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Tião Rocha: ‘A escola pública precisa se reinventar se quiser ser freireana’

·4 minuto de leitura

RIO - Fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), escola com princípios freireanos que auxilia a formação de crianças e jovens carentes, Tião Rocha defende que a escola pública precisa se reinventar para se beneficiar dos ideais de Paulo Freire — filósofo que faria cem anos no último domingo.

— Paulo Freire não entrou na escola pública. Está entrando agora — avalia.

No entanto, para isso, ela precisa quebrar lógicas das quais está viciada, explica o educador. Nesse sentido, deve abandonar o modelo de disciplinas, cargas horárias e hierarquia de conhecimentos.

— Isso tudo vai contra a ideia de Paulo Freire. Ele não falava em aula de 50 minutos e currículo rígido. Essa coisa de currículo único e fechado. Esse modelo provoca escolarização, não educação, e vai deixando as pessoas para trás — afirma.

A escola pública brasileira conseguiu absorver a filosofia de Paulo Freire?

Paulo Freire não entrou na escola pública. Está entrando agora. Por causa de tanta tentativa de desqualificá-lo, esse governo gerou até uma curiosidade. O pessoal que não gosta do presidente pensa: “Já que o Bolsonaro e sua turma falam tão mal, deve ser bom”. Foi um estímulo, uma propaganda. A universidade brasileira começou a estudar paulo freire tardiamente. “Pedagogia do Oprimido” só chegou ao Brasil seis anos depois dos EUA e da Europa.

O que a gente percebe são casos isolados nos quais professores foram se aproximando de Paulo Freire, Anísio Teixeira e vários outros. Trazendo como sua necessidade profissional de levar isso pro sistema educacional.

Como a escola pública se beneficiaria?

O benefício seria total. Paulo Freire apresentou uma dimensão ampla e complexa de pensar o contexto de educação, de aprender a partir da cultura do outro, a partir do que as pessoas fazem e querem, que não existe uma educação neutra, que o encontro é plural na busca de transformação do mundo que quebra a lógica do opressor e do oprimido, o respeito às diferenças.

Professor é o que ensina e educador é o que aprende. Quando deixei de ser professor para ser educador, na busca das formas de aprendizagens, percebi que ter Paulo como aliado não era vê- lo como método ou teoria, mas como um objetivo.

O que isso significa?

A gente aprendeu que para criar um objetivo a gente tem que usar um verbo no infinitivo no início da frase. Em geral, coloca o verbo nesse lugar e enche linguiça. Quando fiz a opção de ser um aprendiz, defini um compromisso ético comigo: construir um verbo que não fique só no enunciado, conjugado no presente do indicativo, há 36 anos. Criamos o verbo ‘paulofreirar’, que só conjuga no presente.

Eu paulofreiro significa olhar para o outro de forma generosa, de juntar as pessoas para mudar o mundo em algo melhor, uma sociedade mais igualitária, mais justa e a solidariedade. É maior quando todos aprendem e todos ensinam. E também significa que a escola pode ser extraordinária e que a educação é um fim, não um meio, com pluralidade e aprendizagem.

O exercício é colocar em prática no dia a dia todas essas questões e adequá-las. Essa é a questão que percebo nos movimentos mais avançados de educação.

E como uma escola consegue ‘paulofreirar’?

É difícil porque tem que quebrar determinadas práticas e lógicas que existem por si. A lógica de se pensar a escola em disciplinas, cargas horárias, hierarquia de conhecimentos... isso tudo vai contra a ideia de Paulo Freire. Ele não falava em aula de 50 minutos e currículo rígido. Essa coisa de currículo único e fechado. Esse modelo provoca escolarização, não educação, e vai deixando as pessoas para trás.

A escola precisa romper o modelo escolarizado e pensar na lógica que não precisa ter disciplinas e matérias. Precisa ter conhecimentos múltiplos, disponibilizado para as pessoas que possam aprender tudo o que precisam, sabem e querem, mas cada uma no seu tempo e no seu ritmo. Não para cumprir tabela.

Paulo Freire não vai entrar na escola enquanto a escola pública se parecer com uma fábrica ou quartel, onde é a hierarquia que predomina, com informações ultrapassadas. Ela está longe de ser uma educação freiriana. Pressupõe quebrar essas paredes, mudar o jeito de aprenderem e de ensinarem, trabalhar em círculos, juntar as pessoas para discutir os seus saberes e quereres e transformarem em matéria prima, em educação para todos. A escola pública precisa se reinventar se quiser ser freireana.

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