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Todos os cenários de crise levam a Roma com aperto do BCE

(Bloomberg) -- Uma crise financeira com a Itália como epicentro pode se tornar a pior turbulência da história do euro.

Como temiam políticos alemães e economistas proféticos quando a moeda comum foi adotada há mais de duas décadas, a fraqueza e o endividamento da terceira maior economia da zona do euro correm o risco de se tornarem um problema para todos os outros países membros.

Essa perspectiva ficou ainda mais próxima na quinta-feira, com o governo de Mario Draghi à beira de ser dissolvido após perder o apoio de um aliado importante de sua coalizão, potencialmente desencadeando uma nova fase de turbulência no mercado.

Isso aumentaria a pressão sobre a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, para elaborar uma solução de curto prazo, e provavelmente também destacaria a necessidade de um novo acordo político para corrigir as falhas na área do euro.

O cenário principal continua sendo que o BCE vai dar um jeito, como quando manteve o bloco monetário intacto quando a Grécia desencadeou a última crise financeira na região.

Mas outros cenários estão se proliferando. A Bloomberg Economics prevê três possíveis rumos para a turbulência italiana: uma resposta aquém do esperado do BCE, mais aumentos de juros do que as finanças públicas do país pode suportar e uma crise política tumultuada.

A evidência da vulnerabilidade da Itália surgiu no mês passado, quando a perspectiva de juros mais altos elevou o rendimento dos títulos de 10 anos do país acima de 4% pela primeira vez desde 2014. Segundo Eric Lonergan, gestor da M&G, vender os papéis estava se tornando uma “aposta de mão única”.

Desde então, os rendimentos recuaram com a promessa do BCE de criar um mecanismo anticrise, mas isso expôs a instituição como o único banco central no mundo que não pode aumentar o custo do dinheiro sem criar uma ferramenta para conter as consequências de sua própria política monetária. À medida que os investidores apostam nos juros subindo ainda mais nos EUA, o euro caiu para a paridade com o dólar pela primeira vez desde 2002.

A medida anticrise do BCE, que provavelmente contará com o poder do blefe, já está enfrentando atritos na Alemanha, potencialmente diminuindo sua potência.

“Essa manobra não vai ser nada fácil”, disse Charles Goodhart, ex-dirigente do Banco da Inglaterra que alertou para os perigos antes do nascimento do euro em 1999. “A situação para o BCE é mais difícil agora do que jamais foi.”

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