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Telemedicina ganha força em meio à pandemia do coronavírus

·3 minuto de leitura
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Com o avanço do coronavírus pelo Brasil, cresce a preocupação com o sistema de saúde. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o País deve enfrentar um colapso ainda em abril. Com a falta de espaço e profissionais, a telemedicina surge como um recurso importante contra a pandemia.

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Antes posta em dúvida pelo próprio Conselho Federal de Medicina (CFM), a prática acabou sendo regulamentada pelo MS justamente no início do combate ao avanço do coronavírus.

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Segundo especialistas, o atendimento por meio digital deve facilitar a triagem inicial e desafogar o sistema de saúde em casos mais brandos da Covid-19, doença causada pelo vírus. Além disso, com a telemedicina, há a suspeita de que fique mais fácil o controle da epidemia. Se tiver sintomas, a pessoa não precisa sair de casa. É só ligar o computador.

“Há duas grandes preocupações hoje: evitar que pessoas com a doença, mas com sintomas brandos, vá ao hospital. Afinal, no caminho, pode infectar ainda mais pessoas. E ter um controle mais apurado do número de casos”, explica Ernesto Caldana, epidemiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Telemedicina resolve”.

Como funciona

Segundo a portaria divulgada pelo Ministério da Saúde, que regulamentou o atendimento, a consulta "deverá ser efetuada diretamente entre médicos e pacientes, por meio de tecnologia da informação e comunicação que garanta a integridade, segurança e o sigilo das informações". O médico, por sua vez, poderá emitir atestados ou receitas digitais.

Em caso de suspeita de coronavírus, o profissional deverá notificar órgãos de saúde e tomar as medidas necessárias. Em casos graves, encaminhamento ao hospital. Em casos mais brandos, manter um acompanhamento constante e indicar isolamento social total.

Para empreendedores de teleatendimento, o alcance da prática deverá ser positivo nesse momento. “Como a sociedade já está conectada com o mundo virtual, acredito que grande parte da população irá aderir”, disse Milene Rosenthal, co-fundadora da Telavita. “É preciso ter definição de protocolos para deixar o serviço mais seguro e ainda garantir a qualidade”.

Desafios e cuidados

Apesar do ânimo de envolvidos com a tecnologia, em um momento em que a população está enfrentando uma pandemia, especialistas indicam que é preciso ter calma. Órgãos de saúde devem acompanhar de perto a forma que o atendimento é realizado. Ernesto Caldana, da UFRJ, ainda ressalta que é preciso “pensar no País e suas particularidades”.

“Meu único receio é, em algum momento, órgãos de saúde colocarem tudo na conta da telemedicina no meio dessa crise. Acharem que a técnica está resolvendo os problemas de todo mundo. É preciso lembrar de quem não tem acesso”, afirma o epidemiologista. “Ou vocês acham que uma família ribeirinha ou sem renda vai conseguir teleatendimento?”.

Laura Gusman, gestora de teleorientação médica e farmacêutica do Clude, clube digital de vantagens com foco em saúde, se mostra otimista. “Conseguimos, inclusive, reduzir os custos dos sistemas”, disse a médica e executiva. “Alguns estigmas, como prejudicar a relação médico-paciente, vão depender, como sempre, de como o profissional vai realizar essa interação. É um serviço complementar aos atendimentos realizados presencialmente”.

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