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Tempo para recuperação do real é dúvida entre analistas

Aline Oyamada
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Tempo para recuperação do real é dúvida entre analistas

(Bloomberg) -- Os três principais analistas do real - a moeda com o pior desempenho entre as maiores do mundo neste ano - concordam que a divisa brasileira se fortalecerá em 2020, à medida que a preocupação dos mercados com o coronavírus diminuir e as taxas de juros ficarem estáveis. A grande pergunta é quando isso vai acontecer.

Os bancos Julius Baer e Wells Fargo Securities esperam que o real se fortaleça cerca de 7% nos próximos meses, voltando ao ponto em que começou o ano, em R$ 4 por dólar. Já a TD Securities é menos otimista, afirmando que dólar subirá para além de R$ 4,35 antes de ceder para R$ 4,25 no final do ano.

“Esperamos que o real supere as moedas dos mercados emergentes em 2020 após um início ruim”, disse David Kohl, chefe de pesquisa de moedas da Julius Baer, ​​em Zurique. Ele prevê que o dólar caia para R$ 4,05 em três meses e para R$ 4,0 em 12 meses. “Esperamos que esses ventos contrários sejam transitórios.”

O real se desvalorizou 6,6% este ano e é a pior entre as 31 principais moedas monitoradas pela Bloomberg. Embora o principal motivo para a queda seja a aversão ao risco global, desencadeada pelo surto do coronavírus, o carry trade deprimido da moeda brasileira e a recuperação econômica ainda frágil do país também pesam. O dólar segue renovando recordes históricos.

Kohl espera que o PIB brasileiro cresça 2% este ano, depois de crescer cerca da metade disso em 2019, devido ao ressurgimento da demanda e produção reprimidas, e também por conta de uma reação do governo da China ao vírus. Essas forças inflacionárias provavelmente apoiarão o real, que é mais sensível do que muitos pares aos desdobramentos externos.

Brendan McKenna, estrategista de câmbio da Wells Fargo em Nova York, também é otimista em relação ao real, citando não apenas a economia, mas também o compromisso do governo com uma agenda de reformas favorável ao mercado e as expectativas de que continuará a vender ativos e reformar o sistema tributário.

“Os cortes agressivos nos juros feitos pelo BC começarão a ter efeito na economia real em algum momento deste ano e impulsionarão a recuperação”, disse ele. McKenna prevê que o dólar ceda para cerca de R$ 4,00 até o final de março.

Na TD Securities, Sacha Tihany, vice-chefe de estratégia de mercados emergentes, diz que o real não se recuperará até o final do ano e que, mesmo assim, será necessário um dólar fraco para ajudar a sustentá-lo, porque um aumento no crescimento provavelmente não entusiasmará os investidores.

Outro motivo para ser pessimista, segundo Tihany, é a deterioração das contas externas do Brasil. O saldo da conta corrente em 12 meses do país, como porcentagem do PIB, aumentou para 2,76% em dezembro, ante 1,17% no final de 2018. O acordo comercial EUA-China que ajudou a impulsionar os mercados emergentes no início deste ano, entretanto, pode ser problemático para o Brasil, disse.

“O déficit em conta corrente externa é uma questão substancial”, disse Tihany. “E acredito que continue assim, dado o potencial do acordo comercial EUA-China para prejudicar as exportações de bens do Brasil.”

Repórter da matéria original: Aline Oyamada em São Paulo, aoyamada3@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Carolina Wilson, cwilson166@bloomberg.net, ;Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net, Alec McCabe

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