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Tiktokers do Rio multiplicam seguidores na rede social; saiba como três deles começaram

·7 min de leitura

RIO — Foi outro dia. Julio Secchin pediu uma pizza em casa e, quando abriu a porta, ouviu do entregador: “Você não é o cara da música ‘vacilei’ do TikTok?”. Tinha sido apresentado pela filha de 7 anos a “Jovem”, sucesso dele cujo verso “Vacilei na primeira regra do rolê” tem sido cantado de olhos fechado e mãozinhas levantadas por aí. Mais de 400 mil vídeos foram produzidos com a música no aplicativo, que já passaram de 400 milhões de visualizações, conta ele.

— Um tiktoker que eu não conhecia gravou um vídeo simulando uns movimentos em câmera lenta ao som de “Jovem”. A partir daí, ela foi sendo reinterpretada por outros usuários e esse “incêndio” foi se alastrando. Foi uma grata surpresa — afirma o cantor e compositor de 34 anos, morador do Jardim Botânico.

Em bom “tiktokês”, o vídeo viralizou e criou uma trend (tendência), uma das modinhas que ficam em alta na rede social, como desafios, coreografias e dublagens. Esse fenômeno, relata ele, fez dobrar o número de reproduções da música no Spotify (22,6 milhões) e de visualizações do clipe no YouTube (13 milhões). “Jovem” ganhou um remix do DJ Ralk, com participação de Claudia Leitte.

Curiosamente, “Bambolê”, música que ele gravou em parceria com Márcio Victor, do Psirico, não teve tanta repercussão. Mesmo com o aplicativo distribuindo 500 bambolês para tiktokers influentes gravarem vídeos.

— Você só faz 50% do trabalho. O resto é o imponderável. Depende muito do que instiga os afetos dos usuários — observa o artista, criador do chamado funk de pelúcia.

Julio, que se prepara para lançar em janeiro com Francisco Gil “Juntin”, primeiro single do seu segundo álbum, começou a usar o TikTok com mais frequência na pandemia. Costuma postar vídeos tocando, cantando ou dançando trechos de suas músicas e bastidores de gravações de clipes. Saltou de dois mil para 66 mil seguidores.

— Eu não sei dançar muito bem, não sei muitas vezes fazer as tendências que estão lá. Mas vi que tinha um lugar para mim, que era o de fazer a minha música chegar nas pessoas — relata ele.

Em setembro, o aplicativo chinês de compartilhamento de vídeos de até três minutos atingiu a marca de um bilhão de usuários no mundo. Segundo pesquisa da consultoria alemã Statista, 4,72 milhões de brasileiros usam o TikTok. Um levantamento feito pela agência entre julho de 2020 e junho deste ano em 56 países, com entre 1.600 e 4.500 adultos por país, identificou que o Brasil é o segundo que mais usa o aplicativo no mundo. Fica atrás apenas da China.

— Estamos entusiasmados com o forte engajamento dos brasileiros e a tendência de crescimento contínua no país — diz Ronaldo Marques, head de parcerias de conteúdo do TikTok Brasil.

Ele conta que “ver as famílias recorrendo a plataformas on-line como o TikTok para se manterem entretidas, informadas e conectadas já acontecia antes da Covid-19, mas se intensificou desde o início da pandemia":

— Neste período difícil que estamos vivendo, todos precisam mais de diversão.

João Pedro Chaseliov faz sucesso imitando a mãe

No início da pandemia, ele tinha exatos 871 seguidores no TikTok. Digamos que, nestes quase dois anos, este número deu uma aumentadinha de leve: enquanto você lê este texto, João Pedro Chaseliov está postando um vídeo para seus 7,2 milhões de admiradores, que já viram seus conteúdos mais de 824 milhões de vezes. Os números superlativos do menino de 16 anos impressionam e já atraíram marcas como Amazon Prime Video, iFood, Rappi, Natura, Magazine Luiza, Seara e Nívea.

Tudo mudou quando, em janeiro, a mãe dele, a professora de educação física Daniela Chaseliov, sugeriu-lhe que fizesse vídeos dublando os áudios que ela mandava para ele por WhatsApp.

— Ela sabe como é autêntica, toda a doideira que tem. Viu um vídeo de Claudia Raia ouvindo os áudios que ela mandava para a filha e adorou. Até então, eu estava brincando. Ainda não acreditava que isso podia ser uma profissão, não postava todos os dias. Mas, a partir daí, as pessoas começaram a me seguir, e os números passaram a crescer no aplicativo — conta João Pedro, que mora com a mãe no Flamengo e passou para o 3º ano do ensino médio.

