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Temor por epidemia de coronavírus impulsiona alta do dólar

Marcelo Osakabe

Por aqui, o dólar interrompeu uma sequência de dois pregões de queda e fechou hoje em alta de 0,43%, aos R$ 4,1839 Preocupações relacionadas à transmissão do coronavírus, com o registro de novos casos dentro e fora da China, voltaram a pesar sobre o câmbio esta sexta-feira. Por aqui, o dólar interrompeu uma sequência de dois pregões de queda e fechou hoje em alta de 0,43%, aos R$ 4,1839.

O resultado desta sexta-feira impede o dólar de anotar sua primeira queda semanal desde o final de 2019. O ganho acumulado nas últimas cinco sessões ficou em 0,45%.

Hoje, foram notificados mais dois casos na França e um nos Estados Unidos da doença originária da China, onde há 26 mortos e quase 900 casos.. As notícias levaram o índice VIX de volatilidade, conhecido também como termômetro do medo, a caminhar para encerrar o pregão com a maior alta diária desde agosto.

No mercado de moedas, o mesmo sentimento levou o dólar a avançar contra 26 das 33 moedas mais negociadas do mundo. O iene japonês, que serve de proteção e tem bom desempenho durante momentos de tensão mundial, tinha a segunda maior valorização do dia, subindo 0,26% no horário citado. As bolsas de Nova York também passaram a testar novas mínimas com a confirmação da notícia.

Temor com o avanço do coronavírus afeta bolsas globais

“A semana ficou bastante marcada pelo problema do coronavírus. Se olharmos o mercado interno, o dólar continua descolado da bolsa, o que mostra que o investidor local está otimista”, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital.

Analistas do Rabobank compartilham da avaliação. “Os ativos brasileiros encerram a semana relativamente ilesos ao sentimento de risk-off catalisado pelo coronavírus”, diz o banco holandês. “A bolsa brasileira ficou estável, desempenho suficiente para superar a média global, e o spread do CDS de cinco anos abriu apenas três pontos base, menos que o movimento da média dos emergentes.”

Dados da B3, por outro lado, mostram que o investidor estrangeiro voltou a elevar sua posição comprada - que ganha com a valorização do dólar. Após descer abaixo dos US$ 27 bilhões no início de janeiro, essa posição foi lentamente se recompondo e permaneceu, nos últimos pregões, encostado nos US$ 30 bilhões.

Os investidores institucionais locais, por outro lado, mantiveram a posição vendida na moeda estrangeira na casa dos US$ 14 bilhões.

Com a aproximação da reunião de política monetária do Copom, investidores também passaram a acompanhar as declarações de seus integrantes. Se ontem, em entrevista ao Valor, Campos Neto soou mais “dovish” ao sinalizar que o choque de preços da carne parece não ter afetado os núcleos de inflação, hoje parcela do mercado ouviu uma indicação contrária após ele afirmar que uma inflação de 3,5% em 2020 - projetada no mercado de juros - não incomoda, “mas também não quer dizer que não estamos mirando a meta”. Neste nível, a inflação projetada nos juros futuros fica bastante abaixo da meta de Selic para o ano, de 4,0%.

Em evento na XP, Campos também voltou a se mostrar pouco preocupado com o atual patamar do dólar. “O câmbio está mais depreciado, mas olhando média longa não é tão alto”, disse o dirigente.

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg