Mercado fechado
  • BOVESPA

    93.952,40
    -2.629,76 (-2,72%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    36.987,86
    +186,49 (+0,51%)
     
  • PETROLEO CRU

    35,72
    -0,45 (-1,24%)
     
  • OURO

    1.878,80
    +10,80 (+0,58%)
     
  • BTC-USD

    13.561,02
    +262,17 (+1,97%)
     
  • CMC Crypto 200

    264,79
    +1,16 (+0,44%)
     
  • S&P500

    3.269,96
    -40,15 (-1,21%)
     
  • DOW JONES

    26.501,60
    -157,51 (-0,59%)
     
  • FTSE

    5.577,27
    -4,48 (-0,08%)
     
  • HANG SENG

    24.107,42
    -479,18 (-1,95%)
     
  • NIKKEI

    22.977,13
    -354,81 (-1,52%)
     
  • NASDAQ

    11.089,00
    -253,75 (-2,24%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,6872
    -0,0584 (-0,87%)
     

Temor com ESG e espera por BNDES seguram JBS em ano recorde

Tatiana Freitas e Vinícius Andrade
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Para medir a relevância crescente de questões ambientais, sociais e de governança na tomada de decisão dos investidores, o desempenho das ações da maior produtora mundial de carne é um bom exemplo.

A JBS está no auge operacional, tendo superado projeções com resultados recordes e gerado mais caixa entre seus pares depois que as paralisações da pandemia elevaram as margens nos EUA e as exportações para a China dispararam. A ação tem 15 recomendações de compra entre 17 analistas monitorados pela Bloomberg, com retorno potencial de 67% em média. Ainda assim, os papéis acumulam baixa de 20% desde janeiro, rumo à maior queda anual em uma década e com desempenho inferior ao das rivais em carne bovina no Brasil

Um dos motivos para essa desconexão entre fundamentos e desempenho no mercado é a expectativa com a potencial venda da fatia do BNDES na empresa. Mas também se trata de um sentimento negativo em torno dos critérios ESG (siga em inglês para critérios de sustentabilidade, sociais e de governança corporativa).

“Com base em nossas interações com investidores, as preocupações relacionadas ao ESG aumentaram nos últimos meses em nossas discussões sobre a JBS, e atribuímos parte da queda das ações neste ano a essa questão”, disse Ricardo Alves, analista do Morgan Stanley, em relatório na semana passada.

A crescente preocupação global com incêndios na Amazônia e a polêmica abordagem do governo brasileiro para o bioma levaram investidores a acompanharem mais de perto o que empresas brasileiras de carne bovina têm feito para combater o desmatamento.

Esse maior escrutínio não é isolado. Globalmente, cerca de US$ 41,5 bilhões haviam migrado para fundos de índice focados em valor e ESG neste ano até 31 de agosto, ultrapassando o recorde de US$ 30,9 bilhões visto em 2019, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

Nos últimos meses, a JBS foi acusada pelo Greenpeace, Anistia Internacional e The Bureau of Investigative Journalism de comprar gado criado em áreas desmatadas. Gestoras de ativos como o KLP, maior fundo de pensão da Noruega, e a Nordea Asset Management excluíram a JBS do portfólio por critérios ESG.

Na semana passada, a empresa respondeu às preocupações com um plano de cinco anos para rastrear todos os seus fornecedores na Amazônia. A JBS usa tecnologia blockchain para desenvolver uma plataforma para monitorar fornecedores indiretos de gado, o principal obstáculo que empresas de carne bovina enfrentam para combater o desmatamento. O plano, que segue medida semelhante da rival Marfrig, recebeu reações diversas.

“A meta da JBS de rastreio de gado para 2025 está muito longe, precisamos de ação imediata”, disse Jeanett Bergan, diretora de investimentos responsáveis do KLP, por e-mail. “No Brasil, a JBS opera em um cenário de inação do estado e do setor privado sobre o desmatamento, por isso há um grande caminho a ser alcançado para inspirar confiança nos investidores. É muito cedo para dizer se essa nova promessa de corrigir seus problemas nas cadeias de abastecimento é genuína.”

Analistas de ações elogiaram a iniciativa. Alves, do Morgan Stanley, descreveu o plano como “um passo muito importante para abordar questões ESG e potencialmente criar valor para acionistas”. Pedro Leduc, responsável pela área de análise da BLP Asset, disse que a medida mostra que a empresa prioriza a sustentabilidade.

“Quando definem algo como prioridade máxima, eles cumprem”, disse Leduc, acrescentando que a JBS está entre as cinco maiores posições nos fundos da BLP.

“O desempenho das ações é um aplauso da sociedade”, disse o diretor-presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, em entrevista na semana passada. “Mas não somos um fundo de private equity preocupado com o desempenho das ações no curto prazo. Não é algo que me tira o sono, porque estamos fazendo tudo o que é correto para garantir a sustentabilidade da empresa no longo prazo. Olhamos para a ‘big picture’, queremos construir algo verdadeiro.”

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.