Daniela conta que está transbordando de orgulho do filho. E que, por mais que não apareça nos vídeos, já foi reconhecida numa farmácia... pela voz!

— A moça do caixa ficou me olhando, achando a minha voz familiar. Quando eu o chamei, ela falou: “Você é a mãe do João Pedro do TikTok”? — conta ela. — Não imaginávamos que nada disso aconteceria. Ele é muito perspicaz. Mas vamos deixar claro que nem tudo ali corresponde à realidade (risos).

As analogias com Paulo Gustavo, que imortalizou Dona Hermínia, versão de sua mãe, no fenômeno “Minha mãe é uma peça”, são inevitáveis. Daniela relata que ela própria se identificava com a personagem quando via os filmes. E João Pedro diz que ser comparado a Paulo Gustavo “é uma honra”.

—Eu me inspiro totalmente nele. Ele é um ídolo para mim — afirma o jovem, que participou do “The voice kids” em 2019.

Ele conta que seu público é formado majoritariamente por crianças e idosos e que acontece com frequência de avós e netos o abordarem juntos na rua.

Uma pesquisa feita pela Kantar Ibope Media na pandemia com seis mil pessoas maiores de 55 anos conectadas à internet de quatro regiões do país identificou que o TikTok recebeu a atenção deste público por 509 minutos entre 20 de dezembro de 2020 e 20 de janeiro deste ano. Este número representa 9% mais do que a média dos usuários de internet em geral. E, segundo um levantamento do Interactive Advertising Bureau (IAB) divulgado em agosto do ano passado, 41% dos usuários que produzem conteúdo no aplicativo têm entre 16 e 24 anos.

— Uma das razões pelas quais o TikTok tem atraído a atenção dos usuários é a sua facilidade de uso, com recursos simples, que possibilitam a edição e a interação nos vídeos. E não é preciso ser um tiktoker (influenciador do aplicativo) para que um vídeo viralize. O grande trunfo da plataforma é o uso de hashtags em desafios — destaca Cintia Lin, head de Creative Excellence da agência de pesquisas Ipsos.

Ator de novelas, João Fernandes tem 375 mil seguidores

No princípio, era o zero. No início da pandemia, o ator João Fernandes, conhecido por suas participações em novelas como “Caminho das Índias” e “Cordel encantado” e a última temporada de “Malhação”, não tinha seguidores no TikTok. Começou a mexer na rede social “porque estava meio ocioso”.

— Os trabalhos pararam. E vi que as pessoas estavam começando a ganhar como influenciadoras digitais no TikTok, uma ferramenta que cresceu rápido. Então decidi começar a investir, virou uma prioridade na minha vida — conta o morador do Flamengo de 22 anos, que, hoje, acumula mais de 375 mil seguidores no aplicativo.

No TikTok, ele costuma postar vídeos mais pessoais, que chegam a 1,2 milhão de visualizações — com o filho Nicolas, de 2 anos; com a namorada, a atriz Ketelyn Costa, falando sobre uma de suas paixões, o basquete... Ou fazendo brincadeiras, como lendo o texto de um telejornal no teleprompter, de terno e short e descalço.

— No Instagram, eu posto mais fotos com a minha família, no meu trabalho. No TikTok, sou eu fazendo palhaçada, brincando. Você tem que produzir mais conteúdo e ficar bem ativo. Se você faz um vídeo que não agrada tanto, a plataforma já tira um pouco do seu engajamento. É uma montanha-russa. A grande sacada é achar um nicho — diz.

Para Ivana Bentes, professora da Escola de Comunicação da UFRJ, o TikTok é um fenômeno massivo de “apropriação tecnológica” que acaba produzindo novas linguagens:

— Vemos influenciadores vindos das periferias, fora dos grandes centros, que jamais produziriam conteúdo nas mídias tradicionais e que dominam totalmente a linguagem das redes.

Ela observa que a pandemia, ao deixar todos isolados, só amplificou a tendência de uma comunicação afetiva, pelo humor, com dancinhas. Mas pondera que “o TikTok foi tomado por jovens e faz parte de um novo negócio que monetiza vidas, o dos dados e dos algoritmos”:

— Temos que ser críticos também, porque ele é feito para viciar e fazer ficar rolando a tela infinitamente. Tem esse caráter massivo, virótico. Ainda não sabemos os seus efeitos colaterais

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