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Terapia hormonal pode reduzir risco de Alzheimer em mulheres, diz estudo

Após o diagnóstico do Alzheimer, faltam tratamentos eficazes para reduzir a velocidade de evolução da doença e, por enquanto, a maioria dos remédios tem apenas licença emergencial de uso. Neste cenário desafiador, cientistas britânicos começam a reunir evidências de que a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) pode reduzir o risco do declínio cognitivo em mulheres com maior tendência ao quadro.

Liderado por cientistas da University of East Anglia (UEA), no Reino Unido, o estudo mediu o impacto do TRH em mulheres com mais de 50 anos e sem diagnóstico prévio de demência. Segundo os autores, a terapia hormonal promoveu a melhora da memória e da cognição, além de manter o volume cerebral das pacientes. Estes benefícios são associados com o risco reduzido para o Alzheimer.

Entenda o que é Terapia de Reposição Hormonal

Vale explicar que, de forma natural, as concentrações de determinados hormônios caem nas mulheres conforme envelhecem e chegam à menopausa, em especial, o estrogênio. A TRH pretende manter estável a taxa do hormônio no organismo feminino, o que pode ser feito através de um chip, géis ou pílulas.

Com a manutenção do estrogênio no corpo, é possível observar alguns benefícios, como prevenção de perda óssea, menor risco de câncer colorretal e ainda melhora na libido. Agora, evidências preliminares também indicam a redução do risco de Alzheimer.

No entanto, existem diferentes tipos de contraindicações, como o aumento de risco de outros tipos de câncer, e efeitos adversos. Por isso, o uso sempre deve ser discutido com um médico.

Como foi feito o estudo que liga a TRH com o menor risco do Alzheimer

Terapia de reposição hormonal pode reduzir o risco de Alzheimer em mulher com predisposição genética (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)
Terapia de reposição hormonal pode reduzir o risco de Alzheimer em mulher com predisposição genética (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)

Publicado na revista científica Alzheimer's Research and Therapy, o estudo britânico recrutou 1,1 mil mulheres com mais de 50 anos, que moram na Europa e que são portadoras do gene APOE4 — este é o principal fator de risco genético associado ao declínio cognitivo.

Após analisar os resultados, os autores afirmam que os benefícios do uso da TRH eram maiores quando a paciente estava no início da menopausa. “As associações foram mais evidentes quando a TRH foi introduzida precocemente — durante a transição para a menopausa, conhecida como perimenopausa", explica a médica e cientista Rasha Saleh, da UEA, em comunicado.

“A descoberta é muito importante, já que as opções de medicamentos para a doença de Alzheimer são muito limitadas há 20 anos e há uma necessidade urgente de novos tratamentos", acrescenta Saleh. No futuro, o uso da terapia hormonal pode se tornar um procolo padrão na prevenção da doença.

Terapia de reposição hormonal protege contra o Alzheimer?

Para responder a esta pergunta, mais estudos ainda são necessários e o tempo de acompanhamento das pacientes deve ser maior. “É muito cedo para dizer com certeza que a TRH reduz o risco de demência em mulheres, mas nossos resultados destacam a importância potencial da terapia e da medicina personalizada na redução do risco da doença", pontua Michael Hornberger, da UEA.

Por outro lado, os pesquisadores já descobriram que este tipo de terapia hormonal tem efeitos positivos na cognição de mulheres com mais de 50 anos e que alterações benéficas no cérebro, como a manutenção ou melhora do volume cerebral, podem ser identificadas através de uma ressonância magnética.

Fonte: Canaltech

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