Mercado fechará em 4 h 4 min

TikTok enfrenta análise de segurança nacional nos EUA por suspeita de servir à China

Logo do TikTok

O aplicativo de vídeo chinês TikTok está sendo avaliado pelo governo dos Estados Unidos por seu potencial risco à segurança nacional. O presidente Donald Trump receberá em breve uma recomendação sobre o assunto, informou o secretário do Tesouro nesta quarta-feira.

Steve Mnuchin disse à imprensa que a análise está a cargo do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS, em inglês), que lida com empresas e aquisições que afetam a segurança nacional.

"O TikTok está sendo analisado pelo CFIUS e faremos uma recomendação ao presidente esta semana", afirmou Mnuchin. "Temos muitas alternativas", completou.

O aplicativo, cujo formato de vídeos artístico e bem-humorado se tornou muito popular durante o confinamento devido à pandemia de coronavírus - principalmente entre jovens -, pertence ao grupo chinês ByteDance e tem quase 1 bilhão de usuários no mundo. Mas Washington suspeita que o mesmo esteja sendo usado pelo governo de Pequim para espionagem.

"Estamos analisando o TikTok e pensando em tomar uma decisão", declarou Trump, que já levantou a possibilidade de proibir a rede social.

Soluções menos drásticas, incluindo a venda para um grupo de investidores americanos, também são consideradas, de acordo com declarações recentes de um consultor próximo a Trump, Larry Kudlow. "Acho que o TikTok irá abandonar a holding chinesa e operar como empresa independente", indicou, duas semanas atrás.

Ele se recusou a divulgar se alguém já estava interessado em uma possível aquisição do TikTok, mas argumentou que "seria uma solução muito melhor do que a proibição". Mas nesta questão, como em muitas outras, a Casa Branca parece dividida.

Outro conselheiro próximo a Trump, Peter Navarro, um feroz oponente da China e arquiteto da guerra comercial desencadeada contra Pequim, defende uma medida mais rígida.

Navarro acusou o TikTok e outro aplicativo, o WeChat, de enviarem todos os dados "para servidores na China, diretamente para o Exército chinês, o Partido Comunista Chinês e agências (oficiais) que desejam roubar nossa propriedade intelectual".

- "Ataques difamatórios" -

O TikTok enfrenta uma necessidade frequente de se afastar de seus vínculos com a China, onde sua matriz tem um aplicativo semelhante, de nome diferente. Mas a empresa sempre negou o compartilhamento de dados com autoridades chinesas e disse que não tem a intenção de aceitar solicitações deste tipo.

O presidente-executivo do TikTok, Kevin Mayer, reiterou hoje que o grupo não tem conexão com o governo chinês. "Não somos políticos, não aceitamos propaganda política e não temos uma agenda; nosso único objetivo é continuar sendo uma plataforma vibrante e dinâmica da qual todos possam desfrutar", continuou Mayer. "O TikTok se tornou o alvo mais recente, mas não somos o inimigo", acrescentou.

Mayer disse que o TikTok estabeleceu diretrizes de transparência e que revelará mais do que outras plataformas sobre seus algoritmos internos. "Acreditamos que todas as empresas deveriam divulgar seus algoritmos, políticas de moderação e fluxos de dados aos reguladores", afirmou.

Vários congressistas americanos pediram a proibição do TikTok, e um projeto de lei pendente tornaria ilegal que funcionários federais usassem o aplicativo em dispositivos do governo.

Em outras partes do mundo, a rede social também foi questionada. Desde 30 de junho, ela foi proibida na Índia, liderando uma lista de 59 aplicativos chineses bloqueados por Nova Délhi em seu território para "garantir a segurança e a soberania do ciberespaço indiano".

O governo do vizinho Paquistão, país muçulmano conservador, emitiu recentemente "um aviso final" ao TikTok para remover conteúdo considerado "imoral, obsceno e vulgar" de sua plataforma.