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Tim Berners-Lee se une a grandes empresas para “consertar a internet”

Felipe Demartini

O criador da internet, Tim Berners-Lee, se uniu a grandes nomes do mundo digital (e também de fora dele) em uma iniciativa para “consertar” a rede como a conhecemos. Em uma iniciativa chamada Contrato pela Web, a ideia é lutar contra males como censura e manipulação, aumentar o alcance das conexões e proteger a privacidade das pessoas.

São 72 normas dispostas em cima de nove princípios a serem seguidos por usuários, empresas do setor e governos. Além de Tim Berners-Lee, outras 150 organizações assinam o tratado, com nomes como Facebook, Google e Microsoft fazendo parte da empreitada. Os governos da Alemanha, França e Gana também assinaram como membros.

Para as empresas, as diretrizes envolvem tornar a internet mais barata e acessível a todos, proteger a privacidade e os dados pessoais dos usuários e desenvolver tecnologias que “apoiem o melhor da humanidade e lutem contra o pior”. Já os governos devem garantir a democratização do acesso à internet, a privacidade de seus cidadãos e, principalmente, não censurar a rede, mantendo-a operacional o tempo todo, sem restrições.

A ideia para os usuários é que eles sejam criadores e colaboradores da internet, criando e atuando em comunidades que respeitem a civilidade e a dignidade humana, gerando discussões que mudem o panorama das coisas. São elementos que convergem para o último princípio da iniciativa, “lutar pela web”.

Para Berners-Lee, o conjunto de normas é necessário para que a internet não se transforme em uma “distopia digital”. Nos termos específicos, assuntos como fake news, manipulação, segurança, diversidade, expansão da rede para áreas remotas e fatores socioeconômicos são levados em conta, como forma de tornar a internet mais segura, democrática e, principalmente, livre.

Para o criador da web, entretanto, são os princípios relacionados ao público os mais importantes, pois é a partir deles que tanto empresas quanto governos encontram o norte para realizar mudanças. No caso das empresas, a rede é uma forma de ganhar dinheiro, enquanto para governos, se trata de um método de manutenção de poder; o povo, segundo ele, é a base dessas duas coisas, e somente a partir dele é que encontraremos motivação para mudar.

A alteração nas posturas, afirma Berners-Lee, devem começar agora, e não daqui a alguns anos. O prazo de um ano para desenvolvimento do conjunto de normas já parece ter sido tempo demais diante das mudanças constantes da rede, com as organizações envolvidas, agora, trabalhando para tirar o atraso e se comprometendo a aplicar as diretrizes dispostas no Contrato pela Web em seu cotidiano, administração pública e planos de negócios.

O próprio grupo estará sujeito a avaliação constante, e aqueles que não cumprirem as políticas poderão ser retirados do programa. O movimento global já está ativo e seus termos têm caráter imediato, passando a valer desde já, quando suas normas entram em vigor. Usuários ou outras empresas que queiram apoiar o Contrato pela Web e firmar seu compromisso com os termos podem fazer isso pelo site oficial da iniciativa.

Fonte: Canaltech

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