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Terra Santa Agro faz revisão drástica no plantio por clima e espera receita menor

Por Roberto Samora
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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Terra Santa Agro reduziu sua expectativa de plantio de grãos e oleaginosas na safra 2020/21 para 130,2 mil hectares, ante 149,5 mil hectares, devido à demora para regularização das chuvas em Mato Grosso, no que foi considerado o maior remanejamento já realizado pela companhia, disse nesta sexta-feira o presidente-executivo da empresa.

Em teleconferência para comentar os resultados do terceiro trimestre, José Humberto Prata Teodoro Júnior disse que as mudanças foram necessárias para que a companhia não tivesse a janela climática de algodão segunda safra comprometida, após um atraso no plantio de soja devido e chuvas irregulares.

"Não teve um remanejamento tão forte quanto fizemos este ano", afirmou ele, apontando que as previsões meteorológicas sobre a regularização das chuvas erraram e que as precipitações em geral ainda não estão estabelecidas de forma regular.

"Até agora a chuva não se estabeleceu de forma consistente no Estado", afirmou ele sobre o Mato Grosso, onde a empresa tem suas fazendas.

A Terra Santa Agro reduziu a expectativa de plantio de soja na safra 2020/21 de 80,8 mil para 59,1 mil hectares, e agora fará 13,3 mil hectares de algodão primeira safra em parte dessas áreas, contou o CEO.

Além disso, a companhia agora fará feijão primeira safra em 4,1 mil hectares, em áreas que antes deveriam ser destinadas à soja, para poder realizar algodão segunda safra dentro da janela climática ideal, completou o executivo.

O algodão segunda safra terá a área reduzida de 43,3 mil hectares para 24,9 mil hectares.

Já o plantio de milho da companhia terá um leve incremento para 23,5 mil hectares, com um aumento do plantio do cereal na primeira safra, enquanto na segunda a semeadura será de 19,5 mil hectares.

Questionado, Teodoro Júnior afirmou que a Terra Santa Agro espera uma redução na receita na safra 2020/21 com as alterações na intenção de plantio.

"Estamos plantando (cerca de) 20 mil hectares a menos, quando a gente migra área para algodão (primeira safra), isso significa mais receita... Mas tiramos um hectare inteiro de soja, o que aumenta na receita de algodão não compensa o que perde da soja", disse ele.

Da mesma forma, a receita do feijão também é menor que a da soja. "Tem impacto na receita e consequentemente redução no fluxo de caixa esperado", ressaltou.

Com redução da área plantada com soja em 2020/21, a companhia passa a ter já 100% da produção esperada comercializada.

Apesar do revés com o plantio, o executivo disse que a companhia segue em uma trajetória de "desalavancagem clara", mas admitiu que, pelo próprio negócio agrícola, "com volatilidade no caminho".

"O nosso negócio tem essa volatilidade, temos que estar preparados para isso", afirmou ele, lembrando que, apesar de a empresa ter optado por operar apenas no Mato Grosso, onde os riscos climáticos historicamente são menores, isso não significa algo 100% estável.

(Por Roberto Samora)