Mercado fechado
  • BOVESPA

    121.800,79
    -3.874,54 (-3,08%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.868,32
    -766,28 (-1,48%)
     
  • PETROLEO CRU

    73,81
    +0,19 (+0,26%)
     
  • OURO

    1.816,90
    -18,90 (-1,03%)
     
  • BTC-USD

    41.883,93
    +1.769,58 (+4,41%)
     
  • CMC Crypto 200

    955,03
    +5,13 (+0,54%)
     
  • S&P500

    4.395,26
    -23,89 (-0,54%)
     
  • DOW JONES

    34.935,47
    -149,06 (-0,42%)
     
  • FTSE

    7.032,30
    -46,12 (-0,65%)
     
  • HANG SENG

    25.961,03
    -354,29 (-1,35%)
     
  • NIKKEI

    27.283,59
    -498,83 (-1,80%)
     
  • NASDAQ

    14.966,50
    -71,25 (-0,47%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1880
    +0,1475 (+2,44%)
     

'Tive um câncer, mas só joguei tudo para o alto quando decidi criar minha filha de verdade', diz ex-executiva que virou doceira

·5 minuto de leitura

RIO — A vida não era doce para a tijucana Dani Rollemberg, fundadora da escola de confeitaria Umbigo no Fogão, quando ela vivia às voltas com os números. Até o sabor amargo de fazer um tratamento contra um câncer no endométrio em meio à pressão inerente ao mercado financeiro, a ex-executiva de um banco provou. Entre uma aplicação e outra de quimioterapia, a mãe da então pequena Hayla focava a sua energia na gestão de investimentos, nos altos e baixos da Bolsa de Valores, no gerenciamento de grandes fortunas... Era um tempo em que, com uma calculadora na mão, só pensava em multiplicar seus ganhos para garantir o futuro da filha. Nem nos momentos em que viu a cara da morte (e ela estava viva) diminuiu a carga de trabalho para se dedicar à família. O importante era guardar dinheiro para que sua menina herdasse um boa quantia, caso ela não vencesse a doença. Este ciclo não lhe permitia perceber que, em vez de ganhos, estava acumulando perdas afetivas. Foi preciso ouvir uma frase da sua princesinha para se dar conta de que estava doente. Era hora de renascer e de criar uma nova história, recheada de bolos, tortas, bem-casados, pães de mel... Há 15 anos, literalmente com o umbigo no fogão, ela foi apresentada a um outro tipo de rotina intensa, mas, desta vez, para lá de açucarada.

— Eu tive um câncer e nem assim pensei em abandonar o mundo corporativo. Trabalhava doente, com dores. Só joguei tudo para o alto quando decidi criar a minha filha de verdade, ser presente na vida dela. Cheguei no meu limite quando recebi uma ligação da Hayla e disse que tinha comprado uma boneca para ela. Comprado não, mandado comprar, porque eu não tinha tempo para nada. Foi aí que ela falou: “Mamãe, eu quero ver você, não quero a Barbie”. Eu desliguei o telefone e fui direto pedir demissão de um cargo elevado, em que era muito bem remunerada. O meu marido (o comercante Luis Duarte) perguntou se eu tinha ficado louca. Pelo contrário. Estava lúcida. Precisava ser mãe em tempo integral — diz a professora de confeitaria.

A experiência tão necessária, no entanto, teve prazo de validade.

— Foi muito importante conhecer os professores da Hayla, preparar o almoço dela, ter tempo para brincar. Mas, após três anos em casa, eu não tinha assunto, havia me transformado numa chata, ainda que neste período já estudasse gastronomia e tivesse criado um blog com as receitas das refeições que preparava despretensiosamente para a família. Até que um dia, a minha filha me perguntou: “Mamãe, quando você vai voltar a trabalhar”?. Ela não me aguentava mais (risos). Eu também não aguentava mais ser dona de casa. Vi que havia chegado a hora de recomeçar a minha vida profissional. Assim, em 2006, criei a Umbigo no Fogão — conta.

Não faltou entusiasmo para Dani criar a escola de confeitaria, que, recentemente, passou a ocupar uma charmosa casa na Rua Tenente Vilas Bôas, na Tijuca. Mas a ex-executiva não tinha a menor experiência em negociar os seus produtos:

— Eu, que sempre fui dondoca e só estava acostumada a comprar, me vi começando a vender. Mas a coisa começou a fluir.

Leia mais: Conheça os talentos mirins que vêm das comunidades cariocas

O sucesso da Umbigo no Fogão foi automático. As aulas de Dani Rollemberg logo ficaram concorridas, rendendo convites para que a já confeiteira de mão cheia ministrasse cursos até no exterior. As encomendas também não paravam de chegar.

— Comecei a fazer bolos artísticos e a ensinar as técnicas deste trabalho. Viajei para vários países para estudar, dei aula nos Estados Unidos. Ganhei e ganho dinheiro com a confeitaria. Talvez não tanto quanto ganhava no banco, onde eu tinha salário fixo, décimo terceiro, prêmios... Mas não posso reclamar de nada. Eu cresci na pandemia, enquanto, infelizmente, vi muita gente fechar as portas — lamenta. — Mas me reinventei. Com a interrupção das grandes festas de casamento e dos eventos, passei a fazer caixas com doces para Dia das Mães, festas juninas, Dia dos Namorados, enfim, para as datas comemorativas. Comecei a dar aulas on-line, promover lives e investir no delivery.

Na escola de confeitaria, Dani faz de tudo um pouco:

— Cuido da administração, do marketing digital e, ao lado da minha sócia, Ligia Bernardes, coloco a mão na massa. Nós duas preparamos todas as receitas. Só temos ajuda para lavar a louça e organizar a cozinha. Na Umbigo no Fogão, uno a minha paixão pela cozinha com a experiência financeira que adquiri como executiva. Era viciada em trabalho e continuo sendo, mas, após abandonar o mundo corporativo, eu me tornei uma pessoa mais sensata e gentil.

A partir do pedido da filha que exigia a sua presença, Dani tirou lições que faz questão de compartilhar.

— Não tem dinheiro que pague a nossa qualidade de vida. Ficar com a minha filha me humanizou. Eu precisei deste tempo para ser quem eu sou hoje. Eu me tornei mais generosa observando a Hayla, que sempre soube o que é empatia. Ela faz trabalhos sociais, doa sangue frequentemente, é um orgulho para mim — derrete-se a confeiteira ao falar da herdeira, que está com 21 anos.

Livre da ambição que um dia a aprisionou, Dani tem planos de ver o seu sucesso ser vivenciado por outras pessoas:

— O meu projeto é profissionalizar pessoas para que o trabalho artesanal se mantenha vivo e que os confeiteiros que enfrentam dificuldades possam se reerguer.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos