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Após demissão do Goiás, Thiago Larghi lamenta falta de tempo de trabalho: “O Goiás estava atrás nessa retomada da pandemia”

Colaboradores Yahoo Esportes
·9 minutos de leitura
(Foto: Divulgação Goiás)
(Foto: Divulgação Goiás)

Por Ricardo Assis

O carioca Thiago Larghi trilhou um caminho diferente da maioria dos treinadores do país. Sem experiência como atleta profissional, Thiago é formado em educação física e iniciou sua carreira trabalhando como analista de desempenho pelo Botafogo em 2011, onde ficou por dois anos, até ser convidado por Parreira para integrar a comissão técnica de Luiz Felipe Scolari para a Copa de 2014. Após a Copa no Brasil, foi morar na Europa para tirar sua licença B da Uefa e aproveitou para estagiar com Pep Guardiola no Bayern de Munique. Voltou ao país em 2016 para trabalhar na equipe técnica de Oswaldo de Oliveira no Sport, Corinthians e Atlético Mineiro.

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Foi trabalhando como auxiliar técnico no clube mineiro que sua primeira grande oportunidade surgiu. Após a demissão de Oswaldo de Oliveira em fevereiro de 2018, Thiago Larghi foi o escolhido pela direção para assumir o cargo de treinador de maneira interina. Após 32 jogos e quatro meses no comando, foi efetivado no cargo, respaldado pela bela campanha no Brasileirão. No entanto, a oscilação da equipe após a parada da Copa de 2018 acabou custando o cargo de Larghi. Em meados de outubro o técnico teve seu contrato encerrado. Em conversa com a equipe do Yahoo, o treinador carioca de apenas 40 anos falou a respeito de sua passagem pela equipe mineira, seus estudos em 2019 e seu breve trabalho pelo Goiás.

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De acordo com Larghi, o trabalho em Minas foi positivo, mas a janela de transferências de julho acabou atrapalhando a equipe: “No caso do Atlético, eu tive tempo para implantar o trabalho. Foram oito meses, quase nove de trabalho, então foi tempo suficiente para dar um padrão de jogo e ter um time competitivo. O que ocorreu em termos de turbulência, foi que na metade do ano, na parada da Copa (Mundial 2018) nós perdemos cinco jogadores titulares, inclusive o artilheiro da competição na ocasião. Isso acaba fazendo falta para qualquer equipe. As mudanças que aconteceram foram em função do calendário do futebol brasileiro de modo geral. A gente (sic) vinha remontando o time; o padrão não foi perdido completamente porque o tempo de trabalho era bastante significativo para ter um modelo de jogo claro”.

Após a demissão, Larghi aproveitou o ano passado para se aprimorar. “Em 2019 eu até tive proposta para trabalhar em alguns clubes, mas junto ao meu representante entendemos que não eram as propostas que a gente imaginava, não eram projetos que a gente entendia serem interessantes, haja vista a minha recente experiência no Goiás, como é difícil fazer esse tipo de coisa. Eu aproveitei bastante esse tempo para estudar, me atualizar. Por duas vezes eu fiz visitas e estágios importantes na Europa, continuei trabalhando e me qualificando para fazer um grande trabalho”.

O período sabático foi interrompido quando Larghi resolveu aceitar o desafio de comandar o Goiás, lanterna do campeonato na ocasião. No entanto, o trabalho não durou muito. “Foram 38 dias, muito pouco tempo. Nós chegamos em um clube em que os jogadores estavam fora do peso, processos não estavam bem estabelecidos”. Apesar das críticas ao estado atlético dos jogadores, Larghi entende que a pausa por conta da COVID-19 atrasou o trabalho: “Obviamente a gente sabe que houve a questão da pandemia, mas a gente também sabe, porque temos colegas em outros clubes, que o Goiás estava atrás nessa retomada da pandemia. E isso ocorreu em nível físico, nível técnico e nível tático... A gente precisou acelerar o processo e tentamos ganhar tempo. Nos primeiros jogos não conseguimos, foi tudo muito imediato. Antes do meu primeiro jogo contra o Vasco eu tive apenas dois treinos, um pós jogo e um de véspera”.

Larghi ressaltou que, apesar do pouco tempo de casa e o calendário apertado de treinamentos, o time vinha dando a resposta: “Foi tudo muito corrido, muito difícil realizar o trabalho ali, nós tentamos entregar o melhor e, no final do prazo, nos últimos três jogos, nós ficamos sem perder. Vencemos o Inter, que era o líder do Brasileiro na ocasião e empatamos com o Ceará fora, o que a gente já entendia que era uma evolução também a nível de resultado, de acordo com aquilo que a gente estava esperando. Eu vejo como natural esse crescimento porque a partir do momento que você tem trabalho e os jogadores entendem aquilo que se é exigido, eles vão conseguir expressar, com mais ou menos tempo. Os jogadores tinham comprado a ideia, estavam comprometidos. Isso é inegável, e eu falei em todas as minhas entrevistas. A partir do comprometimento a gente entende que vai ter desempenho, e com o desempenho a gente entende que vai ter resultado”.

Questionado pelos rumores de que a comissão técnica e atletas tiveram resistência à metodologia de trabalho e um nível de exigência considerado excessivo, Larghi foi categórico: “ Eu também recebi algumas informações nesse sentido, mas não vi nenhuma resistência a nível dos funcionários ou jogadores em relação ao trabalho. Pelo contrário: eu vi bastante empenho, gente querendo vencer e que estava comprometida com aquilo que a gente da comissão técnica estava passando. Eu vi que os jogadores estavam com brilho nos olhos a nível de treinamento, se empenhando. A questão da exigência é o que tem que ser. Não tem como jogar uma série A, ser competitivo, fazer bons jogos e conseguir resultados se não formos exigentes. Eu posso garantir que quem estava com a gente dentro do CT no dia a dia de trabalho estava comprometido sim com aquilo que tínhamos planejado”.

