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Temor de apagão de vacinas trava planejamento de imunização em SP

·4 minuto de leitura
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 19.04.2021: VACINA-INSUMOS-SP - Dimas Covas (Butantan), doria e Jean Gorinchteyn (Secretaria de Saúde) com novas doses da Coronava. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 19.04.2021: VACINA-INSUMOS-SP - Dimas Covas (Butantan), doria e Jean Gorinchteyn (Secretaria de Saúde) com novas doses da Coronava. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo de São Paulo já trabalha com a hipótese de um apagão no fornecimento de vacinas contra a Covid-19 em junho, o que tem travado o planejamento para as próximas etapas da imunização.

Segundo autoridades de saúde, não é possível estimar quando será possível começar a vacinar os adultos com 59 anos ou menos após o fim da inoculação dos grupos prioritários e com comorbidades.

Concorrem para o cenário sombrio problemas de fornecimento das duas principais vacinas em uso no Brasil, a Coronavac e a de Oxford.

No caso do imunizante chinês que é formulado pelo Instituto Butantan, a questão principal é política. O governo da China está represando a entrega do insumo para a fabricação da vacina há meses, interrompendo a política de adiantar ao máximo a entrega das primeiras 46 milhões de doses do fármaco.

Elas deveriam estar prontas até abril, mas ainda faltam cerca de 3 milhões de doses. Logo na sequência viria a segunda leva, de 54 milhões de doses até setembro.

A Sinovac, fabricante da vacina, informou ao governo paulista que os 6.000 litros do insumo esperados para este mês estão prontos, mas a China já avisou que só permitirá o embarque de um terço dessa quantidade.

As 5 milhões de doses que estão em processamento no Butantan acabam na semana que vem. O embarque da carga reduzida teria sua autorização emitida por Pequim no dia 10, mas já foi informado um novo atraso de três dias.

Um dos nós, além da vontade do regime comunista de aumentar o ritmo interno de vacinação em seu país, se chama Jair Bolsonaro.

O presidente, com grande histórico de atritos com Pequim, voltou à carga na quarta (5) ao sugerir que os chineses criaram o vírus como parte de uma guerra biológica para poder superar o Ocidente economicamente.

A teoria conspiratória caiu mal na diplomacia chinesa, que ainda não se pronunciou -à espera da previsível ação como bombeiro do novo chanceler, Carlos França, que não aderia a esse tipo de discurso como seu antecessor, Ernesto Araújo.

Embora o governo chinês alegue apenas questões aduaneiras, a explicação não é vista como real nem no Itamaraty, nem no governo João Doria (PSDB-SP).

Já no caso do imunizante da AstraZeneca/Universidade de Oxford, a questão é de ritmo. Embora a Fiocruz, que a exemplo do Butantan formula o insumo chinês da vacina no Brasil, tenha estabelecido uma produção mais constante, há problemas.

Segundo pessoas do sistema de saúde paulista, no mês passado faltaram 500 mil doses da vacina. Neste mês, a previsão de 1,5 milhão de entregas também não foi atingida.

Com tudo isso, contas estão sendo feitas e serão discutidas em reunião na noite desta quinta (6). Mas tanto na área técnica quanto no Palácio dos Bandeirantes o clima é de pessimismo, salvo alguma novidade inesperada -alguma chegada inaudita de mais doses de outro imunizante, como o da Pfizer.

A pandemia já matou quase 100 mil paulistas, entre cerca de 3 milhões de infectados desde o começo da crise sanitária, em março de 2020.

Na quarta, o governo paulista estabeleceu a vacinação da faixa de 60 a 62 anos, comorbidades e grupos prioritários. Só a faixa de pessoas com doenças que agravam a condição de quem tem Covid-19 soma 5 milhões de pessoas, e sua imunização começa no dia 12.

Na programação apresentada, os grupos começam a ser atendidos de forma escalonada até 18 de maio. Num mundo ideal, com vacinas sobrando e todos os elegíveis a recebê-las sendo inoculados, seria previsível o início da imunização das pessoas com menos de 59 anos em junho.

Ninguém arrisca dizer isso hoje. Nem tudo é má notícia, contudo. Desde que a vacinação no estado começou, 7,9 milhões dos 8,3 milhões de convocados tomaram a primeira dose, indicando que o protocolo de segurar vacinas para a segunda dose tem sido respeitado.

A imunização, como se sabe, só se dá de forma efetiva após o curso das duas aplicações. Estados como o Rio Grande do Sul tem apresentado um número alto, de cerca de 20%, de vacinação, mas a análise da divisão entre as doses indica que foram distribuídas mais imunizações para a primeira.

No começo da vacinação, em 17 de janeiro, São Paulo especulou fazer o mesmo, já que a primeira dose confere algum grau de proteção e poderia ser aplicada a uma base populacional maior. Mas aquele cenário contava com um fluxo constante de vacinas, o que não se mostrou realista.

O governo paulista ainda aposta fichas na Butanvac, uma nova vacina feita com insumos nacionais no Butantan, mas até agora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não liberou os testes em humanos. Doria, contudo, ordenou o início de sua fabricação.