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Tensão EUA-China pode voltar com eleições e afetar emergentes

Sydney Maki

(Bloomberg) -- As eleições presidenciais dos Estados Unidos podem trazer as relações do país com a China de volta à linha de frente para investidores nos países em desenvolvimento.

Embora a pandemia tenha substituído as tensões EUA-China como fator-chave para ativos de mercados emergentes neste ano, cresce a preocupação de que as eleições retomem a guerra comercial e reduzam ainda mais o apetite já instável por ativos de risco.

“É muito, muito difícil ser defensivo nessa frente”, disse Sacha Tihanyi, vice-chefe de estratégia de mercados emergentes da TD Securities, em Toronto. “O valor relativo em mercados emergentes é melhor do que posições definitivas em relação ao dólar.”

O potencial para novas tensões é alto se uma recuperação global em forma de V não se concretizar, disse Larry Brainard, economista-chefe de mercados emergentes da TS Lombard, em Londres.

O presidente dos EUA, Donald Trump, “parece cada vez mais desesperado para encontrar uma narrativa de campanha convincente”, de acordo com Brainard. “Acreditamos que uma nova escalada da tensão EUA-China é altamente provável antes das eleições de novembro.”

Embora o acordo de primeira fase fechado em janeiro ainda esteja valendo, outros riscos se acumulam. A China espera para ver se o governo de Washington vai impor sanções por seu controle sobre Hong Kong, e, no início do ano, Trump acusou a segunda maior economia do mundo de responder lentamente ao vírus como manobra para prejudicar suas chances de reeleição.

Os índices de ações e moedas MSCI foram atingidos ao longo de 2019 por notícias sobre tensões comerciais. A questão é se o otimismo recente em relação à reabertura das economias e à recuperação do crescimento global pode superar a retomada dos confrontos EUA-China.

Essa perspectiva poderia começar a impactar mercados de crédito emergentes já em julho ou agosto, principalmente porque a recessão causada por pandemia e agitação social provocam incertezas, segundo estrategistas do Citigroup Global Markets, como Eric Ollom, Donato Guarino e Ayoti Mittra.

No mercado acionário, uma “guerra tecnológica” também pode vir à tona, disse John Malloy, corresponsável de mercados emergentes e de fronteira da RWC Partners, que administra US$ 7 bilhões em ativos emergentes e de fronteira. Ele tem evitado empresas estatais chinesas e outras ações, especialmente do setor de tecnologia, que podem ser alvo de sanções, disse.

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