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The Last of Us 2, Os Últimos Jedi e o ódio do fã iludido

Foto: Divulgação / Sony / Naughty Dog

Por Thiago Romariz* — Em menos de 24h após o lançamento, The Last of Us - Parte 2, um dos games mais esperados da história da Sony, se tornou o mais divisivo dos jogos lançados nos últimos anos. Não bastasse tratar de sobreviventes humanos após uma pandemia que devasta a Terra, a sequência do que para muitos é "o melhor game de todos os tempos" trata de ódio, vingança e coloca nas mãos do jogador as atitudes mais cruéis que um ser humano pode ter: preconceito, segregação e assassinato. Infelizmente, não tinha como ser mais atual.

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A força da obra, porém, foi além destes temas e de fato evoluiu em quase todos os sentidos as questões apresentadas no primeiro jogo. Ao menos para mim, pois uma gigantesca base de fãs virou as costas para a franquia por alguns motivos curiosos, para não dizer duvidosos.

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Entre o evidente bom senso de uma parte do público, que justamente não se identificou ou gostou da aventura, um grupo barulhento se debruçou sobre o destino de Joel, o herói do primeiro jogo, e também sobre o protagonismo das mulheres durante a trama. 

Petições surgiram na internet para exigir a "mudança" da história. Neil Druckmann, criador do jogo, foi ameaçado, xingado e é tido como pária por parte da comunidade por "ter destruído" o legado e as mensagens do primeiro jogo. O movimento é quase idêntico ao que o mundo viu com Os Últimos Jedi, oitavo e controverso episódio da saga Star Wars.

À época, muitos fãs direcionaram o mesmo tipo de tratamento à LucasFilm e a Rian Johnson, diretor do filme, com os mesmos tipos de argumento; o legado foi destruído, Rose – a asiática do elenco – sofreu abuso na redes, e Luke Skywalker não "era aquele personagem". As semelhanças são quase assustadoras.

Mark Hamill como Luke Skywalker em Star Wars - Os Últimos Jedi. Foto: Lucasfilm / Disney

Independentemente da qualidade de ambas as obras, o comportamento dos fãs contrários às mudanças estruturais das séries mostra como é desafiador ir contra as expectativas – e como boa parte destes cidadãos que ameaçam se sentem donos de uma obra.

Em essência, tanto Parte II quanto Episódio VIII desconstruíram símbolos masculinos e intocáveis de um público acostumado a ter seus desejos próprios representados em tela; e de lambuja mostraram quão falhos, derrotados e mesquinhos estes mesmos ídolos podem ser. A inclusão de mulheres ao longo da jornada só potencializa a sensação (irreal) de perda de privilégio e, consequentemente, um ódio direcionado a quem se atreve a mudar o status quo.

As duas histórias, de maneiras diferentes, questionam o fã de cultura pop inebriado pela própria força de mudança, tão amplificada pela internet nos últimos anos. O alcance desta voz comunitária, benéfica em inúmeros momentos, se tornou também (mais uma) prova da quantidade de preconceito enraizado que existe neste grupo.

Mesmo que não sejam produções impecáveis, Last of Us e Últimos Jedi mexeram nos brinquedos de quem nunca soube olhar para o próprio umbigo. E isso, por si só, é uma atitude mais que louvável.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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