tem tido muita prudência, atuado com muita parcimônia, do ponto de vista a não trazer problemas", disse o presidente da Corte.

Toffoli o cumprimentou por "não querer holofotes, como aconteceu em um passado infelizmente recente" – uma referência ao ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que trabalhou em grande parte dos casos da Operação Lava-Jato no Supremo.

"É assim que tem que ser: tem que atuar nos autos, sem fazer muita chama ou iluminação. Tem que atuar com as provas, com o que há nos autos. Não é por meio da mídia ou de discursos que as coisas se resolvem, mas na atuação concreta", disse o ministro.

Para Toffoli, Aras tem enfrentando os casos no STF com "coragem" e sem "cair em vaidades", preservando a harmonia institucional.

Ele disse ainda que os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também "não têm faltado à democracia", pois têm consciência da "dimensão do Judiciário na construção da democracia brasileira" e trabalham "com respeito às diferenças".

O presidente do Supremo não fez menção a Bolsonaro, cujo governo está em crise com o Poder Judiciário após a divulgação do vídeo da íntegra do vídeo da reunião interministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto.

Na ocasião, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que os membros do STF eram "vagabundos" que deveriam estar presos.

Também entram na conta da tensão entre os Poderes os ataques de Bolsonaro ao ministro Celso de Mello, relator da investigação sobre a PF, e de apoiadores bolsonaristas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo chamado inquérito das "fake news".