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Thalita Rebouças fala sobre novos livros e filme, além da descoberta do amor e da menopausa, em plena pandemia: 'Nunca me senti tão gostosa'

·5 min de leitura

Uma brinquedoteca ocupa a estante no centro da sala do apartamento, com vista para o mar de São Conrado, da escritora e roteirista Thalita Rebouças, de 47 anos. Em miniatura, um circo, uma roda-gigante e uma máquina caça-níqueis decoram a primeira prateleira do móvel. Embaixo, estão a coleção de “ursinhos trogloditas” — como identifica uma série de bonecos comprados em viagens —, e um pote de bilhetes com a etiqueta “365 dias de amor”, que ganhou de uma fã. Nos andares seguintes, encontram-se os seus livros, centenas. “Tudo isso funciona (refere-se ao circo e à roda-gigante), mas como é 220 volts e as entradas não são compatíveis, nunca liguei”, apresenta Thalita.

Ao contrário dos objetos decorativos, Thalita é plugada na tomada. “Sou agitada, ansiosa e minha mente inquieta é reflexo disso”, admite. E haja bateria: a escritora carioca está escrevendo três livros. Um deles é o “Confissões de um garoto inteligente, purpurinado e (intimamente) discriminado”, que termina a série “Confissões”. “Depois de abordar autoconhecimento no primeiro, homofobia no segundo e transtornos alimentares no terceiro, falo de suicídio neste”, antecipa. Outro é um compilado de crônicas publicadas no Jornal Extra, ainda sem título. E o terceiro é “Falando sério sobre adolescência”, em parceria com o marido Renato Caminha, terapeuta de jovens.

Em 21 anos de farta carreira literária e, mais recente, cinematográfica e teatral, a autora-fenômeno do público infanto-juvenil vendeu 2,3 milhões de exemplares. Entre as publicações que mudaram sua vida, “Tudo por um popstar” repetiu o sucesso das livrarias no cinema e nos palcos; “Fala sério, mãe” a colocou no mapa e nas listas de mais vendidos; e “Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática” a provocou a se reinventar. A adaptação deste último para o streaming é a mais fresca estreia da Netflix, na qual dá uma canja integrando o elenco. “Gosto de me ver, acho que não faço feio, não”, brinca. Para o ano, estão engatilhados um documentário sobre empatia, também ao lado do companheiro, e o lançamento das traduções da série confessionária. França, Alemanha, Itália e Espanha estão na rota. “O sonho da minha vida é ser publicada em francês. Sempre me encantei com os franceses lendo em cafés, sacolejando no ônibus e no metrô. Sinto borboletas no estômago”, revela Thalita. O lançamento será dia 11 de janeiro na Embaixada do Brasil, em Paris. Um hábito que ganhou em viagens é o de espalhar livros em bancos de praças e restaurantes. “Acho que livro tem que circular. Quantas pessoas não leem por que não têm grana?”, provoca a escritora.

No último mês, Thalita viajou de férias para Portugal, onde comemorou um ano do relacionamento com o psicólogo Renato Caminha. Eles planejam escrever a quatro mãos “Falando sério sobre adolescência”, um verbete, de A a Z, que definem como uma conversa entre arte e ciência. “Queremos ajudar os pais a passarem por esse momento delicado dos filhos, com os hormônios em ebulição. Então, vamos falar de bullying, depressão, suicídio, família tóxica, masturbação”, enumera. Thalita está fazendo uma pesquisa com adolescentes de 16 anos para o projeto. “Hoje me espanta que meninas desta idade falem menos sobre masturbação do que eu nos meus 16 anos. A gente defende tanto meu corpo, minhas regras, o feminismo bombando. Não esperava ouvir que elas não se tocam e não têm vontade”, observa. A escritora também prepara para o cinema uma adaptação do livro “Era uma vez a minha primeira vez”: “Vou colocar uma personagem masturbadorinha”.

Se por um lado a pandemia a deu de presente o amor da sua vida, aos 45 anos, por outro, a premiou com a menopausa. Ela coloca as mãos no rosto e faz uma conchinha em volta da boca para falar do tema. “Não precisa abaixar o tom de voz para falar disso. Quanto mais a gente falar, mais vamos nos libertar. Entrei na pandemia e parei de menstruar. Um monte de amigas estão na mesma”, diz Thalita, que está fazendo reposição hormonal. “Nunca me senti tão gostosa e feliz”. É ela própria quem emenda a conversa na decisão de não ser mãe, tomada aos 28. “Fazer filho é fácil e gostoso. Criar é super difícil. Muitas mulheres me perguntam se eu não tenho medo de me arrepender. Eu tenho vontade de fazer a mesma pergunta para quem teve”.

Profissionalmente, Thalita descreve que ficou “absolutamente estranha” no começo da pandemia. “Achei que fosse tirar de letra, pois a minha rotina de escritora é muito solitária. Trabalho em casa há 20 anos. Mas fiquei oca. Imagina as mil Thalitas que moram dentro da minha cabeça, todas cheias de tesão e criatividade, ficarem mortas?”, desabafa a autora que passou três meses sem ler, escrever e ver filmes. O que a salvou foi o roteiro de “Pai em dobro”, lançado em janeiro na Netflix. O longa é o primeiro projeto da sua carreira em que o audiovisual nasceu antes do livro. “Eu implicava com a ideia de tanta gente meter o bedelho no roteiro e hoje acho divertido trabalhar em equipe”, opina Thalita. O “gatilho” para colocar a trama no papel partiu da observação de um encontro com o amigo e ator Eduardo Moscovis, com as filhas mais velhas, de 22 e 21. Meses depois do episódio, fez o convite: “Você vai ser o pai do meu filme?”. “Me surpreendeu que foi tudo muito rápido, da ideia até ela escrever o roteiro. Ela achou graça na maneira como convivo com as meninas, e veio o insight de escrever a história de um homem que descobre ser pai de uma filha já adulta, de 18. A princípio ele não sabe lidar e depois acaba se apaixonando e se vendo carente dessa relação”, detalha Moscovis. “A Thalita é empreendedora, inquieta e produtiva. A forma como ela produz, se envolve e participa do filme como atriz é linda”.

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