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Testemunhas detalham momento em que botijão de gás arremessado atingiu e matou vendedor no Rio

Redação Notícias
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Divulgação/PMRJ/Twitter
Divulgação/PMRJ/Twitter

Na manhã desta terça-feira ainda era possível observar poças de sangue na calçada das ruas Aires de Saldanha e Djalma Ulrich, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. É que horas antes um pedreiro de 33 anos, em surto psicótico, arremessou pela janela de um apartamento que ele morava diversos objetos. Entre eles um botijão de gás que acertou em cheio a cabeça de um vendedor de frutas que passava pelo local. O homem, de aproximadamente 50 anos, não resistiu aos ferimentos.

Venilson da Silva Souza, que jogou os objetos pela janela, segundo a irmã, estava em tratamento psicológico. No momento do ataque, ambos estavam em casa. De acordo com a mulher, o pedreiro fazia obras no Edifício Cannes, número 49. Testemunhas contaram que o imóvel fica no 11º andar.

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Edifício usado, geralmente, para temporadas, o apartamento onde Venilson e a irmã moravam tem pouco menos de 50 metros quadrados e é todo planejado. No local não há gás encanado, o que levanta a suspeita de irregularidades. O fogão é de mesa como mostram imagens de um panfleto apresentado para os clientes.

De acordo com testemunhas, no momento do surto de Venilson, ele começou arremessando roupas, sapatos, um fogão de mesa — cooktop — e em seguida jogou o botijão de gás, que acertou em cheio a cabeça do vendedor de frutas conhecido como Tronco. Paraibano, o homem morava no Cantagalo, e às vezes dormia na rua. Querido na região, ele vendia frutas e legumes pelas ruas do bairro.

Até agora, pelo menos quatro pessoas prestaram depoimento na 13ª DP (Ipanema). Entre elas, os patrões do pedreiro. Ambos afirmaram que o homem estava morando no apart hotel porque ele fazia reparos no espaço. No entanto, há alguns dias começou a ter surtos.

Funcionários do prédio contaram que Venilson costumava fazer pequenos reparos no prédio. Preso, o suspeito chegou a ser levado para a 13ª DP e em seguida encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), onde foi autuado por homicídio.

O corpo de Tronco foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio. Até as 9h nenhum familiar do vendedor de frutas havia ido ao local para reconhecer e liberar o corpo.

O GLOBO tentou falar com o síndico do Edifício Cannes. No entanto, ele não foi encontrado.

'Foi uma fatalidade', diz guardador

O botijão de gás arremessado por Venilson, antes de acertar o vendedor de frutas, caiu sobre o teto de zinco de uma loja de açaí, ricocheteou e atingiu o rapaz. Na manhã desta terça é possível observar o estrago feito pela força do objeto no teto da loja de alimentos.

Morador do local há mais de 50 anos, o aposentado Edmilson Pedrosa afirma que o objeto que atingiu Tronco poderia ter feito um estrago ainda maior, se outras pessoas passassem no mesmo momento.

— Você tá vendo ali aquele amassado? O botijão de gás bateu no aparelho de ar-condicionado e respingou caindo na cabeça do rapaz. Imagina se tivesse batido direto na cabeça dele ou se outras pessoas passassem no momento? O botijão quicou após atingir o teto de zinco — conta o aposentado.

Segundo Pedrosa, o vendedor de frutas era bastante conhecido no bairro.

Guardador de carros na rua Aires de Saldanha há mais de 20 anos, Samuel dos Santos conta que conhecia a vítima há mais de 20 anos e que no último domingo ambos se encontram em Copacabana. Santos diz que ontem ele estava de folga e não viu a morte do amigo:

— Ele não fazia mal a ninguém. Quando os moradores precisavam, ele fazia pequenos trabalhos, como buscar alguma coisa. As vezes eu dava comida para ele, porque o Tronco não tinha um local fixo para morar. Vivia dormindo nas marquises. No domingo ele brincou comigo e perguntou se eu estava acordado. Esse foi o último dia que nos vimos. O que aconteceu foi uma fatalidade.

Da AGÊNCIA O GLOBO