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Tectoy demite funcionários de fábrica em SP por falta de componentes, diz sindicato

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Famosa na década de 1990, a fabricante de consoles e jogos eletrônicos Tectoy demitiu trabalhadores da fábrica de Cotia (SP), alegando falta de componentes eletrônicos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

De acordo com a entidade, o número de desligados passa de 200 --praticamente a totalidade dos funcionários da planta, segundo o sindicato. Nesta quarta-feira (4), a fabricante confirmou, em nota enviada à imprensa, que encerraria suas atividades na unidade paulista, que funcionava há cerca de dois anos, mantendo apenas a produção na unidade de Manaus.

"Os últimos anos foram desafiadores e a Tec Toy S.A., buscando constante evolução e melhoria para aqueles que de alguma forma se relacionam com a empresa, definiu recentemente sua reestruturação societária e manutenção exclusiva da unidade fabril de Manaus, encerrando assim, as atividades fabris no Estado de São Paulo", disse a nota assinada pelo diretor executivo da empresa, Valdeni Rodrigues.

Também por meio de nota, o presidente do sindicato, Gilberto Almazan, disse que a empresa se nega a negociar. "Queremos buscar alternativas para reduzir o máximo possível os prejuízos para os trabalhadores. Para isso, já acionamos a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no estado de São Paulo."

O sindicato diz que desde dezembro a empresa tem divulgado entre os trabalhadores as dificuldades para manter a produção que se agravou com a Guerra da Ucrânia. A entidade diz reconhecer que, apesar de o problema ser ocasionado por uma questão externa, a falta de semicondutores expõe a dependência que a produção local tem das importações e a urgência de fortalecimento da indústria nacional.

A fabricante não confirmou o número de funcionários que foram desligados ou se o fim das atividades na unidade paulista se deveu pela falta de componentes eletrônicos. Até a publicação desta reportagem, a empresa também não havia respondido ao pedido de entrevista feito pela Folha de S.Paulo.

De acordo com os sindicalistas, a notícia das demissões foi recebida com tristeza pelos trabalhadores da Tectoy. "Lamentamos a falta de diálogo da empresa com o sindicato, para que pudéssemos encontrar saídas para evitar essas demissões", destacou o diretor, Alex da Força.

Segundo a funcionária M.P., 54, que trabalhava como operadora de produção, as demissões começaram em outubro do ano passado. "O serviço foi diminuindo, eles falavam que as peças demoravam a chegar. A gente chegou a ficar dois dias em casa, sem trabalhar, no ano passado. Em dezembro e janeiro, o pessoal dizia que não havia material para trabalhar, eles batiam o cartão e ficavam parados."

Ela conta que na unidade de Cotia não eram produzidos brinquedos, mas maquininhas de cartão e que a Tectoy dividia o mesmo endereço com a Transire Eletrônicos, do segmento de pagamentos e com quem a fabricante fez uma parceria.

Em anúncio no programa "Pânico", da rádio Jovem Pan, no início de abril, o diretor executivo da Transire, Tiago Cabral, e Rodrigues, da Tectoy, falaram sobre a união.

"A gente já tinha uma história com a Transire, quando ela começou, ela alugou as instalações da Tectoy para fazer as primeiras maquininhas. A gente ajudou todo mundo a se divertir [com os videogames] e agora vamos ajudar a trabalhar", disse Rodrigues. "Nossa fábrica é em Manaus, temos uma planta de serviços e de assistência técnica em Cotia e um escritório em São Paulo."

Também demitida pela Tectoy, Kátia Bispo, 51, lembra que em dezembro passado, a linha de produção chegou a parar por cinco dias, por falta de componentes. "Era possível remanejar os funcionários para a outra empresa. Em Cotia, a gente só montava as maquininhas de cartão, os brinquedos e celulares eram todos feitos na fábrica de Manaus. A promessa era que a gente ia montar brinquedos e celulares aqui também, parecia ser o plano deles."

Questionada sobre as demissões na Tectoy após a parceria, a Transire também não havia se pronunciado até a publicação desta reportagem.

MEMÓRIA AFETIVA

Fundada em 1987 e sucesso entre as crianças nos anos 1990, a Tectoy ficou famosa pela parceria com a fabricante japonesa Sega, do Mega Drive, e por lançamentos de sucesso, como o Pense Bem.

Em 1994, a empresa detinha 20% do mercado nacional de brinquedos e 75% do de videogames, segundo reportagem da Folha publicada em março daquele ano. A crise asiática de 1997, que afetou investimentos estrangeiros, e o aumento da concorrência marcaram o início do declínio da empresa, que anunciou naquele ano um pedido de concordata preventiva.

Na década seguinte, ela já não tinha mais o mesmo brilho. Entre 2008 e 2009, foi lançado o Zeebo, videogame criado em parceria com a norte-americana Qualcomm, mas que não emplacou e deixou de ser vendido no Brasil em 2011. O fracasso afetou ainda mais as contas da empresa.

Ao completar 30 anos, em 2017, a fabricante mirou na nostalgia, apostando em produtos de sucesso de décadas atrás, lançando o Atari Flashback 7, o Pense Bem e o Mega Drive.

Videogame Zeebo, que deixou de ser vendido em 2011 Divulgação Videogame Zeebo, que deixou de ser vendido em 2011 **** Em 2019, Rodrigues assumiu a direção da empresa. A nova gestão reformou e modernizou o parque de Manaus, passou a fabricar parte dos produtos em Cotia e reformulou o portfólio. A linha atualmente inclui produtos como tablet, smartphone, teclados e caixas de som.

Segundo as associações que representam os segmentos eletrônicos, não há outros registros de demissões feitas por conta da falta de semicondutores na linha de produção.

No caso da indústria automotiva, também afetada pela falta de semicondutores, a Volkswagen, por exemplo, anunciou nesta terça-feira (3) que daria férias coletivas pela quinta vez desde o início da pandemia aos metalúrgicos da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, por conta da falta de chips. A montadora havia voltado a trabalhar em dois turnos há pouco mais de um mês.

O aumento recente dos casos de Covid-19 na China continua afetando as cadeias de produção. Na região de Xangai, diferentes fabricantes de semicondutores e automóveis foram forçados a suspender ou reduzir a produção. Uma fabricante de veículos elétricos avisou em 14 de abril que as montadoras chinesas poderão ter de interromper a produção em maio, se as paralisações persistirem na região.

Leia a íntegra da nota da Tectoy:

"Os últimos anos foram desafiadores e a Tec Toy S.A. buscando constante evolução e melhoria para aqueles que de alguma forma se relacionam com a empresa, definiu recentemente sua reestruturação societária e manutenção exclusiva da unidade Fabril de Manaus, encerrando assim, as atividades fabris no Estado de São Paulo.

No mais, em atenção à necessidade de proteção de dados, respeito e preservação dos nossos colaboradores, a Tec Toy S.A informa que não comenta providências e procedimentos internos.

Valdeni Rodrigues - C&O Tec Toy S.A."

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