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Testes em lote | Técnica acelera testagens da COVID-19 e reduz custos; entenda

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

A principal solução para controlar a transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é a identificação rápida dos pacientes contaminados, inclusive aqueles assintomáticos, e a indicação de quarentena para essas pessoas. No entanto, essa medida esbarra em um grande desafio, como testar milhares ou milhões de pessoas para a COVID-19 de forma eficiente, barata e rápida? A solução pode estar nos testes em lote a partir da metodologia pool, muito utilizados na China.

Entre as regiões adeptas ao método, a cidade chinesa de Qingdao testou os seus 11 milhões de habitantes em cinco dias e conseguiu evitar um novo surto de coronavírus no país. A ação foi iniciada no dia 11 de outubro, depois que autoridades de saúde identificaram 12 casos iniciais da COVID-19 associados a um hospital que trata pacientes vindos do exterior. Para viabilizar essa testagem tão abrangente, a Comissão Nacional de Saúde chinesa realizou testes de coronavírus em lotes de dez pessoas.

Uso de testes em lote pode auxiliar rastreamento de casos assintomáticos da COVID-19 (Imagem: Reprodução/ BiomeHub)
Uso de testes em lote pode auxiliar rastreamento de casos assintomáticos da COVID-19 (Imagem: Reprodução/ BiomeHub)

Assim, as autoridades locais conseguiram rastrear e isolar os casos positivos rapidamente. E para controlar o surto ainda no início, a cidade de Qingdao também foi dividida em setores para facilitar a coleta das amostras e novos laboratórios foram montados em tendas infláveis. Quatro dias depois do início dos testes, apenas um caso da COVID-19 era registrado. Atualmente, o contágio da infecção viral está controlado na região.

Como funcionam os testes em lote?

Nesse modelo de testagem em grupo, são coletadas duas amostras da nasofaringe (nariz) de cada indivíduo sem sintomas para a COVID-19. Enquanto uma amostra é armazenada, a outra é testada, em tempo real, de forma coletiva no método RT-PCR, considerado o exame padrão ouro para o coronavírus. Em outras palavras, as amostrar do grupo são analisadas todas juntas e os resultados saem em até 24h.

Técnica de testagem coletiva para exames da COVID-19 pode ajudar no rastreio precoce da infecção (Imagem: Reprodução/ BiomeHub)
Técnica de testagem coletiva para exames da COVID-19 pode ajudar no rastreio precoce da infecção (Imagem: Reprodução/ BiomeHub)

Caso essa amostra coletiva das vias respiratórias ateste positivo para o coronavírus, está confirmado que uma (ou algumas) das pessoas daquele grupo está contaminada. Assim, são realizados os testes individuais nas amostras que foram armazenadas até que se identifique o paciente ou os pacientes doentes. Durante essa investigação, todo o grupo permanece isolado. Em caso de o “grupo testar negativo”, todos são liberados já no primeiro teste.

Testes da COVID-19 no Brasil

Inclusive, essa técnica de testagem em massa também está disponível no Brasil, e a startup catarinense BiomeHub já testou 20 mil pessoas em Florianópolis. Por aqui, os testes de pacientes assintomáticos são feitos em grupos de 16 pessoas. No momento que o Brasil vive de redução de casos, essa poderia ser uma boa medida de controle para evitar novos contágios.

“Nesta etapa de retomada, é a realização dos protocolos de segurança, juntamente com a testagem em massa de forma recorrente, que vai fazer com que consigamos isolar mais rapidamente os indivíduos infectados. Neste contexto, chamo a atenção para os infectados assintomáticos, que são os casos mais críticos no controle da dispersão do vírus", explica o doutor em Genética e Biologia molecular e CEO da BiomeHub, Luiz Felipe Valter de Oliveira, sobre a importância da técnica.

Segundo o especialista, é possível estimar que, para cada indivíduo assintomático identificado de forma preventiva e isolado, entre duas e quatro pessoas são protegidas de contaminação pelo coronavírus. "Infelizmente, o nosso sistema de saúde [brasileiro] não comporta a testagem em massa dos assintomáticos usando as estratégias tradicionais de RT-PCR”, comenta Oliveira.

No entanto, isso não impede que iniciativas como essa possam ser desenvolvidas em algumas áreas ou setores da economia. Por exemplo, uma escola pode adotar essa estratégia para garantir a segurança de seus alunos e professores durante a retomada, já que identificará possíveis casos assintomáticos. A capacidade atual de testagem desse método no laboratório da empresa, em Florianópolis, é de 500 mil testes por mês.

Fonte: Canaltech

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