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A taxa Selic aumentou: como isso afeta quem tem dinheiro guardado nas fintechs?

·6 minuto de leitura

Na última quarta-feira (05), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou que a taxa básica de juros da economia (Selic) teve um aumento de 0,75 ponto percentual indo para 3,75% ao ano. Além disso, há chances de que ela salte para 4,25% na próxima reunião, em 45 dias. E pode chegar até mesmo a 5,5% ao ano no final de 2021.

Para quem não domina o "economês", a Selic (sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica da economia brasileira definida pelo Banco Central para controlar a inflação. Seus movimentos influenciam todas as taxas de juros praticadas no país, seja em um empréstimo concedido por um banco ou o rendimento de uma aplicação financeira. Ela é originada a partir da negociação de títulos públicos federais - em um sistema operado pelo BC - e a taxa média dessas operações é o que define a Selic.

Dito isso fica a pergunta: o aumento da taxa Selic prejudica quem tem seu dinheiro guardado em fintechs em comparação com os bancos tradicionais? É o que o Canaltech vai responder agora, depois de falar com quatro economistas sobre o tema.

Spoiler alert: se você tem dinheiro em fintechs, deixe onde está

Essa foi a opinião dos especialistas ouvidos pela nossa reportagem. Isso porque o dinheiro aplicado nas fintechs está atrelado ao Certificado de Depósito Bancário, o popular CDI. Trata-se de uma taxa de referência usada pelos bancos que determina o rendimento de investimentos e empréstimos entre as instituições financeiras e serve como referência para o mercado e os fundos de renda fixa.

E o CDI reflete a taxa Selic de 1 para 1. Logo, sempre que um banco (tradicional ou fintech) fala que um rendimento é atrelado ao CDI, a equação é simples: se uma taxa sobe, a outra sobe também.

"Com isso, o rendimento do dinheiro que está depositado em uma fintech também sobe, até para fazer frente à inflação", explicou Rinaldo Fusco, sócio-diretor da F&F Assessoria Financeira. "Logo, ainda que a inflação seja sempre um pouco maior que a Selic, o aumento dessa taxa - e consequentemente o CDI - ajuda a diminuir a perda do poder de compra".

E na esmagadora maioria das fintechs, o dinheiro tende a render 100% do CDI - algumas até mais. Logo, se a Selic aumenta, o CDI segue o mesmo caminho e vira um investimento de risco quase zero, agradando aqueles que são mais conservadores em relação ao seu dinheiro.

Inclusive, o rendimento do CDI é maior do que o gerado pela poupança que, em 2021, deve ficar em torno de 70%. Sem contar que a sua liquidez é diária, ao invés de mensal. Mas há uma desvantagem: dinheiro aplicado na poupança não sofre com a cobrança de impostos, ao contrário dos investimentos de renda fixa. Ainda assim, descontada a alíquota do Imposto de Renda, o CDI renderá mais que a poupança.

"Falando especificamente em termos das carteiras remuneradas das fintechs, com 100% do CDI atrelado, a alta da taxa Selic é positiva, porque aqueles que preferem apenas deixar o seu dinheiro rendendo de forma passiva tem uma alta significativa e não perde o poder de compra", afirmou Marcelo Romero, Chief Investment Officer da Magnetis Investimentos. "Mas, para o mercado de modo geral, a alta dos juros não é um fato bom, porque desestimula o apetite por risco em investimentos de renda variável. Mas se você manteve o seu dinheiro nas carteiras digitais, agora não seria a hora de 'virar a mão' e ir para o risco." 

Romero explica ainda que as fintechs conseguem oferecer um rendimento mais vantajoso se comparadas aos bancos tradicionais por dois motivos: custos menores, já que bancos digitais não tem despesas, por exemplo, com a manutenção de agências físicas e funcionários e ainda a ausência do conflito de interesses no campo de investimentos.

"Os grandes bancos são comissionados para vender um determinado produto e, não necessariamente, os gerentes ou assessores de investimento vão recomendar, de fato, o melhor produto para o cliente. Já as fintechs têm outra dinâmica, já que muitas delas vêm investindo no crescimento e não necessariamente no lucro nesse primeiro momento".

Logo, o resumo de todas essas informações é: se o seu dinheiro está em uma fintech que promete render 100% do CDI, deixe ele lá.

O melhor dos mundos é diversificar...

No entanto, Arthur Igreja, especialista em Tecnologia, Inovação, Negócios e professor convidado da FGV, alerta que o excesso de conservadorismo - ou seja, manter o dinheiro rendendo apenas em fundos de renda fixa - também não é a melhor opção.

"Quem está com 100% do dinheiro investido em CDI esta perdendo cerca de até 3% ao ano. É um cenário 'menos pior', mas não quer dizer que seja bom".

Com isso, a melhor opção é a diversificação das aplicações. Para Fusco, o ideal é dividir o dinheiro em três ou quatro opções de investimento, como ações, Tesouro Direto, Renda Variável (ações), fundos mobiliários, dólar ou fundos cambiais. Mas, para isso, o ideal é procurar bancos especializados em investimento.

"Instituições como a XP ou o BTG oferecem produtos de todo o mercado financeiro, não só produtos da marca do banco", explica o economista. "É como fazer compras em um hipermercado, ao invés do mercado do bairro. Você acaba tendo uma visão maior, um acesso mais amplo a produtos de diversas marcas, uma prateleira mais cheia de opções para tomar a melhor decisão".

...mas o brasileiro precisa de educação financeira 

Mas a cultura de diversificar investimentos no Brasil passa por uma barreira complicada: a falta de educação financeira. Por aqui, o percentual de pessoas que domina o assunto é ínfimo - e isso mesmo entre pessoas com fundos à disposição para aplicar.

"Aqui no Brasil não temos uma educação financeira de base - seja na escola ou na família.  Com isso, o brasileiro não tem a cultura de guardar ou investir dinheiro. O que vier ele gasta", afirma Paixão. " Nos EUA, quase 60% dos americanos investem em ações. Falar sobre investimentos na Bolsa é um assunto recorrente em encontros familiares ou entre amigos. No Brasil, esse tipo de assunto é visto como inacessível. Com exceção dos profissionais do setor, ninguém se interessa". 

No entanto, para Pedro Nunes, economista-chefe da Riva Investimentos, as fintechs podem ser um fator importante de mudança. Isso porque elas entendem que só vão criar relacionamento com seus clientes a partir de conteúdo relevante, que possa atraí-los:

"Os bancos digitais e de investimentos trazem conteúdos educacionais fortes de fácil entendimento", afirma ele. "Com isso, o cenário fica mais propício para se investir, para se gerar retorno. Dessa forma, os investidores se sentem mais seguros a buscar alternativas de aplicações nessas instituições, já que eles serão mais beneficiados" 

Fonte: Canaltech

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