Cerca de vinte minutos após a demissão de Larghi, o ex-treinador do Cruzeiro, Enderson Moreira, foi anunciado pelo clube esmeraldino. O curtíssimo intervalo entre os anúncios levantou questionamentos de torcedores quanto a uma possível negociação da diretoria com Enderson enquanto Larghi estava no cargo. O ex-treinador estranhou a rapidez, mas contemporizou: “Realmente, foi muito pouco tempo após o anúncio da demissão. Enfim, são coisas do futebol e somente a diretoria do Goiás e os envolvidos que podem responder o que aconteceu. A minha sensação é de consciência tranquila por aquilo que eu cheguei e desde o primeiro dia desempenhei junto da comissão técnica que foi comigo tentando o melhor para a instituição da grandeza que é o Goiás”.

De acordo com levantamento feito pelo Globo Esporte, um técnico de primeira divisão brasileira tem, em média, seis meses de “vida” no cargo. Questionado pela reportagem se essa cultura imediatista tem impacto na qualidade de jogo, Larghi afirmou: “Com certeza. Isso é óbvio, porque o nível de jogo vai estar de acordo com a qualidade dos treinos e também de material humano. Quanto mais sessões de treino você tem, mais você consegue colocar nos jogadores a ideia daquilo que se pretende para ser competitivo e ter um futebol que agrade a torcida. Eu acredito que é fundamental ter tempo de trabalho, ter sequência para conseguir ter um jogo de qualidade. No final das contas, o que as pessoas querem é ter um futebol bem jogado e que seja competitivo. Isso só ocorre com tempo de trabalho, porque os jogadores são seres humanos que precisam adquirir hábitos, que vão se expressar dentro de campo”.

Nos últimos meses, com o sucesso de treinadores estrangeiros como Jorge Jesus e Sampaoli, clubes vêm se mostrando cada vez mais abertos a testes. Internacional, Atlético Mineiro e Santos apostaram em técnicos de fora para 2020, com resultados mistos. Enquanto treinadores como Jair Ventura e Levir Culpi criticam e questionam esse movimento, Larghi vê a situação de maneira positiva: “Enxergo os estrangeiros com certa naturalidade, porque o futebol é um mercado em que profissionais brasileiros sempre foram para fora do país, sempre foram requisitados – tanto a nível de jogador quanto a nível de comissão técnica. Tivemos treinadores fazendo ótimos trabalhos no exterior e, da mesma forma, o futebol é global e temos que receber eles de portas abertas e sem qualquer tipo de xenofobia. O mercado tem que ser conduzido pela competitividade e por mérito. Não importa se é treinador novo ou experiente, estrangeiro ou brasileiro. O importante é ter bons profissionais, e se esses profissionais estiverem aqui agregando isso é válido e é a lei competitiva de qualquer mercado”.

O ex-treinador do Goiás aproveitou para ressaltar que o sucesso de técnicos como Jorge Jesus e Sampaoli também esteve ligado ao investimento e planejamento feito: “No caso atual, na minha leitura nós vemos um Atlético Mineiro com grande investimento. Parece que investiu cerca de R$ 120 milhões de reais, então é um time com bastante material de qualidade. Nós não podemos esquecer também que muitos treinadores estrangeiros também não foram bem aqui no Brasil. Ano passado o Jorge Jesus foi muito bem também, com um Flamengo muito bem montado. Era um time que jogava com qualidade, tendo um futebol vistoso e competitivo e agradava a nível de jogo e de resultado. Isso foi bastante significativo. Eu só acho que a gente não pode deixar de valorizar o profissional brasileiro, porque no Brasil nós temos muita gente competente”.

Admirador declarado de Guardiola, Thiago Larghi também conversou com a reportagem sobre o trabalho do catalão e seu impacto no futebol atual: “Eu vejo o Guardiola como um treinador que revolucionou o futebol. Na minha maneira de ver, poucos treinadores foram revolucionários em relação ao jogo, e o Guardiola está entre eles. Ele mostrou que era possível ter um jogo com posse de bola, atrativo, de qualidade e ser vencedor. Mostrou isso no Barcelona, venceu depois três Bundesligas com o Bayern e vem fazendo um trabalho com alternância de performance no Manchester City, mas que a gente não pode deixar de falar que é um bom trabalho. Obviamente que se espera que ele vença novamente uma Champions League, mas certamente é um treinador que já contribuiu bastante ao futebol”.

Questionado se acredita que um trabalho parecido com o de Guardiola poderia ocorrer no país, Larghi se mostrou esperançoso, mas ressaltou o papel do investimento para o sucesso: “Eu acho que isso pode ocorrer aqui no Brasil também, mas talvez a diferença seja na montagem dos elencos. O Manchester City tem poder (financeiro) para montar um elenco muito forte e fazer as contratações. Aqui no Brasil em anos e clubes diferentes isso vem acontecendo. O Palmeiras montou um time muito forte em 2016 e também em 2018, o Flamengo em 2019 e agora o Atlético em 2020. São cenários diferentes, mas que certamente têm esse elemento de investimento como algo preponderante, que puxa a fila. É preciso ter bom material humano para conseguir os resultados, isso é factual. O resto é sequência de trabalho, conceitos claros e tempo para trabalhar”.

Sem clube desde 28 de setembro, o treinador carioca também falou sobre seus planos e ambições para as próximas temporadas: “A ideia é voltar a trabalhar num futuro próximo, desde que a gente receba uma proposta minimamente razoável, com planejamento e uma clareza do que se quer no trabalho”.

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