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TikTok: relatório aponta más condições de trabalho na empresa

TikTok: Funcionários afirmaram longas horas de trabalho para conseguirem ter reuniões com a China (TOLGA AKMEN/AFP via Getty Images)
TikTok: Funcionários afirmaram longas horas de trabalho para conseguirem ter reuniões com a China (TOLGA AKMEN/AFP via Getty Images)
  • Funcionários afirmaram longas horas de trabalho para conseguirem ter reuniões com a China;

  • TikTok estaria colocando diversas equipes para trabalhar adversariamente no mesmo projeto;

  • Empregados afirmam que ficam até 85 horas semanais em reuniões, para depois irem trabalhar em suas funções.

Trabalhar em uma grande empresa com presença global pode parecer um sonho para muitos trabalhadores brasileiros. No entanto, uma nova reportagem do Wall Street Journal revelou os bastidores do escritório de Los Angeles do TikTok, detalhando condições de trabalho abusivas.

Segundo o relatório do jornal americano, os funcionários da empresa relatam sofrer privação de sono, causada por trabalhar até tarde para poder participar de reuniões com os colegas de trabalho, localizados na China. Alguns afirmam perder 85 horas semanais somente em reuniões, tendo que ficar ainda mais tempo no trabalho para realizar suas funções normais. Para piorar, como domingo já é segunda-feira na China, muitos relataram trabalhar no final de semana para poder estar em pé de igualdade com os colegas chineses.

Dentre as reclamações de saúde, o Wall Street Journal afirmou ter recebido muitas, como o caso de um funcionário que deixou de trabalhar "duas noites consecutivas" depois de mostrar ao chefe que havia desenvolvido uma "condição potencialmente fatal".

Já a ex-gerente de produto sênior, Melody Chu, escreveu em seu blog no Medium que frequentemente trabalhava até tarde da noite para se encontrar com seus colegas na China, o que levou à privação do sono e à perda de peso. Chu também afirmou que teve de recorrer a terapia matrimonial para salvar seu casamento, porque não conseguia passar tempo com o marido.

Outra prática presente na empresa exposta pelo relatório foi o fato do TikTok colocar diversas equipes correndo para terminar o mesmo projeto, de modo a pressionar os funcionários a fazer seus trabalhos mais rapidamente. Isso teria levado os funcionários a beira da paranoia e à frustração ao não verem seus trabalhos chegarem à luz do dia.

Esse modo de trabalho exaustivo parece ser ainda um resquício do chamado "trabalho 996", um cronograma informal adotado pelas empresas de tecnologia, que consiste em trabalhar das 9h às 21, seis dias por semana. Proibida pelo governo no ano passado, a demanda ainda pode existir na cultura da empresa.

A ByteDance, empresa controladora do TikTok, afirmou que tem uma carga semanal de trabalho de 63 horas, consistindo em cinco dias na semana, das 10h às 19h. Não está claro se esse tipo de horário é esperado fora da China, mas, como observa o WSJ, “muitos funcionários dizem que as horas mais longas continuam sendo a expectativa”.

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