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Temos sentido ânimo de investimento voltando, diz presidente do Itaú

Talita Moreira

“Não é um voo de galinha. Tem bases e fundamentos para ser um crescimento mais prolongado”, disse Candido Bracher O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou que nota uma melhora no humor dos investidores com a aprovação da reforma da Previdência, o que já levou a equipe de análise econômica do banco a aumentar as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

“E não é um voo de galinha. Tem bases e fundamentos para ser um crescimento mais prolongado”, afirmou Bracher em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira para comentar o desempenho do terceiro trimestre de 2019, quando o banco teve lucro de R$ 7,2 bilhões.

Isso não quer dizer necessariamente que o crédito a grandes empresas vai crescer de forma significativa, já que elas têm a opção de levantar recursos no mercado de capitais. “É difícil fazer previsão se a demanda de crédito de grandes empresas para bancos continuará a crescer”, disse. “Temos sentido o ânimo de investimento voltando, mas são projetos que podem ser supridos pelos bancos ou pelo mercado de capitais conforme o preço do momento.”

Bracher: “Temos sentido o ânimo de investimento voltando"

Claudio Belli/Valor

Bracher disse que, no próximo ano, o banco deve continuar crescendo nas linhas de crédito para pessoa física com maior risco. No entanto, a expectativa do presidente do Itaú é que haja um crescimento mais equilibrado com linhas mais seguras, como consignado e imobiliário.

“Mas a demanda vem do mercado. Se houver crescimento maior em linhas mais arriscadas, terá impacto em provisões”, disse.

Nesse cenário, acrescentou, o banco vai atuar para que o nível de provisões e de atrasos se mantenha em relação ao total da carteira.

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A perspectiva de economia mais forte deve impulsionar o crédito no próximo ano, mas a competição também será maior, afirmou Bracher. Segundo ele, esse cenário terá pressão sobre spreads e receita de tarifas.

No geral, disse o executivo, as perspectivas são muito positivas, com uma combinação de inflação baixa e taxa de juros em patamar baixo por um período prolongado. “Acho que há possibilidade de crescer a carteira, colocar capital para trabalhar. Vamos trabalhar em diversas linhas de crédito. Tudo isso com mais competição, uma consequência natural. Vejo um cenário positivo para o setor financeiro, especialmente para bancos estabelecidos”, afirmou.

O executivo disse que a margem financeira com o mercado está abaixo da projeção do banco para esse quesito, mas em aceleração. “Se essa aceleração se mantiver, vamos para dentro do 'guidance' e esse é nosso esforço”, afirmou. A faixa indicativa para a margem financeira com o mercado vai de R$ 4,6 bilhões a R$ 5,6 bilhões.

Em teleconferência com analistas, Bracher reiterou que a margem financeira com clientes deverá fechar o ano no piso do guidance, que prevê crescimento de 9% a 12%.

Questionado sobre o impacto que uma elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) terá sobre o balanço do banco, Bracher disse que é cedo para saber.

Carteira de crédito

O presidente do Itaú Unibanco afirmou que a carteira de crédito do banco no Brasil vai fechar o ano próximo ao topo do guidance, que prevê crescimento de 8% a 11%. A carteira total, que inclui as operações em outros países da América Latina, vai crescer por volta de 9,5%, metade do intervalo indicativo.

Isso significa que o banco prevê uma aceleração do crédito no Brasil no último trimestre de 2019.

Bracher afirmou que o banco deve fechar 2019 com o custo do crédito na metade superior do intervalo projetado pela instituição. Isso significa algo entre R$ 16 bilhões e R$ 17,5 bilhões no ano, já que o intervalo de projeções vai de R$ 14,5 bilhões a R$ 17,5 bilhões.

Entre janeiro e setembro, o custo do crédito ficou em R$ 12,343 bilhões. O indicador inclui despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), impairment (baixa contábil) de títulos financeiros, recuperação de crédito e descontos concedidos.

“O custo do crédito vem crescendo na mesma proporção que a carteira. Pode até crescer um pouco acima, e isso faz parte da dinâmica normal das provisões”, afirmou.

De acordo com o executivo, a alta no custo do crédito está relacionada ao crescimento da carteira em linhas de maior risco, como crédito pessoal.

Bracher destacou que, apesar do aumento do custo, a relação de atrasos de 90 dias sobre a carteira se manteve estável, assim como a relação entre despesas de PDD e a carteira.

O vice-presidente executivo de finanças, Milton Maluhy, disse que a alta no custo de crédito já era esperada.

Serviços e seguros

A expectativa do Itaú Unibanco é que a receita de prestação de serviços e seguros fique do meio para baixo do intervalo de crescimento esperado, que vai de 2% a 5%.

Segundo Bracher, boa parte do crescimento da receita de serviços tem vindo das comissões recebidas pelo banco de investimentos, e essa atividade deve se manter intensa daqui para a frente. Outro foco de crescimento são as receitas de administração de fundos, que refletem sobretudo o aumento do volume de ativos sob custódia.

As despesas não decorrentes de juros ficarão, segundo Bracher, no piso do guidance, que prevê alta de 3% a 6% no ano. O executivo afirmou que essas despesas devem continuar crescendo abaixo da inflação no próximo ano. “Temos tido comportamento estável. Não tem por que ser alterado no ano que vem”, disse.