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Telegram é acusado de descumprir acordo de combate às fake news

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O aplicativo de mensagens Telegram havia feito um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual se comprometeu a adotar medidas para combater fake news sobre as eleições no Brasil. Contudo, o prazo para apresentação de um plano de ação expirou e até agora o mensageiro não apresentou quais ações seriam feitas para coibir a prática.

Após quase ser bloqueado no país em 20 de março, o programa conseguiu reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as promessas do Telegram estava o monitoramento dos canais mais populares no Brasil, a maioria relacionados à política e considerados uma central eficaz de distribuição de informações falsas.

Ainda não estão claras quais medidas o Telegram adotou para combater fake news e desinformação no mensageiro (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)
Ainda não estão claras quais medidas o Telegram adotou para combater fake news e desinformação no mensageiro (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)

Uma análise feita pela jornal O Globo mostra que parte dessas contas continuam a abrigar postagens com desinformação relacionadas às eleições (especialmente quanto à urna eletrônica), eficácia das vacinas contra a covid-19 e o uso da máscara. O levantamento teve como base os 100 canais com mais seguidores no Brasil a partir da plataforma Telemetrio. Do dia 20 de março até a última sexta-feira, a reportagem teria identificado ao menos 16 postagens que podem ser classificadas como desinformação.

Embora a campanha eleitoral não tenha começado efetivamente, a disputa já está à pleno vapor nas redes sociais e aplicativos de mensagens. O WhatsApp também é considerado uma central de distribuição de fake news, tanto que os órgãos brasileiros pediram à plataforma o adiamento do recurso Comunidades, que introduziria uma funcionalidade de grandes grupos similar ao Telegram.

Canais ainda ativos

Um dos canais citados na matéria é o Direita Channel, com 66,7 mil inscritos e textos favoráveis ao atual governo. Uma das chamadas diz que o principal candidato da oposição Lula teria admitido a derrota em um discurso realizado no Dia do Trabalhador (1º de maio). O clique leva para um vídeo no YouTube no qual o apresentador diz que o opositor provavelmente não vai disputar as eleições porque já teria entendido que a derrota é inevitável.

O conteúdo é embasado por um vídeo no qual o ex-presidente diz que ainda não era candidato. A afirmação, contudo, não mostra o contexto da fala, na qual Lula diz que só será pré-candidato a partir do dia 7, em referência ao evento realizado no último final de semana que lançou sua candidatura pelo Partido dos Trabalhadores.

Já o canal Médicos pela Vida, com 122,6 mil inscritos, traz um vídeo de um médico estrangeiro que acusa a Pfizer de ter omitido 17 mortes causadas pela vacina, além de outros efeitos colaterais. A Organização Mundial da Saúde, estudos e especialistas respeitados no mundo inteiro, contudo, dizem serem muitos raros os casos de sintomas graves decorrentes da vacinação e que, mesmo nesses casos, a morte não é causada pelo imunizante.

Manipulação das informações

Em outro exemplo mostrado pelo jornal, a deputada Carla Zambelli (PL-RJ) teria veiculado uma montagem comparativa entre o indulto concedido pelo presidente Jair Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira (PL-RJ) com o caso do italiano Cesare Battisti. Daniel teria sido perdoado porque cometeu um crime relacionado à liberdade de expressão, enquanto Battisti teria sido perdoado por ser terrorista.

Na verdade, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva não concedeu o perdão presidencial ao italiano, mas sim negou o pedido de extradição para o país de origem. Battisti é acusado de cometer crimes na Itália, embora alegue ser vítima de perseguição por lá, porém só poderia ser "perdoado" se tivesse cometido crime em solo brasileiro.

A outra manipulação é a foto: a montagem diz que o presidente Jair Bolsonaro teria soltado um inocente. Na verdade, Silveira foi condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão por estimular atos antidemocráticos e ameaçar ministros da Corte.

Em nota enviada ao jornal O Globo, o STF disse que as medidas tomadas pelo Telegram estão sob sigilo. Já o TSE explicou que o app apenas aderiu ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, mas que ainda negocia os termos do documento que detalhará as providências.

Fonte: Canaltech

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