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Tchau, querido, pelo mesmo caminho: 4 imagens que construíram o republicano derrotado

Leticia Quatel
·5 minuto de leitura

Por Letícia Quatel

Acabou para Trump. Para a, aparente, alegria do mundo, ou de boa parte dele. Só para ficar em alguns nomes conhecidos: as cantoras Lady Gaga, Beyoncé, Cardi B e a atriz Viola Davis foram algumas das personalidades que comemoraram o adeus à Casa Branca por parte do 45º presidente dos Estados da Unidos, Donald Trump. "Uhu! Filadélfia! América! Povo Negro! Pessoas pretas! Deus abençoe vocês!!!Agora...Vamos lutar por aquele Senado", escreveu a atriz Viola Davis em sua conta no Instagram. No português claro seria quase um “tchau, querido!”.

Resta saber, agora, como é que Donald Trump vai entrar para os anais da história como a figura que esteve à frente da maior potência mundial nos últimos quatro anos. E se é possível chegar a esta resposta, ou pelo menos em parte dela, é graças a força documental da imagem e da fotografia. “A Annateresa Fabris em seu livro, Identidades Visuais, escreve que os fotógrafos substituíram os pintores da corte, pelo menos na Europa”, diz Simonetta Persichetti, crítica de fotografia e professora do curso de jornalismo e do mestrado em comunicação da Faculdade Cásper Líbero.

Uma imagem não vale mais do que mil palavras diferentemente do que diz o ditado, pois são linguagens diferentes. Uma não substitui a outra, mas podem se complementar. Agora, a imagem pode sim e carrega o responsável papel de marcar momentos históricos e ajudar na construção de identidade de figuras notáveis, como é o caso dos políticos.

E não estamos falando de um fenômeno recente. “No século XIX, o presidente norte-americano Abraham Lincoln teve um desenho seu publicado na primeira página do jornal. O desenho havia sido copiado de uma fotografia. Ele chegou a afirmar que não teria sido eleito presidente dos estados unido se não fosse aquele desenho.”, afirma Simonetta. “Mas foi somente no século XX com o início da propaganda política que a fotografia potencializou a imagem como formadora de identidade de um político. As famosas as imagens de Hitler, Mussolini, Lenin, Stalin”, diz.

Com Trump não será diferente. Ele não passará impune pelas lentes da história, literalmente. Uma figura tosca, grosseira e sem empatia, assim pode-se dizer que se desenhou a identidade imagética de Donald Trump. “As imagens retratam Trump como uma figura política truculenta, histriônica, que abusa de um tom mais agressivo para dizer o que pensa. Aliás, agressividade é algo constante nas imagens de Donald Trump”, diz Rodrigo Sanches, doutor em psicologia pela USP e pós-doutarando em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero.

Mas se lá em 2016, essa figura que hostilizava imigrantes, especialmente os Latinos, os negros, a imprensa e a democracia em nome de “fazer a América grande de novo”, mostrou, de alguma forma que a truculência, aversão à informação e à ciência não fizeram “a América grande novamente”. A nação mais rica do mundo empilhou mais mortos por covid-19 do que qualquer outro país embalada pela falta de iniciativa do governo e pelo negacionismo constante por parte de Trump sobre a pandemia. O país que prometeu salvar a economia não salvou nem a economia e nem as vidas. Os EUA de Trump enterraram mais de 238 mil mortos e a economia contraiu no segundo trimestre de 2020 no ritmo mais acentuado desde a Grande Depressão de 1929, com o PIB desabando em 32,9%”. Isso para se ater a apenas um fracasso do governo Trump.

Na prática a imagem do “valentão” que Trump, talvez, tenha acreditado que construiu não se sustentou. “A mesma imagem que hoje derrubou o Trump serviu para elegê-lo em 2016”, afirma Simonetta. Donald Trump não é uma criança birrenta, embora remeta a uma, é um homem de 74 anos que sabe muito bem o que faz. É um sujeito frágil que precisa do grito para ter voz e do medo para ter respeito. Que não aceita ser contrariado ou estar errado e por isso ataca a democracia, a ciência e a informação – porque são estes pilares que o questionam.

Donald Trump já vai tarde e deixa para os Estados Unidos uma herança que ele prometeu na campanha que o elegeu em 2016: um muro. Um muro, porém, dentro dos Estados Unidos e não na fronteira com o México. Trump está fora, mas deixa um país rachado e polarizado. O país continua dividido em duas metades heterogêneas já que um total de 84% das pessoas que se declaram “conservadoras” votaram em Trump e 89% dos “liberais” votaram em Biden.

No fim, o que podemos considerar é que vivemos em tempos políticos baseados na estética da ‘tosquice’. E este não é um fenômeno exclusivo dos Estados Unidos.

REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Na prática a imagem do “valentão” que Trump, talvez, tenha acreditado que construiu não se sustentou. “A mesma imagem que hoje derrubou o Trump serviu para elegê-lo em 2016”, afirma Simonetta Persichetti, crítica de fotografia e professora da Cásper Líbero.

REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Donald Trump deixa para os Estados Unidos uma herança que ele prometeu na campanha que o elegeu em 2016: um muro. Um muro, porém, dentro dos Estados Unidos e não na fronteira com o México. Trump vai, mas deixa um país rachado e polarizado.

REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Donald Trump não é uma criança birrenta, é um homem de 74 anos que sabe muito bem o que faz. É um sujeito frágil que precisa do grito para ter voz e do medo para ter respeito.

REUTERS/Jonathan Ernst
REUTERS/Jonathan Ernst

Trump não fez a “America great again”. Estados Unidos de Trump bateram recorde de mortes por covid-19. Presidente adotou tom negacionista na gestão da crise trazida pela pandemia.