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Terremotos no Haiti: o que as organizações de apoio podem fazer melhor?

·6 minuto de leitura

Numa viagem ao Haiti em 2013, três anos depois de um enorme terremoto que matou cerca de 300 mil pessoas e devastou cerca de 100 mil prédios, Jake Johnston, um pesquisador do Centro para Pesquisa Econômica e Política, visitou um bairro de casas que tinham sido construídas após a destruição. Arquitetos internacionais submeteram projetos em um concurso, e dezenas de modelos de casas foram construídos com o intuito de replicar a ideia em outros bairros. No entanto elas permaneceram intocadas e jamais foram replicadas.

“Do outro lado da rua de todas aquelas ‘casas modelo’ abandonadas, acumulando poeira e lixo, havia um prédio habitacional de vários andares construído pelo governo em 2004 ou 2003, cheio de residentes,” conta Johnston. O complexo de apartamentos sobreviveu ao terremoto, e poderia, ele mesmo, servir de modelo para reconstrução. Mas os doadores preferiram pagar por novos desenhos, que não foram adiante.

Esse é um pequeno exemplo de como o financiamento que chegou no país depois do terremoto – um total de US $13,5 bilhões – foi gasto, em habitação, de maneiras questionáveis. Em um projeto da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), impulsionado por Bill Clinton como parte da campanha “Reconstrua Melhor” (“Build Back Better”), 15 mil novas casas foram planejadas perto do novo parque industrial. Os custos de construção aumentaram para mais que o triplo da estimativa inicial, e menos de mil casas foram de fato construídas. “E foram construídas usando concreto inadequado, portanto eles sequer ergueram casas resistentes a terremotos”, afirma Johnston. (A USAID acabou encerrando relações com os empreiteiros devido às falhas na construção).

A Cruz Vermelha, que levantou quase meio bilhão de dólares para o trabalho humanitário no Haiti, planejou construir centenas de novas casas em um bairro, mas teve que abandonar o projeto depois de enfrentar inúmeros desafios para proteger as terras. Mais de um ano depois do terremoto, centenas de milhares de pessoas ainda viviam em barracas, e quando eventualmente foram forçadas a se mudar, muitas acabaram retornando para suas antigas casas, que ainda não foram adequadamente reformadas.

O último terremoto do Haiti, que atingiu uma parte diferente do país, pode ter danificado ou destruído outros 100 mil prédios. A nova onda de reconstruções pode aprender com o que aconteceu 10 anos atrás, dizem especialistas. O Haiti também precisa descobrir como dar o próximo passo, que é tornar cada prédio no país mais resistente, para que menos vidas e lares sejam perdidos quando o próximo terremoto ou furacão acontecer.

“É completamente possível construir e fortalecer casas para aguentar terremotos, furacões e outros eventos climáticos, e prevenir desastres,” diz Elizabeth Hausler, fundadora e CEO da organização sem fins lucrativos Build Change. “Não é o terremoto que mata pessoas, é o colapso de uma estrutura malfeita – um problema criado pelo homem. Para resolver é necessária a combinação certa de pessoas, vontade política, financiamento, e tecnologia.”

No Haiti, um dos países mais pobres do mundo, muitas pessoas constroem suas próprias casas com materiais baratos. Construtores também podem cortar arestas para economizar dinheiro – colocando mais água no concreto, por exemplo, o que o enfraquece, ou deixando de usar a estrutura de metal que pode ajudar a manter a construção em pé durante um terremoto.

Mas mesmo casas mal construídas às vezes podem ser reformadas ou adaptadas para se tornarem resistentes. Após o terremoto de 2010, a Build Change lançou um programa para milhares de famílias, que ajuda a adaptar casas. “Antes do terremoto de 2010, acredito que a comunidade de apoio pensava que era impossível”, diz Hausler. “E depois de 2010, nós e nossos parceiros basicamente mostramos ao mundo que é possível fortalecer essas construções enfraquecidas para aguentar a próxima catástrofe.” (É importante apontar que o último terremoto aconteceu em outra área e que as casas que passaram por reparos muito provavelmente não foram afetadas.)

A Miyamoto Internacional, uma empresa de engenharia que treinou milhares de construtores haitianos em construção segura e reparos, diz que, em muitos casos, as casas podem ser consertadas – o que sai muito mais barato do que demolição e reconstrução.

Os doadores nem sempre querem pagar por reparos. “Reparar as coisas não é sexy,” diz Johnston. “O que as pessoas querem é construir casas novas.” Depois do terremoto de 2010, uma quantia enorme de dinheiro (US $500 milhões) também foi para abrigos temporários. Parte significativa desse dinheiro poderia ter sido melhor investido em reparos, para que as pessoas pudessem voltar com segurança para suas casas já existentes. Hausler espera mais apoio desta vez, com a prova (do último terremoto) de que adaptações funcionam.

Quando as novas casas são construídas, é crítico o trabalho dos parceiros locais, conta Alexandria Lafci, co-fundadora da New Story, empresa sem fins lucrativos criada em 2015 depois de testemunhar o lento ritmo da reconstrução. “Sempre há talento e lideranças locais, e se você dedicar tempo para investir e trabalhar com eles, vai mais longe, mais rápido”, afirma.

A empresa trabalhou com um parceiro local que contrata construtores locais e que consegue construir uma casa nova por US $6mil ou US $7 mil, um enorme contraste se comparado com os US $33 mil por casa que o USAID gasta trabalhando com parceiros internacionais. (Em um modelo operacional pouco usual, 100% das doações individuais para o New Story vão diretamente para construção de casas; os doadores maiores bancam os custos administrativos separadamente.) Até agora, a New Story bancou a construção de 1050 casas resistentes a desastres no Haiti. A maioria está próxima a Porto Príncipe, onde o terremoto de 2010 causou a maior devastação, mas cerca de 200 estão na parte sul do país, mais perto do recente epicentro. Por conta do atual caos no país, a organização ainda não confirmou se houve algum dano a estas construções.

Um desafio ainda maior será buscar recursos para atender outras áreas, para além das imediatamente afetadas pelo terremoto mais recente. Depois do tremor de 2010, “nós não vimos recursos se estendendo a outras partes do país para as pessoas fortalecerem suas casas,” afirma Hausler. Mais donos de casas querem fazer mudanças agora, ela conta; antes de 2010, havia menos consciência de que terremotos eram a maior ameaça. (Muitas casas eram construídas com telhados pesados, o que as torna resistentes para furacões, mas mais vulneráveis em terremotos.) Mas mesmo com a atualização do código de construção do país, ele ainda não foi aplicado. O governo, vacilando após o assassinato do presidente em julho, não está em uma posição forte para lidar com o problema.

“Há um grande problema de longo prazo aqui, que demanda um governo forte, capaz e legítimo o suficiente para realmente fazer cumprir os padrões,” diz Johnston. “No fim, se não há uma autoridade com essa habilidade, como aplicar esses códigos?”

O post Terremotos no Haiti: o que as organizações de apoio podem fazer melhor? apareceu primeiro em Fast Company Brasil | O Futuro dos Negócios.

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