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Tecnologia russa monitora satélites para removê-los de observações astronômicas

·2 minuto de leitura

Enquanto a SpaceX segue com a expansão da megaconstelação de satélites Starlink, os astrônomos seguem preocupados com o prejuízo que os satélites causam nas observações do céu, por refletirem a luz solar e criarem feixes brilhantes nas imagens. Assim, para evitar as passagens dos satélites nas observações astronômicas, uma startup da Rússia está testando uma tecnologia que pode fechar o obturador do telescópio e, assim, filtrar ou até evitar o brilho dos satélites nas imagens obtidas.

Para isso, a tecnologia proposta pela StealthTransit usa um sistema que escaneia áreas maiores do céu do que aquelas que o telescópio irá observar, para detectar a trajetória de satélites na órbita baixa da Terra e prever o trânsito deles no campo de visão do telescópio. Assim, um obturador interrompe a exposição da câmera astronômica para eliminar os rastros dos satélites nas observações e minimizar a perda de dados. Em comunicado, a empresa afirma que o sistema funciona com campos de visão médios e mais estreitos de telescópios variados, tanto profissionais quanto amadores.

Embora telescópios com campos de visão mais amplos corram o risco de serem afetados por vários satélites de uma só vez (o que tornaria essa solução menos prática), Vlad Pashkovsky, CEO da empresa e ex-engenheiro de telecomunicações, explica que a maior parte de telescópios assim, como o observatório chileno Vera C. Rubin, poderia ser parcialmente beneficiado. “A iniciativa StealthTransit os permite proteger certas áreas de um campo de visão mais amplo, que são também as mais importantes para a observação”, disse.

A empresa já está testando a tecnologia no observatório Caucasus Mountains, um dos mais avançados da Rússia. A equipe instalou o detector de satélites no telescópio ASA 600 e, depois, conectou o detector ao obturador ativo do StealthTransit. Segundo Nikolay Shatsky, diretor do observatório, os satélites Starlink afetam até mesmo os telescópios com campo de visão mais estreito, principalmente quando estão procurando asteroides próximos da Terra ou cometas, durante o crepúsculo.

O sistema StealthTransit conta com um obturador (1), um conector (2), um detector (3) e um software de previsão (4) (Imagem: Reprodução/Stealthtransit /Vlad Pashkovsky)
O sistema StealthTransit conta com um obturador (1), um conector (2), um detector (3) e um software de previsão (4) (Imagem: Reprodução/Stealthtransit /Vlad Pashkovsky)

Shatsky ressaltou que o risco de as passagens danificarem a imagem aumenta conforme novos satélites são lançados à órbita baixa da Terra. “O fator de risco é, segundo nossas estimativas, de pelo menos 5%; é impossível corrigir essas imagens mesmo com a ajuda do processamento”, disse, explicando que seria preciso realizar observações repetidas e usar janelas livres na programação do observatório. Entretanto, ele destacou que não há garantia de que observações múltiplas não serão afetadas.

Pashkovsky comentou que, embora os satélites Starlink tenham sido revestidos com coberturas escuras para reduzir o brilho, esses revestimentos podem afetar o equilíbrio térmico deles e, assim, diminuir a vida útil dos dispositivos. “A redução do brilho está em conflito com os objetivos de garantir desempenho e longa duração do satélite”, explicou. Felizmente, ele considera que, conforme se tornam mais compactos, os satélites devem ficar menos brilhantes.

Fonte: Canaltech

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