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A Terra poderá ter anéis de lixo espacial ao seu redor, alerta cientista

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O lixo espacial já é um grande problema. E, cm um número cada vez maior de detroços na órbita da Terra, nosso planeta pode, em um futuro próximo, ganhar seus próprios anéis — como os de Saturno, só que compostos por detritos espaciais. Ao menos é o que alerta o professor Jake Abbott, da Universidade de Utah.

Antes de o primeiro satélite artificial ser lançado a órbita da Terra, em 1957, o espaço próximo ao nosso planeta era um lugar relativamente limpo e despovoado de objetos criados por humanos. No entanto, de lá para cá, este cenário mudou drasticamente, à medida que a humanidade lança mais foguetes e novos equipamentos à órbita, como satélites.

Concepção artística da população de lixo espacial orbitando a Terra (Imagem: Reprodução/ESA)
Concepção artística da população de lixo espacial orbitando a Terra (Imagem: Reprodução/ESA)

Embora parte destes destroços sejam atraídos pela gravidade da Terra e, portando, queimem durante sua reentrada na atmosfera, um bom número deles permanece orbitando o planeta. O professor Abbott afirma que “a Terra está prestes a ter seus próprios anéis”, que serão feitos de lixo.

Segundo estimavas da Agência Espacial Europeia (ESA), que monitora constantemente esta população de destroços, atualmente existem 170 milhões de pedaços de lixo espacial com mais de um milímetro. Desse total, 670.000 são maiores que 1,27 cm. Pode parecer algo pequeno, mas esses fragmentos podem provocar sérios problemas se atingirem satélites em operação, naves, telescópios espaciais ou até mesmo a Estação Espacial Internacional (ISS).

Em março deste ano, por exemplo, satélites Starlink e OneWeb quase colidiram em plena órbita — o que poderia ter gerado ainda mais destroços. Já no dia 15 de novembro, os astronautas da ISS precisaram se abrigar em espaçonaves por conta de uma nuvem de lixo espacial que atravessaria a órbita da unidade orbital e poderia colidir com ela.

Lixo espacial é uma ameaça crescente

O incidente envolvendo a ISS foi provocado por um teste realizado pela Rússia, no qual o satélite aposentado Kosmos 1408, lançado em 1982, foi destruído em órbita. Estima-se que 1.500 pedaços de lixo espacial tenham sido gerados nesta colisão, mas o número de fragmentos menores pode elevar ainda mais este número, à medida que tais detritos vão se chocando uns contra os outros. Cientistas temem a Síndrome de Kessler, um efeito dominó de colisões em plena órbita.

Ilustração da colisão envolvendo os satélites russos que produziu uma nuvem de lixo espacial (Imagem: Reprodução/ESA)
Ilustração da colisão envolvendo os satélites russos que produziu uma nuvem de lixo espacial (Imagem: Reprodução/ESA)

Outros satélites em órbita ainda podem ser vítimas destes destroços pelos próximos dias, meses ou anos. Para o especialista em detritos espaciais da Universidade do Texas, Moriba Jah, infelizmente este último evento não produzirá uma ação de enfrentamento à altura, mas levanta o debate.

Mais do que isso, é necessário cobrar medidas das grandes empresas, que lançam cada vez mais satélite ao espaço (como a SpaceX com a sua Starlink e, em breve, a Amazon). "Se eu fosse um investidor, talvez me sentisse um pouco nervoso sabendo que meu investimento corre o risco de alguém explodir algo, e não há consequências", acrescenta Jah.

Um dos principais especialistas em lixo espacial da CelestTrak, TS Kelso, diz que, assim como em qualquer outra questão ambiental, o lixo espacial exige um trabalho coletivo. "Não devemos ficar paralisados ​​pela indecisão em busca da solução perfeita", acrescenta Kelso.

Limpando o lixo espacial

O lixo espacial é um grande problema, mas, apenas muito recentemente, esta questão começou a ganhar foco para ser resolvido. Cientistas e engenheiros buscam descobrir maneiras eficazes de limpar o espaço próximo à Terra. Abbott aposta em uma ferramente baseada em ímãs para atrair estes destroços.

O sistema de recuperação de lixo espacial da Astroscale, atualmente em fase de testes em órbita (Image: Reprodução/Astroscale)
O sistema de recuperação de lixo espacial da Astroscale, atualmente em fase de testes em órbita (Image: Reprodução/Astroscale)

O professor relata que, ao girar um ímã localizado na extremidade de um braço robótico, uma corrente elétrica poderia gerar uma espécie de redemoinho magnético capaz de controlar e desacelerar estes destroços. “Basicamente, criamos o primeiro raio trator do mundo”, acrescente Abbott.

Muitos projetos já trabalham a todo vapor para alcançar este objetivo, como o satélite ELSA-d, da Astroscale, o qual vem realizando testes em plena órbita com um sistema também magnético para capturar os detritos espaciais. A empresa também almeja desenvolver um mecanismo para recuperar satélites aposentados.

No entanto, enquanto o número de destroços cresce num ritmo bem mais veloz do que as possíveis soluções, este problema será uma constantemente ameaça.

Fonte: Canaltech

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