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Tardígrados podem sobreviver a décadas sem água, e agora sabemos como

Você já deve ter lido por aí que um dos ingredientes essenciais para a vida na Terra é a água. Bem, há algumas criaturas que discordam dessa afirmação, e uma delas é o tardígrado, uma criatura microscópica que vive nas condições mais extremas possíveis, inclusive na desidratação extrema — ou seja, sem água. Cientistas japoneses conseguiram, agora, desvendar como eles conseguem ficar sem o precioso líquido.

Publicada na revista científica PLOS Biology e contando com acadêmicos da Universidade de Tóquio, a pesquisa examinou um estado em que os ursos-d'água (outro nome para o filo Tardigrada) ficam quando estão em um ambiente desprovido de água, conhecido como "tonel": as 1.300 espécies conhecidas de tardígrado se enrolam e ficam dormentes, em criptobiose, até encontrarem o líquido novamente.

No estado de tonel, as pequenas criaturas suportam fervura, congelamento, radiação e podem ser postos em cima de uma bala e disparados de uma arma sem sofrer danos. Eles até mesmo foram levados ao espaço em ônibus espaciais e retornaram do vácuo inóspito intocados. Como isso é possível? Segundo os cientistas, através de proteínas: 336 delas eram suspeitas na pesquisa, que examinou uma espécie particularmente habilidosa em sobreviver à falta de água, os eutardígrados.

Proteínas e proteção

Os pesquisadores descobriram que elementos únicos aos tardígrados — as proteínas solúveis em calor abundantes em citoplasma (CAHS) — os ajudavam a proteger as células da desidratação. Em experimentos com humanos e insetos, as CAHS demonstraram aumentar a rigidez celular, dando suporte contra o seu encolhimento causado pela perda de pressão da água. A proteção valeu até mesmo contra pressão aquática excessiva.

A pesquisa foi desafiadora nas suas observações, já que marcar as células artificialmente para monitoramento normalmente requer soluções com água: em um ambiente onde é preciso checar a resistência à falta de água, seria impraticável utilizar o líquido. Para contornar o problema, foi utilizada uma solução baseada em metanol, que permitiu ver as proteínas CAHS em ação em células laboratoriais.

As proteínas em questão funcionaram como andaimes celulares, parecidas com o próprio citoesqueleto das células, mas só quando elas encaravam o estresse causado pela perda de água. Nesse caso, as CAHS se juntam no formato de teia de aranha para dar suporte aos filamentos celulares, uma transição sob demanda que as torna semelhantes a um gel.

Proteínas CAHS formando filamentos em formato de teia de aranha em células humanas cultivadas em laboratório sob desidratação (Imagem: Tanaka et al./PLOS Biology)
Proteínas CAHS formando filamentos em formato de teia de aranha em células humanas cultivadas em laboratório sob desidratação (Imagem: Tanaka et al./PLOS Biology)

É dessa forma que as células conseguem evitar a distorção causada pela falta de pressão de água quando o líquido está ausente, o que aponta para a estabilidade incrível do estado de tonel dos tardígrados. O processo — chamado anidriose — pode ser revertido. Quando os ursos-d'água são hidratados o suficiente, eles voltam ao normal.

Estudos anteriores suspeitavam do papel das proteínas, mas haviam investigado apenas os componentes genéticos da habilidade dos tardígrados, e não os elementos diretamente responsáveis pela resistência à desidratação. É assim que os minúsculos animais se mantém vivos no calor das bocas de vulcão, sob a pressão marítima extrema do fundo do mar, no gelo da tundra e nas florestas tropicais.

Outras proteínas únicas aos Tardigrada foram detectadas pelos cientistas, que devem seguir pesquisando e descobrindo mais truques biológicos complexos utilizados pelas criaturinhas para se manter vivos nos mais inóspitos e cruéis ambientes do nosso universo.

Fonte: Canaltech

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