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Taxa de investimentos brasileira, em 16,2%, segue anêmica

ÉRICA FRAGA
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não existe milagre do crescimento sem investimento em máquinas, tecnologia, inovação e expansão de fábricas. Os países cujas economias se expandiram de forma acelerada nos últimos anos --antes da catástrofe do coronavírus-- evidenciam essa antiga constatação da literatura acadêmica. China, Índia, Vietnã, Irlanda e Botsuana são exemplos de nações que cresceram perto ou acima de 5%, em média, entre 2010 e 2019. As taxas de investimento desses cinco países - tão diversos entre eles - em relação aos seus PIBs (Produtos Internos Brutos) foram de, respectivamente, 45%, 33,7%, 27,8%, 26,6% e 32,8% nesse período. No mesmo intervalo de tempo, o Brasil teve expansão econômica pífia de 1,4% ao ano, em média. O resultado não é surpreendente considerando que o país mobilizou investimentos equivalentes a apenas 18,4% do PIB nesse período. Das cerca de 170 nações para as quais o FMI (Fundo Monetário Internacional) tem dados, o Brasil costuma estar entre os 20 com os níveis mais baixos desse indicador. A série histórica das contas nacionais brasileiras calculada pelo IBGE com sua metodologia atual começa no início de 1996. Nos 99 trimestres registrados desde então, a taxa de investimentos brasileira atingiu ou ultrapassou 20% em apenas 20 ocasiões. Seu teto em todo esse período foi 21,5%. Os dados divulgados nesta quinta-feira (3) pelo IBGE mostram que o país saiu com força da crise causada pela pandemia da Covid-19, ainda que tenha frustrado as expectativas do mercado, que esperava um crescimento mais robusto do PIB. A questão, que explica por que toda a numeralha aqui citada sobre taxa de investimento importa, é: o que esperar daqui para a frente? Uma combinação entre má gestão da economia e baixo apetite da sociedade brasileira por reformas - que mexeriam em privilégios adquiridos - são a principal causa do desempenho econômico fraco brasileiro. O temor recorrente em relação a crises fiscais, o ambiente de negócios complexo, a alta carga tributária e a baixa qualidade da educação são alguns dos fatores que explicam porque os investimentos privados não decolam no Brasil. Houve avanços para evitar o colapso das contas públicas nos últimos anos, como a adoção de um teto para controlar os gastos do governo e mudanças nas regras do regime de aposentadorias. Mas, até agora, a taxa de investimentos brasileira segue anêmica. A saída do fundo do poço da pandemia foi suficiente apenas para levar o indicador de volta para 16,2%, exatamente o mesmo patamar baixo do terceiro trimestre de 2019 e de 2018. A confiança empresarial dependerá de novos passos para resolver os antigos problemas, mas também de medidas para atenuar os novos trazidos pela pandemia. Há incertezas grandes em relação a ambos. Não está claro que haja apetite político para avançar em reformas importantes, como a administrativa e a tributária em 2021, quando as atenções em Brasília já estarão voltadas para as eleições do ano seguinte. Tampouco parece haver segurança, dado o desencontro de declarações oficiais em relação a vacinas, de que o Brasil será um dos países que avançará rapidamente na difícil tarefa de imunizar sua população. Enquanto isso não ocorrer, a necessidade de distanciamento social e a impossibilidade de renovação do socorro emergencial à população vulnerável, no contexto do elevado desemprego, frearão o consumo. No contexto da incerteza em relação à crise sanitária, a desigualdade na aprendizagem de crianças e jovens, outro problema antigo do país, se agrava a cada dia. Sem uma ação política bem coordenada nas frentes de saúde e educação, que aumentem a confiança nas perspectivas futuras do país, dificilmente o motor do investimento - crucial para o crescimento econômico - acelerará.