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Terapia CAR-T contra câncer, que custa US$ 500 mil, pode ser ofertada no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá disponibilizar terapia inovadora contra o câncer que custa até US$ 500 mil, a CAR-T. Quem produzirá o tratamento são o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo (USP) e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Segundo Dimas Covas, presidente do Butantan, o novo programa vai tornar o Brasil o maior produtor de terapias avançadas para câncer da América Latina.

Desenvolvida especialmente para tratar cânceres do sangue, a tecnologia CAR-T teve bons resultados e remissão da doença em diversos pacientes (Imagem: Spectral/Envato)
Desenvolvida especialmente para tratar cânceres do sangue, a tecnologia CAR-T teve bons resultados e remissão da doença em diversos pacientes (Imagem: Spectral/Envato)

A tecnologia CAR-T e os testes

A tecnologia CAR-T tem como alvo as neoplasias hematológicas (ou seja, os cânceres do sangue), e funciona reprogramando as células de defesa do paciente para identificarem e eliminarem a doença. Desenvolvida no Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto, a terapia já foi testada em pacientes que esgotaram as opções de tratamento, e segue para a 1.ª fase de estudo clínico.

Sendo submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o estudo tem início programado para outubro, com 30 pacientes com linfoma não-Hodgkin de células B. Mediante sucesso, as fases 2 e 3 deverão seguir, com mais voluntários participando.

A vantagem da parceria entre as instituições não lucrativas é a redução dos custos e facilitação da inclusão do tratamento no SUS, o que também é beneficiado pelo fato da produção ser 100% nacional. Os responsáveis pela pesquisa ainda elogiam o Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto, que tem mais de 20 anos de experiência na área e dispensa licenciamentos e transferência de tecnologia de fora.

A parceria de diversas instituições brasileiras traz vantagens no barateamento da pesquisa e desenvolvimento e viabiliza disponibilização do tratamento no SUS (Imagem: arianepergon/Pixabay)
A parceria de diversas instituições brasileiras traz vantagens no barateamento da pesquisa e desenvolvimento e viabiliza disponibilização do tratamento no SUS (Imagem: arianepergon/Pixabay)

Outras terapias celulares

O registro da primeira terapia celular contra câncer no Brasil foi aprovado pela Anvisa em março, e também é voltada para as neoplasias hematológicas: é a Kymriah, desenvolvida pela Novartis, indicada para pacientes pediátricos e adultos de até 25 anos com leucemia linfoblástica aguda de células B, além de pacientes adultos com linfoma difuso de grandes células B cujos tratamentos anteriores não tiveram sucesso.

Poucos pacientes conseguem acesso ao tratamento, no entanto, dado que seu custo é de US$ 500 mil, equivalente a R$ 2,5 milhões. O que eleva o custo é a necessidade de transportas as células T do paciente até os Estados Unidos, para serem trabalhadas em laboratório e depois devolvidos ao doador.

A CAR-T também surgiu nos EUA, onde tem sido aplicada de forma experimental em pacientes desde 2010. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora estadunidense, aprovou o uso da terapia com unanimidade em 2017 mediante resultados positivos. Outras seis tecnologias CAR-T foram aprovadas desde então, todas focando em cânceres no sangue, como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, também custando até US$ 500 mil por paciente.

Fonte: Canaltech

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