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Taurus assina joint venture com grupo indiano durante visita de Bolsonaro à Índia

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) - A Taurus, maior fabricante brasileira de armas leves e uma das maiores do mundo, anunciou nesta segunda-feira (27) a assinatura de uma joint venture com o indiano Jindal Group para iniciar fabricação de armamentos na Índia com transferência da tecnologia brasileira.

A Jindal terá 51% de participação, e a Taurus, 49%. O acordo estava em negociação há 11 meses.

Segundo o presidente da Taurus, Salésio Nuhs, o acordo se encaixa no programa "Make in India" do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que estimula a substituição de importações e instalação de indústrias na Índia.

"Um passo muito importante para o futuro da Taurus, pela primeira vez estamos em um programa de transferência de tecnologia na área de Defesa de governo de uma grande economia mundial, segundo maior comprador de armas do mundo, a Índia", disse Nuhs.

O objetivo é fabricar armamentos para o mercado civil, revólveres e pistolas, e para o mercado militar, participando de licitações públicas de fuzis e outros. A expectativa é que o governo indiano compre em 5 anos meio milhão de fuzis.

O mercado indiano é bastante restrito para fabricação de armas no país. A produção de armamentos e munições é regulada por um sistema de licenciamento dos anos 50.

No Brasil, a Taurus emprega 2100 pessoas e gera 5 mil empregos indiretos, segundo Nuhs. A empresa também tem fábrica nos Estados Unidos. O Jindal Group tem faturamento de US$ 24 bilhões de 200 mil funcionários no mundo.

No domingo de manhã (26), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu a entrada de fabricantes estrangeiros de armamentos no Brasil, dizendo que o virtual monopólio da Taurus no mercado faz com que as armas tenham preços altos no Brasil, o que restringe o acesso da população.

"Eu não quero falir a Taurus, quero apenas que haja concorrência para aumentar a qualidade e baixar o preço", disse Eduardo, que afirmou ter conversado com a suíça SigSauer e a italiana Beretta sobre investimentos no Brasil. "Isso vai permitir que a população tenha mais acesso a armas, hoje em dia esse mercado é elitista, por causa dos preços das armas", disse o deputado.

No mesmo dia, Nuhs reagiu, dizendo que ninguém vai ser "maluco" de investir no Brasil se for mantida a atual carga tributária sobre os armamentos, de quase 70%.

"O problema no Brasil não é o preço, é o imposto; nenhuma empresa estrangeira irá investir se não mudarem a tributação", disse à reportagem. "Essa proposta é equivocada, não existe monopólio no Brasil."