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Terceira dose contra Covid é recomendada para maiores de 65 anos por conselho dos EUA

·4 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: O atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: O atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O conselho do FDA (órgão que fiscaliza medicamentos nos Estados Unidos) recomendou a aplicação da terceira dose da vacina da Pfizer contra a Covid apenas para maiores de 65 anos e pessoas com riscos graves de complicações pela doença.

A decisão desta sexta-feira (17) vai contra os planos do governo de Joe Biden, que avaliava dar o reforço a toda a população, oito meses após a segunda dose.

O colegiado da agência reguladora dos EUA rejeitou o pedido para aplicar o reforço a todos com mais de 16 anos. A maioria do comitê considerou que os estudos apresentados pela Pfizer sobre a aplicação da terceira dose na população em geral são insuficientes.

Análises para o reforço de vacinas de outros fabricantes, como Moderna e Janssen, estão em etapas anteriores de pesquisa.

O FDA não é obrigado a acatar a decisão do conselho, mas costuma seguir as recomendações desse grupo, que é formado por cientistas, médicos e estatísticos independentes.

Caso a agência aprove o uso, um grupo de especialistas do CDC (Centro de Controle de Doenças) deve se reunir na semana que vem para definir como será feita a aplicação da terceira dose.

Em agosto, a Casa Branca havia anunciado planos de iniciar a aplicação da dose de reforço na semana de 20 de setembro para a população em geral, mas ainda dependia do aval do FDA.

O governo disse à época que o reforço seria dado oito meses após a imunização ter sido completada.

A dose extra é questionada por parte dos cientistas, por ser considerada prematura: eles defendem que mais estudos devem ser feitos antes de fazer a aplicação.

A questão principal é como as vacinas perdem eficácia com o tempo. Alguns estudos apontam que as pessoas imunizadas seguem com alta proteção por meses após a aplicação, o que faz com que, mesmo que peguem a Covid, o risco de complicações e internação seja bem mais baixo.

Porém, há também estudos que indicam que a imunidade decai ao longo dos meses, e que essa perda é mais rápida em idosos e pessoas com doenças que afetam as defesas do corpo.

Em agosto, o governo americano começou a aplicar a terceira dose apenas em pessoas com sistema imunológico comprometido, com autorização do FDA.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) pediu aos governos que adiem a aplicação de doses de reforço ao menos até o fim do ano, para que haja mais vacinas disponíveis aos países pobres, onde a vacinação anda bem mais lenta.

Dois membros do conselho do FDA participaram de um artigo coletivo divulgado pela revista médica The Lancet em que defendem, a partir da análise de vários estudos, que seria melhor para o mundo usar as doses extras para proteger os bilhões de pessoas que ainda não tomaram a vacina, em vez de dar um reforço a quem já tomou.

Os especialistas consideram que aumentar a população imunizada no mundo ajudará a evitar que o coronavírus tenha novas mutações, o que reduziria os riscos para a humanidade como um todo.

Outra questão é que impedir a infecção pelo coronavírus e evitar que haja complicações pela contaminação são coisas diferentes. Para impedir a contaminação, seria preciso aplicar uma quantidade muito maior de reforços.

Isso ocorre porque a quantidade de anticorpos aumenta após a aplicação da vacina, o que deixa o corpo protegido contra a invasão. Com o tempo, a produção das defesas contra a Covid vai diminuindo, mas o sistema imune guarda uma "memória" de como combater o vírus.

Assim, caso a infecção aconteça, o corpo é capaz de retomar a produção de anticorpos necessários e evitar que o vírus se alastre pelo organismo, diminuindo o risco de complicações.

O debate sobre a terceira dose nos Estados Unidos ocorre em meio a uma nova alta de casos de Covid, que surgiu a partir de julho. A média de novos casos diários está em 150 mil, número que não era atingido desde o começo do ano.

No pior momento da pandemia no país, em janeiro, eram mais de 250 mil casos por dia. Já o total de mortes está em patamar mais baixo. A média atual está perto de 2.000 óbitos diários. No auge da crise, atingiu 3.000.

Os dados oficiais apontam que a maior parte das mortes ocorrem entre pessoas que não se vacinaram. No país todo, apesar da ampla oferta de vacinas, 54,9% da população estão plenamente imunizados, e o avanço é lento. No último mês, essa taxa evoluiu apenas 3%.

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