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Termelétricas a carvão na Ásia ameaçam objetivos climáticos

·2 minuto de leitura
O think-tank Carbon Tracker disse que cinco países asiáticos são responsáveis por 80% das novas usinas de carvão planejadas em todo o mundo

Cinco países asiáticos respondem por 80% das novas usinas termelétricas alimentadas por carvão planejadas no mundo e que ameaçam os objetivos de limitar o aquecimento global, alerta um relatório divulgado nesta quarta-feira (30).

China, Índia, Indonésia, Japão e Vietnã têm um total de mais de 600 projetos de novas usinas termelétricas, de acordo com o think tank Carbon Tracker.

Essas usinas serão capazes de fornecer cerca de 300 gigawatts de energia adicional, equivalente à capacidade de geração de energia do Japão.

Mas esses projetos colocam em risco o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais, observa.

"Esses últimos redutos do carvão estão indo contra a corrente, enquanto a oferta de energias renováveis oferece uma solução mais econômica e apoia as metas climáticas globais", ressalta Catharina Hillenbrand Von Der Neyen, diretora de pesquisa da Carbon Tracker.

"Os investidores não devem se aproximar desses novos projetos de carvão", acrescenta.

Os especialistas consideram o fechamento das usinas movidas a carvão, que produzem gases de efeito estufa como o dióxido de carbono, uma parte importante da batalha climática.

Muitos países da região Ásia-Pacífico, que contam com os combustíveis fósseis para alimentar suas economias em rápido desenvolvimento, relutam em mudar suas fontes de energia, à medida que os Estados Unidos e a Europa aceleram sua transição energética.

A região Ásia-Pacífico foi responsável por três quartos do carvão usado em 2019, de acordo com dados do grupo de energia BP.

A China, principal consumidor de carvão e maior emissor de gases de efeito estufa, é o país com mais novos projetos de usinas a carvão, de acordo com o Carbon Tracker.

Um total de 368 usinas de energia estão em construção com capacidade de 187 gigawatts, de acordo com o think tank, apesar da promessa do presidente Xi Jinping de atingir a neutralidade de carbono até 2060.

A Índia, o segundo maior consumidor de carvão do mundo, planeja 92 usinas de energia, ou cerca de 60 gigawatts.

A Indonésia tem 107 projetos de usinas termelétricas, o Vietnã 41 e o Japão 14, de acordo com o think tank.

Os governos muitas vezes relutam em mudar sua fonte de energia porque se preocupam com sua segurança energética, querem apoiar sua indústria e também por causa do lobby.

No entanto, a construção de novas termelétricas está se tornando menos lucrativa, já que o custo decrescente das energias renováveis, como a solar e a eólica, deve torná-las mais baratas do que o carvão na maior parte do mundo, segundo o relatório.

Os governos deveriam usar a ajuda destinada a transformar suas economias após o coronavírus para "lançar as bases para um sistema de energia sustentável", observa Hillenbrand Von Der Neyen.

"O carvão não faz mais sentido, do ponto de vista econômico ou ambiental", insiste.

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