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Tesla envolvido em acidente levanta dúvidas sobre sistemas autônomos de frenagem

Felipe Ribeiro

Se há uma indústria no mundo que caminha a passos largos rumo ao que podemos chamar de "futuro" é a automotiva. Os carros estão cada vez mais equipados e tecnológicos, com sistemas de entretenimento, segurança e de desempenho que evoluem ano após ano, sempre com mais eficiência e investimento. Um dos recursos que mais chama a atenção, mesmo daqueles que não são entusiastas, são os tão sonhados sistemas autônomos, muito comuns em veículos de alto padrão e que foram "popularizados" por marcas como a Tesla.

Há alguns dias, porém, um episódio chamou a atenção da mídia e do mercado automotivo. Um Model 3, carro elétrico de entrada da Tesla, colidiu com um caminhão tombado em uma via expressa em Taiwan. O automóvel é equipado com sistemas avançados de piloto automático e de frenagem autônoma, que são controlados por câmeras, radares e programas internos.

Segundo o motorista do Model 3, que não se feriu, ele estava com todos os sistemas ligados, mas, distraído, não pode evitar o acidente. E isso, claro, faz com que pensemos se os controles de segurança e frenagem do carro funcionam, de fato, em sua plenitude, não importando a situação ou o obstáculo.

Antes de chegarmos ao ponto de quem ou o que falhou, precisamos explicar como o sistema do Tesla Model 3 funciona.

O piloto automático é um mecanismo de assistência ao motorista que exige atenção total dele, mesmo que, de fato, ele seja eficiente. O condutor deve mexer no volante de tempos em tempos para provar que está mantendo as mãos nele, mas seu olhar não é rastreado como em alguns carros. As imagens são captadas por meio de câmeras frontais e pelos sensores do carro, que detectam o nível de proximidade em qualquer velocidade.

Suspeitas

De acordo com matéria da Forbes, a suspeita, além da falta de atenção do motorista, que parece óbvia, é que o sistema do Model 3 não conseguiu detectar o caminhão porque ele estava tombado, o que pode ter atrapalhado o mecanismo de frenagem, que é treinado para identificar formas específicas, como a traseira, a lateral e a frente de outros veículos. No vídeo do acidente, também é possível ver que um pedestre escapa de ser atropelado e, muito embora o recurso do Tesla fosse capaz de detectá-lo, a frenagem, nesse caso, não é possível.

Diante de tudo isso, ficou a dúvida sobre se, de fato, o piloto automático estava ligado no momento do acidente. Pelo que se pode observar, o Model 3 estava em linha reta e em uma velocidade constante, o que indica que o sistema estava ligado. Além disso, o freio de emergência nunca é desativado, em nenhum modo de condução, a não ser que o próprio condutor o faça.

Outro ponto são os sensores e o radar do veículo. A estrada era retilínea e o caminhão estava tomando mais de uma faixa, o que certamente já seria suficiente para confundir os sistemas do Tesla, que não efetua a frenagem nesse caso. Por isso, por mais que o carro seja equipado com tudo o que há de melhor em segurança, nada substitui a atenção do motorista.

O que poderia ter ajudado a evitar o acidente?

Com a conclusão mais do que óbvia que o acidente poderia ter sido evitado se o motorista estivesse com total atenção na estrada, alguns recursos que não estão presentes nos Tesla passaram a ser abordados como possíveis atenuantes.

Um deles é o Maps, que sempre emite alertas sobre acidentes nas vias. Para o caso da conexão com os sistemas do Model 3, é possível que o motorista poderia ser avisado desse problema e reprogramado seu piloto automático para atuar depois que fosse para outra faixa ou, até mesmo, depois que passasse pelo caminhão.

Outro poderia ser adotar um mecanismo parecido com o LIDAR, principal concorrente da Tesla quando o assunto são radares de detecção de movimentos. Esse recurso adota lasers pulsantes que são capazes de detectar quaisquer objetos.

O Canaltech já testou sistemas de frenagem e condução semiautônomas, como o Toyota Corolla Hybrid, Ford Ranger e Hyundai HB20, cada um com sua característica e limitação. Seja qual for o sistema de segurança, ativo ou automático, o motorista sempre é quem deve ter as rédeas da situação. Mas, quando falamos de um mercado que caminha para ter carros 100% autônomos, fica a dúvida sobre se esses recursos serão mesmo totalmente seguros.

Fonte: Canaltech