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Tinta especial pode ser a solução para proteger astronautas da poeira lunar

Felipe Junqueira

A NASA pode ter encontrado uma solução para o problema da poeira lunar, que poderia matar células e alterar o DNA de astronautas, além de outros problemas causados em naves e equipamentos. Um revestimento que já está em teste na Estação Espacial Internacional (ISS) pode ser aplicado aos trajes espaciais, aos equipamentos e até a sondas lunares a serem utilizadas nas missões Artemis a partir de 2024.

A poeira lunar tem grãos pequenos que são afiados, têm formato irregular e aderem a tudo o que tocam. Curiosamente, a NASA não havia se preocupado tanto com isso até a Apollo 13, em 1970. As duas primeiras missões que pousaram com sucesso na Lua não tinham nenhum equipamento para limpar o pó depois das caminhadas lunares, o que causou desconforto nos astronautas.

Para as missões Artemis, no entanto, a agência pretende tomar mais cuidado com o material, que pode causar sérios danos não apenas aos astronautas, mas também aos equipamentos, que podem deixar de funcionar se houver acúmulo excessivo de poeira lunar nos circuitos. A NASA acredita que encontrou uma possível solução que, no entanto, não foi desenvolvida especificamente para isso.

Gene Cernan sofreu com poeira lunar durante a Apollo 17 (Foto: NASA)

De acordo com o cientista da NASA, Bill Farrell, o revestimento especial “é atraente para esta aplicação”. O material foi desenvolvido para evitar o acúmulo de carga elétrica em espaçonaves, o que poderia danificar equipamentos elétricos. O plasma da magnetosfera contém partículas carregadas eletricamente capazes de causar curtos.

Daí foi inventada uma espécie de camada fina de aplicação de óxido de índio e estanho, que dissipa cargas elétricas, para proteger os equipamentos que vão e voltam do espaço. Essa solução pode ser adicionada a uma tinta, que estão pode ser passada em radiadores e outros componentes da espaçonave, protegendo-a de cargas elétricas.

Não é poeira, é regolito

A superfície lunar é coberta por uma camada de poeira chamada regolito. Trata-se de grãos ultrafinos que se formaram durante milhões de anos pelo impacto de meteoritos que quebraram e derretaram rochas, resultando em pequenos grãos de vidro e fragmentos minerais.

Essa poeira não fica apenas no chão, mas está também na atmosfera lunar, e viaja a velocidades impressionantes, algo comparável a um furacão. E, para piorar, esses grãos de poeira grudam em qualquer material, porque, além de serem afiados, também carregam carga elétrica. No lado iluminado da Lua, os raios ultravioletas provenientes do Sol carregam essa poeira positivamente, enquanto, no lado escuro e nos polos, deposita elétrons, dando uma carga negativa.

Os astronautas vão até a Lua com suas próprias cargas, o que pode atrair ainda mais o regolito. A NASA reparou isso nas missões Apollo, inclusive. Vivek Dwivedi, um dos cientistas da agência, chegou à conclusão que o revestimento em teste na ISS poderia ser aplicado aos rovers, trajes espaciais e tudo o mais que saísse da Terra com a Lua como destino.

Caminhada na Lua deixa várias pegadas dos astronautas e também suja os trajes espaciais (Foto: NASA)

“Conduzimos um número de estudos para investigar a poeira lunar”, explicou Farrell. “Um dos pontos mais importantes que encontramos é fazer com que a camada externa dos trajes especiais e outros sistemas humanos seja condutiva ou dissipativa”.

De acordo com o cientista, os mesmos requisitos rígidos de condutividade que já são aplicados às naves espaciais, por conta do plasma, e aos trajes espaciais, podem ser aplicados a outros objetos que viajam para o espaço. “Um objetivo futuro é que a tecnologia produza materiais de pele condutores, e isso está sendo desenvolvido atualmente”, disse.

A NASA trabalha com outros pesquisadores para levar o conceito da fina camada dissipadora a outros níveis.

Fonte: Canaltech

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