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TikTok é seguro? Entenda por que os EUA querem proibir o app

Finanças Internacional
·7 minuto de leitura
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O TikTok é um dos apps mais usados por adolescentes e fãs de redes sociais no mundo todo. No entanto, o app da empresa chinesa ByteDance gera cada vez mais desconfiança entre os membros do governo dos Estados Unidos, inclusive o presidente Trump e o secretário de estado Mike Pompeo, que ameaçam uma proibição, alegando que o app representa uma ameaça à segurança do país.

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No entanto, de acordo com vários pesquisadores, o medo de que o TikTok seja usado para algum tipo de espionagem está diretamente relacionado ao aumento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China. Segundo especialistas, o TikTok não coleta mais informações do que outros apps similares, como o Facebook, o problema é que o app está vinculado à China.

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"O TikTok está tomando medidas rápidas para deixar claro que pode ser usado com segurança pelos americanos", explica Steven Weber, professor da U.C. Berkeley e diretor do Centro de Segurança Cibernética da universidade. "Com o ambiente político atual entre os Estados Unidos e a China, todas as empresas chinesas são culpadas até provar o contrário."

Há evidências de espionagem?

Assim como o Facebook, o Twitter, o LinkedIn, o Snapchat e qualquer outro app "gratuito" de rede social, o TikTok coleta dados dos usuários. A política de privacidade disponibilizada no site da empresa indica que o app coleta vários tipos de dados, como informações de perfil, conteúdos postados, perfis de usuários em outras redes sociais e muito mais.

De acordo com a empresa, esses dados são usados para aprimorar o TikTok e exibir anúncios personalizados, ou seja, os mesmos motivos pelos quais outros apps, como o Facebook, coletam informações dos usuários. Até agora, não há evidências de que o TikTok use esses dados de forma mal-intencionada, para espionar os americanos.

O TikTok é administrado pela subsidiária americana da chinesa ByteDance, que tem um app similar na China continental, chamado Douyin. No entanto, a sede do TikTok fica nos Estados Unidos, e o CEO da empresa é o americano Kevin Mayer, ex-gerente da Disney.

Assim como outras redes sociais, o TikTok indica em seu site que cumpre as leis dos Estados Unidos no que diz respeito a intimações e ordens judiciais, e que pode compartilhar dados dos usuários com as autoridades nesses casos.

"A questão é que os Estados Unidos não estão preocupados com a privacidade, mas sim com o fato de o app ser chinês e não americano", explica Justin Cappos, professor da Tandon School of Engineering da Universidade de Nova York.

Esse fato levanta a suspeita de que a xenofobia seja a verdadeira causa da repressão das empresas de tecnologia chinesas pelos Estados Unidos.

O passado problemático do TikTok

O TikTok também tem seus problemas. Em 2019, acusada de violar a Lei de Proteção da Privacidade Infantil On-line por coletar informações de usuários menores de 13 anos, a empresa fez um acordo de US$ 5,7 milhões com a Comissão Federal de Comércio.

Além disso, junto com mais de 50 apps, incluindo ABC News, Classic Bejeweled, Fruit Ninja e The New York Times, o TikTok recentemente foi flagrado copiando dados das áreas de transferência dos usuários de iPhones.

Essa revelação aconteceu graças a um recurso novo da versão beta do iOS 14 da Apple, que alerta os usuários quando um app copia informações da área de transferência. O TikTok argumentou que estava copiando esses dados por segurança, para evitar spammers na rede social, e que enviou uma atualização do app para a App Store para eliminar esse comportamento.

No entanto, o TikTok e outros apps já tinham sido criticados por pesquisadores de segurança, que descobriram a cópia de dados da área de transferência em março deste ano. Naquele momento, o TikTok disse ao The Telegraph que o app deixaria de fazer isso, mas o iOS 14 beta revelou que não foi bem assim.

A empresa também foi criticada por censurar conteúdos que poderiam irritar o governo chinês, como o massacre da Praça da Paz Celestial e a independência do Tibete. Também em 2019, o The Guardian divulgou documentos que afirmavam que a política do TikTok era deixar os posts sobre esses assuntos visíveis apenas para os próprios autores, garantindo que eles não alcançassem um público mais amplo.

