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Talibã detém R$ 5,4 trilhões em minerais necessários à humanidade

·4 min de leitura
Talibã está sobre R$ 5,4 trilhões em minerais necessários para o mundo.
Talibã está sobre R$ 5,4 trilhões em minerais necessários para o mundo.
  • Reservas de minerais como ferro, cobre e ouro estão espalhadas pelas províncias do país; 

  • Escasso, o lítio é um componente essencial para baterias recarregáveis

  • Líder mundial na mineração de terras raras, China disse que manteve contato com o Talibã;

Embora o Afeganistão seja uma das nações mais pobres do mundo, em 2010, autoridades militares e geólogos dos EUA revelaram que o país, que fica na encruzilhada da Ásia Central e do Sul da Ásia, tem depósitos minerais no valor de cerca de R$ 5,38 trilhões. Espalhadas pelas províncias, as reservas de minerais como ferro, cobre e ouro poderiam transformar dramaticamente as perspectivas econômicas do país, segundo a reportagem publicada pela CNN Business nesta quinta-feira (19/08).

Na vasta riqueza mineral inexplorada do país que atravessa uma crise humanitária, existem também minerais de terras raras e, talvez o mais importante, o que poderia ser um dos maiores depósitos de lítio do mundo. Escasso, o lítio é um componente essencial para baterias recarregáveis e outras tecnologias vitais para enfrentar a crise climática.

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O cientista e especialista em segurança que fundou o Ecological Futures Group, Rod Schoonover, disse que “o Afeganistão é certamente uma das regiões mais ricas em metais preciosos tradicionais, mas também os metais necessários para a economia emergente do século 21”. Desafios de segurança, falta de infraestrutura e secas severas impediram a extração da maioria dos minerais valiosos no passado. É improvável que isso mude em breve sob o controle do Talibã. Ainda assim, há interesse de países como China, Paquistão e Índia, que podem tentar se engajar apesar do caos. “É um grande ponto de interrogação”, sinalizou o especialista.

‘Maldição dos recursos’

De acordo com um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos publicado em junho, em 2020, cerca de 90% dos afegãos viviam abaixo da linha de pobreza determinado pelo governo de US$ 2 (cerca de R$ 10,76) por dia. Em seu perfil de país mais recente, o Banco Mundial disse que a economia continua “moldada pela fragilidade e dependência da ajuda”.

“O desenvolvimento e a diversificação do setor privado são limitados pela insegurança, instabilidade política, instituições fracas, infraestrutura inadequada, corrupção generalizada e um ambiente de negócios difícil”, apontou o documento em março.

Muitos países com governos fracos sofrem com o que é conhecido como a “maldição dos recursos”, na qual os esforços para explorar riquezas naturais não trazem benefícios para a população local e para a economia doméstica. Mesmo assim, as revelações sobre as reservas minerais do Afeganistão, baseadas em pesquisas anteriores conduzidas pela União Soviética, são promissoras.

A demanda por metais como lítio e cobalto, bem como por elementos de terras raras como o neodímio, está aumentando à medida que os países tentam mudar para carros elétricos e outras tecnologias limpas para reduzir as emissões de carbono. A Agência Internacional de Energia (IEA) declarou em maio que os suprimentos globais de lítio, cobre, níquel, cobalto e elementos de terras raras precisavam aumentar drasticamente ou o mundo fracassaria em sua tentativa de enfrentar a crise climática. Três países (China, República Democrática do Congo e Austrália) respondem atualmente por 75% da produção global de lítio, cobalto e terras raras.

O carro elétrico médio requer seis vezes mais minerais do que um carro convencional, de acordo com a IEA. Lítio, níquel e cobalto são essenciais para as baterias. Redes de eletricidade também requerem grandes quantidades de cobre e alumínio, enquanto elementos de terras raras são usados nos ímãs necessários para fazer as turbinas eólicas funcionarem.

Oportunidade para China?

Na segunda-feira (16/08), a China, líder mundial na mineração de terras raras, disse que “manteve contato e comunicação com o Talibã afegão”.

O cientista e especialista em segurança que fundou o Ecological Futures Group, Rod Schoonover explicou que haveria preocupações sobre a sustentabilidade dos projetos de mineração, dado o histórico da China.“Quando a mineração não é feita com cuidado, pode ser ecologicamente devastadora, o que prejudica certos segmentos da população sem muita voz”.

O governo chinês pode ser cético em relação a parcerias em empreendimentos com o Talibã, no entanto, dada a instabilidade contínua, e pode se concentrar em outras regiões.

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