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Tecnologia brasileira pode detectar substância com potencial cancerígeno na água

·3 min de leitura

Pesquisadores brasileiros desenvolveram nova técnica que permite identificar substância com potencial cancerígeno na água. Mais especificamente, a tecnologia verifica a presença e a concentração da N-nitrosodimetilamina (NDMA). O novo método foi elaborado pelos cientistas do Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (LQA-IQ-Unicamp).

A NDMA é uma das nitrosaminas conhecidas por aumentar o risco de câncer. No entanto, os efeitos nocivos são desencadeados por grandes quantidades consumidas e pelo tempo de exposição. Além disso, podem afetar tanto humanos quanto animais na natureza.

Pesquisa brasileira desenvolve método para medir substância cancerígena na água tratada (Imagem: Reprodução/Hitdelight/Envato Elements)
Pesquisa brasileira desenvolve método para medir substância cancerígena na água tratada (Imagem: Reprodução/Hitdelight/Envato Elements)

O que é NDMA e qual é sua ligação com o aparecimento de tumores?

Como a NDMA, as nitrosaminas são compostos comumente encontrados na água, em alimentos defumados e grelhados, laticínios e vegetais. Este composto é altamente tóxico, especialmente para o fígado, e é reconhecido como carcinogênico por estudos realizados em animais. Já para humanos, a substância foi classificada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer como provável carcinogênica.

Até o momento, pesquisadores sabem que a exposição a essas substâncias dentro de limites considerados seguros representa baixo risco à saúde. No entanto, em grandes concentrações e por longos períodos, há o aumento o risco da ocorrência de um câncer. Desde então, órgãos governamentais de vários países buscam definir metas aceitáveis para nitrosaminas na água tratada, quando destinada ao consumo humano.

No Brasil, a portaria emitida pelo Ministério da Saúde brasileiro determina que, no caso da NDMA, o valor máximo permitido na água é de 100 ng L-1 (ou 0,0001 mg/L). No entanto, outros países têm padrões mais rígidos, como o Canadá. Para os canadenses, é somente permitida a concentração de 40 ng L-1.

Estudo para investigar substância cancerígena na água

Ingestão de água contaminada pode favorecer aparecimento de câncer (Imagem: Reprodução/Colin Behrens/Pixabay)
Ingestão de água contaminada pode favorecer aparecimento de câncer (Imagem: Reprodução/Colin Behrens/Pixabay)

Publicado na revista científica Environmental Science and Pollution Research, a pesquisa brasileira demonstrou a eficácia de uma nova técnica para medir a concentração da NDMA na água, seguindo as especificações do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Além deste composto, a técnica também permite detectar outras seis nitrosaminas em níveis de concentração traço (nanograma por litro) em água tratada para abastecimento público.

Durante o estudo, o método analisou 18 amostras de água coletadas em maio de 2019 em sistemas de 13 cidades da Região Metropolitana de Campinas. Analisando os resultados, o grupo de pesquisadores verificou que a NDMA foi a nitrosamina mais frequentemente detectada (em 89% das amostras) e teve o maior nível de concentração (67 ng L−1).

Também foram identificadas outras nitrosaminas, como as NMEA, NPYR, NDEA, NPIP, NDPA e NDBA. Inclusive, todas as amostras analisadas continham pelo menos duas nitrosaminas diferentes presentes. Outro ponto é que três delas (NDMA, NPYR e NPIP) foram encontradas em mais de 70% das amostras recolhidas.

“As concentrações de nitrosamina relativamente altas podem ser atribuídas à baixa qualidade da água e aos maiores níveis de atividade humana na região. Como as informações para nitrosaminas na água potável brasileira ainda são muito limitadas, este estudo pode fornecer os primeiros dados sobre possíveis tendências de ocorrência e riscos potenciais associados. É também de grande importância para investigações mais aprofundadas em todo o país”, comentaram os pesquisadores no artigo recém-publicado.

Para acessar o artigo científico, clique aqui. Este estudo recebeu apoio da FAPESP em dois projetos de pesquisa e do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA).

Fonte: Canaltech

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