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Testemunha da CPMI das Fake News que foi desmentido pela Folha é acusado de ameaça de morte pela mãe de sua flha

Reprodução/TV Câmara

Hans River do Nascimento, testemunha da CPMI das Fake News que teve parte de seu depoimento desmentido por reportagem da Folha de S.Paulo, é acusado pela mãe de sua filha de 8 anos de ameaça de morte. A informação também é do jornal.

Em boletim de ocorrência registrado em 30 de novembro de 2018,  a mulher relatou que teve um relacionamento de 16 anos com Hans, que os dois têm uma filha e que ele vinha lhe ameaçando de morte.

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Segundo relato que consta do relatório de investigação, “Hans ameaçou-a dizendo que tinha vontade de estrangulá-la” e, depois disso, não teve mais autorização para entrar na casa dela.

O promotor de Justiça Marcelo Otávio Médici afirmou, segundo reportagem da Folha, em sua manifestação durante o inquérito que “diante do relato da vítima, parece que os fatos possuem contornos de violência de gênero”.

Em depoimento que a vítima deu em 26 de novembro de 2019, um ano depois da primeira acusação, ela “ratifica o teor das declarações anteriores”.

Em seu depoimento Hans River afirmou que a jornalista da Folha Patrícia Campos Mello teria se insinuado sexualmente em troca de informações para uma matéria sobre o caso. O veículo, no entanto, demonstrou provas de que o homem não estaria contando a verdade.

Hans River do Rio trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018. Ele foi convocado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP) a prestar depoimento na comissão que investiga a disseminação de notícias falsas no pleito.

Em seu depoimento Hans River afirmou que a jornalista da Folha Patrícia Campos Mello teria se insinuado sexualmente em troca de informações para uma matéria sobre o caso. O veículo, no entanto, demonstrou provas de que o homem não estaria contando a verdade.

Em dezembro daquele ano, a Folha publicou uma matéria baseada em documentos da Justiça do Trabalho e em relatos de Hans, que revelava uma rede de empresas, entre elas a Yacows, que recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.

A Folha comprovou que conversou diversas vezes com Hans na ocasião. Nas primeiras conversas, ocorridas a partir de 19 de novembro e sempre gravadas, ele disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude, mas reafirmou o conteúdo dos autos e respondeu a perguntas feitas pela reportagem.

No dia 25, ele mudou de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora, o que foi registrado no processo no dia 27. "Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo", disse, em mensagem de texto. Três dias antes, a Folha havia procurado a Yacows para solicitar esclarecimentos.