O TikTok respondeu a essa denúncia dizendo que as políticas eram antigas e tinham sido criadas para reduzir conflitos na plataforma naquele momento.

O app Zoom também foi alvo de controvérsias similares e recebeu acusações de silenciar críticas à China pela suspensão das contas de ativistas fora dos Estados Unidos que comemoravam o aniversário do incidente na Praça da Paz Celestial.

Eric Yuan, fundador e CEO do Zoom, é americano com ascendência chinesa, e a empresa tem um servidor na China. O serviço de videochamadas sofreu mais um golpe no início deste ano, quando veio à tona que algumas conversas passavam por servidores na China. Naquele momento, o medo era que o governo chinês pudesse ter acesso a essas conversas, expondo os dissidentes a consequências terríveis no país.

A Huawei, gigante chinesa do setor de eletrônicos, também foi alvo de investigação dos legisladores dos Estados Unidos, que afirmam que a empresa poderia espionar os consumidores e funcionários do governo por meio de suas redes de dados. Agora, os Estados Unidos estão promovendo uma campanha global para que os países aliados removam equipamentos Huawei de suas redes celulares. Recentemente, o Reino Unido comunicou que tomará essa medida até 2027.

Medo de usos futuros

A maior parte do público do TikTok são adolescentes que postam vídeos de dublagens e coreografias. Que tipo de ameaça o app poderia representar para a segurança nacional?

De acordo com Weber, o problema não é o que o TikTok pode fazer com esses dados agora, mas sim como eles podem vir a ser usados no futuro.

"Digamos que eles tenham um conjunto de dados enorme sobre os americanos com várias informações sobre eles, onde eles nasceram e foram criados, o que eles gostam de ver no YouTube e muito mais", ele explica.

Se os cientistas de dados chineses pudessem analisar alunos de universidades como a U.C. Berkeley, onde Weber trabalha, a inteligência chinesa seria capaz de saber quais deles acabariam trabalhando para o governo dos Estados Unidos.

"Para um cientista de dados, seria muito interessante poder atribuir uma pontuação de probabilidade a cada jovem que entra na Universidade de Berkeley e depois, antes mesmo que esses jovens definissem um plano de carreira, começar a usar recursos e ativos para tentar direcionar o desenvolvimento deles", explica Weber.

Cappos, da Universidade de Nova York, também acredita que os dados dos usuários coletados pelo TikTok poderiam ser usados com esse objetivo.

No momento, vários órgãos governamentais e empresas dos Estados Unidos continuam bloqueando o TikTok em seus dispositivos.

O uso do app foi proibido em dispositivos do governo em todos os setores das forças armadas e na Administração de Segurança de Transportes. No dia 11 de julho, os Comitês Nacionais Republicano e Democrata também recomendaram que seus membros não baixem o TikTok em dispositivos pessoais, informou a CNN.

Os partidos políticos e o governo não são os únicos que estão contra o app. No dia 10 de julho, a Amazon enviou um comunicado aos funcionários pedindo para excluírem o app de seus dispositivos. Mais tarde, a empresa cancelou o comunicado e disse que ele foi enviado por engano. Na segunda-feira, de acordo com o The Information, o Wells Fargo também pediu para os funcionários excluírem o app de seus dispositivos.

E o que isso significa para as pessoas comuns?

Especialistas como o professor Dave Levin, do Centro de Segurança Cibernética da Universidade de Maryland, afirmam que qualquer tipo de compartilhamento de dados com apps de redes sociais é preocupante, não importa onde é a sede da empresa.

"Não há evidências concretas de que [o TikTok] compartilha dados com o governo chinês", ele disse ao Yahoo Finanças. "Não há evidências de falhas graves de segurança."

No entanto, como Levin explicou, em se tratando de redes sociais, não dá para saber o que realmente acontece com os dados dos usuários.

Daniel Howley

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