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Equipes de resgate ainda buscam sobreviventes de terremoto que deixou 25 mortos e mais de 800 feridos na Turquia

·3 minuto de leitura
Foto: IHA via AP
Foto: IHA via AP

Equipes de resgate lutavam neste sábado para encontrar sobreviventes entre os escombros dos edifícios que desabaram no oeste da Turquia após o forte terremoto da véspera, que provocou ao menos 27 mortes neste país e na Grécia.

Em Bayrakli, na província turca de Izmir, socorristas tentaram durante toda a noite abrir passagem em uma pilha gigantesca de concreto e aço, os escombros de um edifício residencial de sete andares.

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A alguns metros, os socorristas retiraram um corpo sem vida dos escombros, o que provocou os gritos da multidão.

"Deixem eu ver quem é", suplicava um homem, sem notícia de vários parentes.

O terremoto, com intensidade de 7 graus de acordo com o Centro Geofísico dos Estados Unidos (USGS) e de 6,6 segundo as autoridades turcas, aconteceu na sexta-feira à tarde no Mar Egeu, ao sudoeste de Izmir, a terceira maior cidade da Turquia, e perto da ilha grega de Samos.

O abalo foi tão forte que também foi sentido em Istambul e Atenas. Além disso, provocou um mini-tsunami que inundou as ruas de Seferihisar, cidade turca próxima do epicentro, e afetou as costas de Samos.

Diante da catástrofe, Turquia e Grécia deixaram as disputas diplomáticas de lado e anunciaram a intenção de uma ajuda mútua.

Na Grécia, dois jovens morreram e nove pessoas ficaram feridas. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis viajará neste sábado a Samos, onde a situação é "extremamente difícil", de acordo com a Proteção Civil.

A costa turca do Egeu, densamente povoada, foi a mais afetada. De acordo com o balanço da Gestão de Emergências e Desastres (AFAD), 25 pessoas morreram e 804 ficaram feridas na Turquia.

Quase 500 tremores

Mais de 100 pessoas foram resgatadas vivas do escombros, informou neste sábado o ministro turco do Meio Ambiente, Murat Kurum. Duas mulheres foram salvas 17 horas depois do tremor, segundo o governo.

Em Bayrakli, distrito que tem quase 300.000 habitantes, as autoridades instalaram barracas para que as famílias conseguissem passar a noite no local.

Nermin Yeni, 56 anos, estava em casa cozinhando quando a terra tremeu. "Corri para a rua e caí", recorda, diante da barraca em que passou a noite.

Outros, com menos sorte, passaram a madrugada em sacos de dormir sobre a grama e alguns em seus carros.

No bairro, as equipes de resgate pediam silêncio em alguns momentos, com a esperança de ouvir possíveis sobreviventes.

Muitos moradores decidiram passar a noite a céu aberto, apesar de suas residências terem resistido ao terremoto. O medo dos tremores secundários é grande: desde o sismo principal na sexta-feira, a terra tremeu quase 500 vezes, segundo as autoridades.

Mais de 6.000 agentes de emergência foram mobilizados na região, informou a presidência turca.

Mini-tsunami

Na ilha grega de Samos, a zona mais afetada na Grécia, o terremoto provocou um mini-tsunami. O nível do mar se elevou a 40 cm sobre as estradas do porto de Vathy, o que provocou danos em vários estabelecimentos comerciais.

O secretário de Estado para a Proteção Civil, Nikos Hardalis, qualificou a situação da ilha como "extremamente difícil" e pediu aos habitantes que permaneçam atentos ao risco de tremores secundários.

O Observatório Geodinâmico de Atenas registrou vários tremores desde o terremoto de sexta-feira, o mais forte deles de 4,7 graus durante a madrugada de sábado.

As autoridades iniciaram a avaliação dos danos em Vathy e outras localidades da ilha. Também instalaram barracas para quem precisa, afirmou Hardalis.

Turquia e Grécia ficam uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo.

O fenômeno de sexta-feira provocou os temores do "Big One", um grande terremoto que atingiria a capital econômica da Turquia.

Em 1999, um tremor de 7,4 graus de magnitude no noroeste da Turquia deixou mais de 17.000 mortos, mil deles em Istambul.

Na Grécia, o último terremoto letal havia acontecido em julho de 2017 na ilha de Cos, perto de Samos, e deixou dois mortos.

***Por Raziye Akkoc, da AFP