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'Tentei pegar carne para alimentar a família', diz homem torturado em supermercado

Homem foi obrigado a falar "galera, não rouba mais no Extra Morumbi." (Foto: Reprodução)

O homem torturado por seguranças de um supermercado na Zona Sul de São Paulo disse que furtou um quilo de carne para alimentar a família. Pai de quatro filhos, ele contou ao G1 que pensou em se matar ao ver as imagens da tortura na televisão.

O caso aconteceu em março de 2018, mas só veio à tona em setembro deste ano, depois que os vídeos foram divulgados pelos próprios agressores. Nas imagens, o homem de 38 anos aparece amarrado e amordaçado, enquanto levava choques e vassouradas.

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— Aquele dia eu saí de casa desesperado. Aí, fui tentar pegar uma carne, alimentar minha família. Aí foi que aconteceu lá dentro daquele hipermercado — lembra ele, ao comentar pela primeira vez sobre o ocorrido. — Estava desempregado, estava passando muita dificuldade. Fui despejado da casa onde eu morava de aluguel.

Segundo ele, a tortura durou cerca de seis horas. Os agressores deram choques elétricos com um taser e golpes com um cabo de vassoura.

— Aquilo lá que eles têm na gravação deles é pouco. Ninguém sabe o que passei lá. Falaram que iriam me matar — conta. — Entrei lá era meio dia e meia, saí de lá já estava escuro. Saí desnorteado.

Segundo ele, a tortura deixou sequelas físicas e psicológicas. Ele diz que passou a mancar e ficou com cicatrizes e pesadelos frequentes:

— Não estou conseguindo dormir.

O homem disse reconhecer que cometeu um erro, mas acha que a tortura foi mais grave que sua tentativa de furto. Ele pede punição aos cinco empregados identificados pela tortura.

— Queria me matar (ao ver o vídeo). O deboche. Aí todo mundo me viu. Não consegui arrumar emprego, não consigo nada — afirma o homem torturado pelos funcionários.

Dois agressores estão presos preventivamente e outros três respondem em liberdade. Todos serão julgados por tortura. A vítima não responderá por furto.

— Quero retomar minha vida de novo, ter uma oportunidade, esquecer o que passou. Todo mundo erra. Só quero arrumar um emprego e batalhar do lado dos meus filhos e da minha esposa afirma.

Caso na Justiça

Na entrevista, o homem de 38 anos conta que foi abordado por funcionários e seguranças do supermercado Extra logo depois de furtar o quilo de carne.

— Aí foi quando os seguranças me pegaram. Me levaram para uma sala, e foi na hora que eles começaram a me torturar — lembra.

Segundo o G1, o advogado da vítima deve entrar com uma ação judicial na esfera cível pedindo indenização por danos morais e materiais contra o supermercado e a G8, empresa para a qual os seguranças enviados ao Extra prestavam serviço.

O Extra informou, por sua assessoria de imprensa, que está à disposição para conversar com o advogado da vítima. Já a empresa que contratou os seguranças disse que "os fatos estão sendo apurados" e que uma "eventual discussão quanto à indenização ficará à cargo da Justiça".

Segundo o G1, o homem já tinha sido pego por empregados porque estava furtando em ocasiões anteriores, entre 2009 e 2015, no próprio Extra, e também no supermercado Carrefour.

da Agência O Globo