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Telescópio espacial TESS pode já ter achado pistas sobre o tal do Planeta Nove

Patrícia Gnipper

Muitos mistérios ainda rondam o até então hipotético Planeta Nove. Tudo o que se sabe, ao certo, é que na região do cinturão de Kuiper existe algum objeto grande e massivo o suficiente para "bagunçar" a órbita de alguns objetos que ali estão e, por isso, levanta-se a hipótese de existir um planeta ali que, por alguma razão, permanece impossível de ser detectado.

Diversas pesquisas sobre o suposto Planeta 9 seguem em andamento, incluindo suspeitas de que o planeta poderia, na verdade, não ser um único objeto, mas sim o conjunto de vários objetos que atuariam em conjunto, ou ainda sugestões de que ele poderia ser até mesmo um buraco negro primordial. Agora, é possível que o telescópio espacial TESS, que "caça" exoplanetas, já até tenha coletado dados sobre o tal do Planeta Nove — mas ainda não fomos capazes de encontrá-los em meio às demais informações.

Ao menos é o que suspeitam os autores de um artigo publicado no Research Notes of the AAS. O TESS foi projetado para observar planetas extremamente distantes, em outros sistemas estelares; por isso, não seria o melhor candidato para observar um planeta obscuro no próprio Sistema Solar. O telescópio faz sua busca usando o método do trânsito — quando o brilho de uma estrela é afetado pela passagem de um objeto grande o suficiente à sua frente —, então seria simplesmente impossível detectar o trânsito do Planeta Nove com este telescópio, já que o tal planeta não passaria entre a posição em que está o TESS (na órbita da Terra) e o Sol.

Contudo, como o TESS "olha" fixamente para áreas específicas do céu por longos períodos, é possível, em teoria, que uma técnica chamada de rastreamento digital possa ser aplicada aqui na busca pelo suposto nono planeta do Sistema Solar. Como o TESS tira muitas fotos do mesmo campo de visão, se essas imagens forem empilhadas, objetos mais fracos que ficariam ocultos à primeira vista podem se tornar proeminentes. Então, para detectar um planeta que está em movimento, seria preciso fazer um cálculo estimado de sua órbita e mudar as exposições do TESS para acompanhar esse movimento, empilhando as imagens depois.

Tudo isso parece ser um trabalho danado — e é —, mas os autores do artigo acreditam que seja possível com o uso de softwares específicos. Técnica similar já foi usada no passado com o telescópio Hubble para descobrir vários objetos além de Netuno, inclusive.

Ou seja: em suas observações, o TESS pode já ter coletado dados sobre o Planeta Nove, mas esses dados estariam em meio a um montão de outros, "escondidos" de alguma forma, já que, para detectar o planeta, seria preciso estimar sua órbita e, então, fazer o empilhamento de imagens. É como procurar uma agulha em um palheiro — mas os cientistas parecem comprometidos com essa missão (quase) impossível.

Fonte: Canaltech

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