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Tempestades solares perigosas atingem a Terra a cada 25 anos

Daniele Cavalcante

Graças às suas capacidades de atrapalhar equipamentos de comunicação na Terra e satélites em órbita, as tempestades solares têm sido cada vez mais alvo de investigação. Além de compreender melhor as origens desse fenômeno, os cientistas buscam prever as mais intensas e perigosas para evitar danos que poderiam ser catastróficos. Para isso, uma equipe de pesquisadores classificou tempestades que aconteceram ao longo de 150 anos e mediu com que frequência elas ocorrem.

À medida que nosso mundo se torna mais conectado através da tecnologia, as tempestades solares representam um risco cada vez maior. Para comparação, a tempestade mais famosa é o Evento Carrington de 1859, a mais poderosa já registrada. Ela derrubou alguns sistemas de telégrafo em diferentes partes do mundo, provocou alguns incêndios e até causou choque em alguns operadores de telégrafo. Uma tempestade como essa nos dias de hoje, em um mundo dependente de satélites, causaria bilhões, possivelmente até trilhões de dólares, em danos — além da interrupção de serviços essenciais para a sociedade.

De acordo com o novo estudo, há dois tipos de tempestades solares poderosas: as “supertempestades grandes” e as “supertempestades severas”, que são mais fracas. As primeiras são fortes o suficiente para causar estragos em equipamentos eletrônicos e atingem a Terra a cada 25 anos. As menos poderosas, mas ainda perigosas, acontecem a cada três anos ou mais.

O novo artigo, publicado por uma equipe da Universidade de Warwick e da British Antarctic Survey, é baseado em dados de campos magnéticos que remontam a 150 anos. Os autores dizem que podem detectar quantas tempestades poderosas ocorreram naquele período e com que frequência elas aconteceram. De acordo com principal autora, Sandra Chapman, “essas supertempestades são eventos raros, mas estimar sua chance de ocorrência é uma parte importante do planejamento do nível de mitigação necessário para proteger a infraestrutura nacional crítica”.

Dentro desse período de 150 anos, “tempestades severas” ocorreram a cada três anos. Já as “supertempestades grandes” ocorreram a cada 25 anos. Estas últimas podem causar blecautes, danificar satélites, interromper a aviação e causar perda temporária de sinais de GPS ou comunicações de rádio. Esta pesquisa, de acordo com Chapman, “propõe um novo método de abordar dados históricos para fornecer uma imagem melhor da chance de ocorrência de super tempestades”.

A análise mostra que supertempestades tão poderosas quanto o Evento de Carrington podem ser mais comuns do que se pensava, e podem acontecer a qualquer momento, sem aviso prévio. Embora existam dados para monitorar o clima espacial e as mudanças no campo magnético na superfície da Terra, ainda não há dados suficientes para fazer uma previsão mais precisa.

Uma melhor compreensão das tempestades solares poderosas e sua taxa de ocorrência requer um conjunto de dados maior. Por isso, os pesquisadores do novo estudo voltaram mais no tempo e analisaram o índice geomagnético do Reino Unido e Austrália, extremos opostos da Terra. O índice é o registro mais longo e quase contínuo de alterações nos campos magnéticos na superfície da Terra.

Atualmente, existem naves espaciais que estudam o Sol, como o SOHO (Observatório Solar Heliosférico), o SDO (Observatório Solar de Dinâmica) e a Sonda Solar Parker, para melhorar a compreensão da nossa estrela e a capacidade de prever as tempestades.


Fonte: Canaltech

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