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Telescópio TESS identifica novo "Júpiter ultraquente" com órbita desalinhada

·2 minuto de leitura

Uma equipe internacional de astrônomos, liderada por Samuel H. C. Cabot, da Yale University, encontrou um exoplaneta do tipo Júpiter ultraquente enquanto observavam a estrela TOI-1518 com o telescópio Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA. Os autores do estudo estimam que este exoplaneta tenha altas temperaturas em sua superfície e que seja quase duas vezes maior que o maior gigante gasoso do Sistema Solar.

A descoberta aconteceu durante as observações da estrela, que mostraram um sinal de trânsito na curva de luz emitida por ela. Grande parte dos exoplanetas são descobertos desta forma: ao passarem na frente de suas estrelas, eles causam uma pequena redução na luz delas, que pode ser observada nas curvas de luz. Assim, no caso da TOI-1518, uma estrela aproximadamente duas vezes maior que o Sol, os pesquisadores realizaram observações com o espectrógrafo do Lowell Discovery Telescope para confirmar que o sinal realmente tinha natureza planetária.

Visualização do trânsito (esquerda) e eclipse secundário (direita) (Imagem: Reprodução/Cabot et al., 2021.)
Visualização do trânsito (esquerda) e eclipse secundário (direita) (Imagem: Reprodução/Cabot et al., 2021.)

O exoplaneta em questão é considerado um “Júpiter ultraquente”, ou seja, tem características parecidas com aquelas do maior planeta do Sistema Solar, porém com temperaturas muito mais elevadas e período orbital abaixo de 10 dias, de modo que orbita a estrela bem de perto e tem alta temperatura de superfície. De acordo com os autores, o TOI-1518b tem raio equivalente a 1.875 vezes o de Júpiter (para comparação, o raio de Júpiter é de aproximadamente 69.911 km), e sua massa pode chegar a 2,3 massas do gigante gasoso — essa estimativa poderá ser aprimorada com monitoramento futuro da velocidade radial do sistema.

Ainda, eles estimam que o planeta orbita a estrela a cada 1,9 dia a 0,04 unidade astronômica (UA) dela. Assim, o planeta tem temperatura de equilíbrio de 2.492 K, e a temperatura no lado diurno medida chegou a 3.237 K, o que sugere a ocorrência de inversão térmica. Contudo, novas observações de espectroscopia também serão necessárias para confirmar isso.

Os dados indicam que o planeta tem órbita desalinhada, algo que os autores explicam que, na maioria das vezes, ocorre com gigantes gasosos próximos de suas estrelas. Por fim, a equipe detectou a presença de ferro na atmosfera do planeta; ao realizar uma análise de correlação cruzada, eles descobriram ferro neutro e ressaltam que, até o momento, houve somente algumas detecções de ferro em Júpiteres ultraquentes.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Canaltech

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