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#Verificamos: Artigo removido da revista The Lancet não prova eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19

Agência Lupa
·3 minuto de leitura
Artigo removido da revista The Lancet não prova eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19 - Foto: Reprodução
Artigo removido da revista The Lancet não prova eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19 - Foto: Reprodução

por NATHÁLIA AFONSO

Circula pelas redes sociais uma imagem de uma reportagem que informa que a revista científica The Lancet publicou uma retratação que anula a validade dos estudos comprovando que a cloroquina e a hidroxicloroquina são ineficazes no combate a Covid-19. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Artigo removido da revista The Lancet não prova eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19 - Foto: Reprodução
Artigo removido da revista The Lancet não prova eficácia da hidroxicloroquina contra Covid-19 - Foto: Reprodução

“Cientistas pedem desculpas por erro”
Legenda de imagem que, até às 13h do dia 25 de janeiro de 2021, tinha sido compartilhado por 3 mil pessoas no Facebook

VERDADEIRO, MAS

A informação analisada pela Lupa é verdadeira, mas é de junho de 2020, e não prova a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19. Após a publicação e posterior remoção de artigo publicado na revista The Lancet, citado na reportagem que aparece na captura de tela, diversos outros ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos foram publicados demonstrando a ineficácia do medicamento.

Em maio de 2020, a revista científica The Lancet publicou um estudo mostrando que o uso da cloroquina e a hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus poderia ser perigoso para os pacientes infectados pelo vírus. A pesquisa foi feita a partir de dados de 96 mil pessoas que contraíram a doença e foram tratadas com o medicamento.

Contudo, a integridade das bases de dados foi questionada por outros especialistas. Reportagem do jornal The Guardian também mostrou informações inconsistentes. O número de mortes registradas na Austrália, por exemplo, era inferior ao citado na base. Por causa disso, o estudo foi removido da The Lancet em 4 de junho, que publicou uma nota de retratação.

O fato de o artigo ter sido alvo de retratação e remoção não significa, contudo, que a hidroxicloroquina é eficaz no combate à Covid-19. Após essa polêmica, vários ensaios clínicos, randomizados e duplo-cegos, com o medicamento foram concluídos, e todos eles apontam que a droga é ineficaz no tratamento da doença.

Um estudo publicado na Annals of Internal Medicine e outro no New England Journal of Medicine (NEJM) mostraram que o medicamento não é capaz de reduzir o número de internações em casos leves ou moderados da doença. Este último foi realizado por pesquisadores brasileiros. Outra pesquisa, também publicada no NEJM, mostrou que a droga também não é eficaz na profilaxia. Ou seja, de acordo com esses ensaios, o remédio não serve como “tratamento precoce”.

A hidroxicloroquina também foi considerada ineficaz como tratamento de casos graves da Covid-19 dentro do Recovery Trials, projeto da Universidade de Oxford para encontrar tratamentos contra a Covid-19. A pesquisa foi publicada no NEJM em novembro.

É importante notar que todas as pesquisas citadas são ensaios clínicos, randomizados e duplo-cegos, metodologia mais adequada para o teste de medicamentos. A pesquisa publicada e depois removida pelo The Lancet não era um ensaio, e sim uma análise feita a partir de bases de dados externas.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés