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Tesla inicia testes de direção autônoma em ruas públicas dos EUA

Felipe Demartini
·3 minuto de leitura

A Tesla iniciou, na última semana, os testes de direção autônoma para seus veículos em ruas públicas dos Estados Unidos. Entretanto, a companhia fez isso de uma forma inusitada, para não dizer perigosa, com uma versão Beta do software que dirige carros sozinho sendo liberada a um seleto grupo de donos de veículos da marca, que servirão como os primeiros a experimentarem a tecnologia como ela funcionará no mundo real.

O problema é que o software ainda não está totalmente pronto e, como a própria Tesla afirma no texto introdutório sobre a atualização, “pode fazer a coisa errada no pior momento”. A utilização da atualização FSD (sigla em inglês para “direção autônoma completa”) exige que os motoristas tenham as mãos ao volante e prestem atenção nas vias, obstáculos e outros veículos durante todo o tempo, já que podem ser obrigados a assumirem o controle caso detectem problemas ou um acidente iminente.

É o tipo de exigência que existe, também, em testes controlados de carros autônomos, mas estes, porém, acontecem com motoristas treinados para reagirem em caso de problemas. Não é a situação dos motoristas selecionados pela Tesla, pessoas comuns que receberam a atualização e, nos primeiros vídeos sobre ela que começam a surgir na internet, demonstram uma mistura de entusiasmo com o funcionamento efetivo da inovação no mundo real junto com alguns sustos e quase colisões com obstáculos, carros parados ou em movimento.

O sistema é conectado à internet e também exibe auxílios visuais sobre o que está sendo feito no momento e também algumas ações futuras, como a aproximação de um bloqueio policial, acidentes ou demais ocorrências que levarão a uma parada na via. Ao contrário dos experimentos anteriores, a nova tecnologia da Tesla é capaz de trafegar até mesmo em regiões residenciais onde não existem faixas pintadas claramente no chão, como em uma autopista, por exemplo, e mostra um alto nível de detecção para reconhecer carros parados, transeuntes e obstáculos, assim como placas de sinalização e semáforos.

O que não impediu alguns sustos, como nos testes exibidos por um usuário do YouTube chamado Brandom M. Em dezenas de minutos de vídeos publicados em seu canal pessoal, ele mostra o funcionamento até natural e com excesso de zelo do FSD, mas também exibe os momentos em que o software não detecta um veículo em alta velocidade vindo em um cruzamento ou uma curva à esquerda na qual a atualização não reconheceu outro carro parado na esquina e quase atingiu a traseira dele.

Na documentação da atualização, a Tesla pede atenção direta dos motoristas e afirma que o FSD deve ser encarado como um sistema de auxílio à direção, da mesma forma que outras tecnologias presentes nos veículos da marca, e não como um substituto. A fabricante vai usar a telemetria e o feedback dos usuários que receberam a atualização para melhorar a plataforma, que ainda não tem data (nem previsão de regulamentação) para um lançamento final e generalizado.

A ideia original era liberar o sistema ainda em 2020, algo que o posicionamento ainda em estágio Beta demonstra ser um bocado difícil. Isso, porém, não impediu a fabricante de divulgar a solução e iniciar as pré-vendas da tecnologia, que vai custar US$ 8 mil e não deve ser um item de série nos veículos da Tesla. Os interessados, porém, já podem reservar o pacote para serem os primeiros a recebe-lo quando a tecnologia estiver pronta para lançamento final.

Fonte: Canaltech

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