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Telescópio remoto e gratuito é inaugurado no Brasil — e qualquer um pode usar!

·3 minuto de leitura

Astronomia é uma ciência maravilhosa e democrática, porque qualquer um pode aprender muitas coisas observando o céu a olho nu. Mas para enxergar objetos do céu profundo, como nebulosas, aglomerados e galáxias distantes, são necessários instrumentos menos acessíveis — a menos que haja um observatório remoto. Para democratizar ainda mais o conhecimento, uma universidade anunciou hoje (22) a inauguração de um observatório brasileiro remoto, público e gratuito.

O anúncio aconteceu durante a programação do 24º Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), que teve início no dia 19 e segue até 30 de julho. O Gaturamo Observatório Astronômico (GOA) da Ufes realizou o lançamento oficial do Telescópio Remoto do Espírito Santo (TeRES), um projeto de pesquisa e divulgação científica desenvolvido pelo coordenador do GOA, Márcio Malacarne, e pelo estudante do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Fábio Alvarenga.

Qualquer pessoa, grupo escolar ou professor poderá utilizar o telescópio do observatório através de uma interface amigável e em português. Os interessados poderão preencher um requerimento para solicitar um horário de utilização do telescópio (exatamente como os cientistas fazem quando querem usar instrumentos como o Hubble, por exemplo) e enviar para o observatório. Caso a justificativa seja aprovada, o horário será reservado para utilizar o equipamento em tempo real, através da internet.

(Imagem: Reprodução/Telescópio Remoto do Espírito Santo)
(Imagem: Reprodução/Telescópio Remoto do Espírito Santo)

De acordo com Malacarne, a ideia é ampliar a pesquisa e aliar a astronomia com a astrofotografia. Ou seja, se o seu interesse é simplesmente fazer belas imagens de algum dos objetos exuberantes do universo, também poderá fazer isso através do TeRES. Também poderão ser realizados estudos de brilho, cor e tamanho dos astros, uma tarefa fundamental para compreender melhor o universo. O público terá a oportunidade de aprender habilidades e técnicas usadas por astrônomos “profissionais”, tudo sem a necessidade de instalar aplicativos.

Embora o telescópio seja aberto à comunidade em geral, os estudantes serão, de certo modo, “privilegiados”. É que, caso uma turma de alunos tenha interesse em desenvolver projetos em astrofísica ou astrofotografia, eles poderão se juntar aos professores para solicitar visitas virtuais e horários adequados para a astrofotografia, ou mesmo tempo hábil para estudar objetos para pesquisas de iniciação científica.

O coordenador do GOA espera que o telescópio de acesso remoto cumpra um papel de ajudar as pessoas a “dominarem as habilidades e técnicas de ciência prática e inclusão digital, estimulando, assim, o conhecimento científico”. Os interessados devem saber o que pretendem estudar, programar um bom horário no qual o objeto alvo estará visível e preencher um formulário com uma justificativa, ou seja, o motivo pelo qual o observatório deveria reservar um horário para você.

(Imagem: Reprodução/Telescópio Remoto do Espírito Santo)
(Imagem: Reprodução/Telescópio Remoto do Espírito Santo)

Se você estiver na dúvida de qual objeto observar, vale a pena utilizar ferramentas como o Stellarium (também gratuito, disponível para download) para observar como é o céu do Brasil, mais precisamente da região do Espírito Santo, que é onde está o telescópio. É que nem todos os objetos famosos são visíveis no hemisfério Sul, então a dica é analisar quais são os melhores alvos antes de enviar a solicitação. Quanto às coordenadas para encontrar o alvo, o telescópio fará tudo automaticamente, então não será preciso se preocupar com esses detalhes.

Se você desejar apenas olhar para o céu com o telescópio sem compromisso algum, apenas para ver o que encontra de interessante, também haverá essa possibilidade, mas o observatório dará preferência para as propostas científicas ou de astrofotografia. Ah, os usuários terão que lidar o formato de imagem FITS, que são as imagens digitais geradas por instrumentos científicos, nas quais cada pixel traz uma informação. No site oficial do TeRES há um guia com os primeiros passos para se familiarizar com a interface e conhecer melhor o projeto.

Fonte: Canaltech

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