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Taxa de uso de refinarias dos EUA pode chegar a 90% pelo 3º trimestre seguido

Tanques de combustíveis em refinaria da Califórnia, nos Estados Unidos

Por Erwin Seba

HOUSTON (Reuters) - As taxas de utilização das refinarias de petróleo dos EUA, um termômetro de como as operadoras veem a demanda futura de combustível, podem chegar a 90% no próximo trimestre, o terceiro consecutivo neste patamar, projetaram analistas do setor, refletindo estoques escassos e forte demanda por diesel.

Historicamente, as taxas de utilização caem no quarto trimestre, à medida que as refinarias iniciam a manutenção de inverno e o consumo de combustível diminui após o término do verão nos EUA.

No último trimestre deste ano, no entanto, as operadoras podem manter as taxas de produção altas para capturar fortes margens de diesel, disseram eles.

A previsão exclui o potencial impacto de um grande furacão atingindo a costa do Golfo dos EUA, onde se encontra quase metade do refino de petróleo do país. Também exclui interrupções não planejadas nas refinarias ou uma possível recessão econômica profunda, que reduz a demanda, disseram analistas.

"O menor consumo da gasolina reduziu as margens de refino nas últimas semanas, mas as margens gerais ainda são bastante atraentes", disse Matthew Blair, chefe de pesquisa de refino da especialista em energia Tudor Pickering Holt & Co.

A utilização geral dos EUA --a quantidade de petróleo processada em comparação com a capacidade nominal de uma planta-- ficou acima de 92% e 93%, respectivamente, no segundo e terceiro trimestres deste ano, disse ele. O primeiro trimestre teve uma média de 89,5%.

DEMANDA DE DIESEL

A demanda na Europa tornou o fornecimento de diesel mais apertado globalmente, disse John Auers, diretor administrativo da Refined Fuels Analytics, parte da consultoria RBN Energy.

"As margens do diesel serão maiores, disse Auers. "Acho que isso aumentará as margens de refino."

A secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, escreveu em agosto às refinarias Valero Energy , Chevron e ExxonMobil pedindo que reduzissem as exportações de produtos e aumentassem o suprimento de combustível dos EUA, citando "níveis historicamente baixos de gasolina e diesel em partes do país".

No entanto, as exportações de destilados, principalmente diesel, subiram para 1,76 milhão de barris por dia (bpd) na semana encerrada em 16 de setembro, ante 579.000 bpd um ano antes.

Preocupações com o fornecimento mais apertado de diesel estão aumentando as operações nas refinarias, disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho.

Segurar o refino acima de 90% pode corroer ainda mais as margens da gasolina. Cerca de 46% do barril de petróleo é transformado em gasolina e apenas 27% em diesel.

(Reportagem de Erwin Seba)